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O ZIKA VÍRUS E OS TRATAMENTOS DE FERTILIZAÇÃO

Uma visão de superação

Por Arnaldo Schizzi Cambiaghi

A infecção pelo Zika vírus tem causado uma grande preocupação para todos, principalmente entre as mulheres grávidas e os casais que desejam engravidar. Não é para menos, quando nos deparamos com as noticias ainda pouco esclarecedoras que se espalham pelo país.

Entretanto, não devemos esquecer que a vida é feita de vários momentos de superação e, por isso, devemos refletir se o sentimento de medo não deve ser substituído por atitudes que minimizem esta tentativa de, talvez, conturbar a vida reprodutiva das mulheres e casais. Penso: será correto ou realmente necessário curvar-se frente a este inimigo microscópico, praticamente oculto, mas agressivo aos bebês ainda dentro do útero e adiar a gravidez por não sei quanto tempo? A resposta é discutível e exige reflexões.

Zika Vírus e os Tratamentos de Fertilização - Imagem 01

O mundo já passou por grandes epidemias ao longo da história: bactérias, vírus e outros micro-organismos que causaram estragos tão grandes à humanidade quanto as mais terríveis guerras, terremotos e erupções de vulcões. Já tivemos Peste Negra (Europa e Ásia- 1333 a 1351), Cólera (1817 a 1824), Tuberculose (1850 a 1950), Varíola (1896 a 1980), Gripe Espanhola (1918 a 1919), Tifo (Europa Oriental e Rússia - 1918 a 1922), Febre Amarela (Etiópia - 1960 a 1962), Sarampo (até 1963), Malária (desde 1980) e AIDS (desde 1981).

L U T A M O S     E     S O B R E V I V E M O S!

A vida continuou, continua e estamos aqui!

Lembro ainda que diariamente enfrentamos situações de alto risco com desfechos fatais e nem por isso deixamos de realizá-las. No Brasil, ao sairmos na rua para caminharmos, segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), corremos o risco de morrer atropelados na proporção de 3,4 mortes por 100.000 habitantes, superior a cidades como Los Angeles e Chicago, que são pouco superiores a 2,0, e de Manchester e da Grande Londres, que se encontram pouco abaixo de 2,0.

O Brasil é o 4º pais em mortes no trânsito, cerca de 45.000 por ano. Assim, nossa chance de morrer em um desastre de automóvel é de 1 em 650 e nem por isso deixamos de sair de automóvel. Podemos morrer a pé, atropelado ou em acidente de automóvel. O melhor é NÃO PENSAR NESTAS COISAS, e ir em frente.

A ORDEM É: PREVINA-SE

Conheça no quadro abaixo outros acontecimentos habituais que podem ter um final trágico e que enfrentamos cotidianamente.

Zika Vírus e os Tratamentos de Fertilização - Imagem 01

PREVENIR É A SOLUÇÃO

Não existe vacina. A melhor maneira de se prevenir a doença e evitar o contato com o mosquito é combater os focos, que são típicos de regiões urbanas de clima tropical. As mulheres que já estão grávidas e as que não puderem adiar a gravidez, principalmente aquelas com idade mais avançada, precisam redobrar os cuidados. Devem estar atentas até os sintomas mais leves e procurar imediatamente seu médico ou uma unidade de saúde. Todo cuidado é pouco.

Os mosquitos atacam pela manhã e ao entardecer, especialmente durante o calor e a chuva. Por isso é bom fechar a janelas nesses períodos e usar telas (mosquiteiros com inseticida). Dê preferência vestir roupas claras e que cubram o corpo, calças compridas e mangas longas. Evitar também roupas coloridas que chamem atenção. Não use perfumes, sabonetes e cremes hidratantes muito fortes que atraiam os mosquitos.

Usar repelentes

O repelente mais recomendado para gestante é a base de Icaridina (presente no repelente Exposis), substância mais duradoura e eficaz. Em concentração de 10% tem duração de 4 a 5 horas e em concentração de 20% , na apresentação gel, dura até 10 horas. A melhor forma de usar este produto é: aplicar a forma gel sobre a pele e o spray sobre a roupa. Alguns padrões podem ser aplicados nas cortinas e mobílias do quarto.

Outra opção de repelente com eficácia se chama DEET- dietil toluamida. Trata-se de um repelente desenvolvido para o exército dos EUA, em 1946. Desde os anos 50 que se encontra à venda para a população em geral. Portanto, é um repelente com mais de 50 anos de uso e experiência. No Brasil, as principais marcas de repelentes apresentam o DEET em sua fórmula. Autan, Off e Repelex são alguns exemplos de marcas conhecidas que utilizam o DEET como princípio ativo.

Dos repelentes naturais, a citronela também tem ação repelente, mas por ser de curta duração deve ser reaplicada várias vezes sendo menos eficaz.

É bom lembrar que o repelente deve ser usado nas áreas expostas da pele, e não por baixo da roupa, pois o suor aumenta a absorção do produto.

Deve-se ter a preocupação em evitar a proliferação do mosquito em casa. Não deixe nenhum excesso e acúmulo de água em vasos, garrafas, banheira, baldes e pneus, isso se torna um criadouro natural de mosquitos.

E lembre-se: não deixe água limpa se acumular em sua casa ou quintal. Isso inclui vasos de plantas, móveis e enfeites em áreas externas. Fique de olho em poças d’água que se formam após a chuva.

Algumas dicas para o uso de repelentes:

  • SEMPRE leia o rótulo e instruções de uso do produto;
  • NUNCA deixe que crianças pequenas apliquem o produto sozinhas;
  • NÃO use repelente em área do corpo coberta por roupa;
  • APLIQUE o repelente nas áreas descobertas: braços, pernas, atrás das orelhas e no pescoço. Reaplique até 3 vezes no dia;
  • USE uma quantidade suficiente para cobrir a pele. Colocar mais repelente não aumenta sua potência ou tempo de ação:
  • NÃO USE repelente em área onde a pele esteja irritada, com algum ferimento ou corte;
  • NÃO PASSE o repelente nas mãos das crianças menores para evitar que esfreguem repelente nos olhos ou coloquem na boca.

E os tratamentos de fertilização? Qual a opinião do IPGO?

Embora as autoridades tenham recomendado evitar a gravidez, cada caso deve ser individualizado e discutido. Um ponto da maior importância que deve ser levado em consideração é a idade da futura mãe. Para mulheres acima de 35 anos, adiar por um ou dois anos as tentativas para engravidar pode significar reduzir, em muito, as chances de uma gestação. Deve ser levado em consideração o local em que vive a mulher e a sua capacidade e condições de evitar a proximidade com o mosquito bem como o discernimento para aplicar em si as medidas preventivas. Uma possibilidade para os casais temerosos com a doença ou que temem pela perda da sua capacidade reprodutiva, é o congelamento de óvulos ou embriões, considerados procedimentos seguros, eficazes e ótimas alternativas nesta situação.

MICROCEFALIA

O número de ocorrências de microcefalia relacionada à infecção pelo Zika vírus, segundo o Ministério da Saúde, já ultrapassa a marca de centenas de casos e tem deixado gestantes e mulheres que querem engravidar apreensivas. Muito mais aquelas que já se encontram em uma idade avançada e correm contra o tempo e o seu relógio biológico.

Já é informação bem divulgada pelos meios de comunicação que esse vírus e transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue, da febre amarela e da febre Chikungunya. Recentemente, porém, foi constatada também a transmissão por transfusão de sangue, por via sexual e da mãe para feto.

O tempo de incubação é de 3 a 12 dias. As manifestações clínicas do zika e da dengue são, inclusive, parecidas: febre de 38 graus, dores no corpo e nas articulações, cansaço, cefaleia, vermelhidão no corpo, náuseas vómitos e diarreia. Também pode causar inflamações nos pés e nas mãos, conjuntivite e edemas nos membros inferiores. Ao notar esses sintomas a gestante deve procurar imediatamente seu médico.

O tratamento para do zika vírus , assim como para a dengue, visa o alívio dos sintomas fazendo-se uso de antitérmicos e analgésicos sem ácido acetilsalicílico (pelo risco de sangramento), além de manter-se hidratado, bebendo bastate líquido e logo procurar orientações de um clínico geral.

Uma outra complicação importante pelo zika vírus (além da microcefalia) é o desenvolvimento da síndrome de Guillain-Barré, que causa paralisia e, se não tratada, pode deixar o paciente sem andar e respirar.

A microcefalia é o problema mais temido entre as gestantes e os casais que desejam engravidar. A microcefalia é uma malformação em que o cérebro do feto não cresce adequadamente. Para as gestantes, mulheres que estão pensando em engravidar e aquelas em programação de tratamento de infertilidade, o importante para se tranquilizar é a prevenção.

Perguntas e respostas

  1. Qual a relação entre o Zika e a microcefalia?

    A confirmação da relação entre o vírus e a microcefalia é inédita na pesquisa científica mundial. A microcefalia é uma má-formação congênita na qual o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Normalmente, ela é causada por fatores como uso de drogas e radiação. Segundo o governo, na epidemia atual, os bebês nascem com perímetro cefálico menor que o normal, que habitualmente é superior a 33 cm.

  2. O que ainda não sabemos sobre a ligação entre o Zika e a má-formação fetal?

    O Ministério da Saúde deixou claro, no entanto, que ainda há muitas questões a serem resolvidas. Uma delas é como ocorre exatamente a atuação do Zika no organismo humano e a infecção do feto. Também não se sabe ao certo qual o período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial do governo, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez.

  3. O que é o Zika?

    É um arbovírus (do gênero flavivírus), ou seja, costuma ser transmitido por um artrópode, que pode ser um carrapato, mas normalmente é um tipo de mosquito. No caso do Zika, ele é transmitido por um mosquito do gênero Aedes, como o Aedes aegypti, que também causa a dengue. Além disso, ele também está relacionado com a febre amarela, febre do Nilo e a encefalite japonesa.

  4. Qual sua origem?

    O vírus foi identificado pela primeira vez em 1947 em Uganda, na floresta de Zika. Ele foi descoberto em um macaco rhesus durante um estudo sobre a transmissão da febre amarela no local. Exames confirmaram a infecção em seres humanos em Uganda e Tanzânia em 1952, mas somente em 1968 foi possível isolar o vírus, com amostras coletadas em nigerianos. Diversas análises genéticas demonstraram que existem duas grandes linhagens do vírus: a africana e a asiática.

  5. Houve surtos anteriores de Zika?

    Sim, mas não nesse grau. Em 2007, por exemplo, foram registrados casos de infecção do vírus na ilha de Yap, que integra a Micronésia, no Oceano Pacífico.

    Foi a primeira vez que se detectou o vírus fora de sua área geográfica original, ou seja, África e Ásia. No final de 2013, houve um surto do Zika na Polinésia Francesa, também no Pacífico. Mais de 10 mil casos foram diagnosticados.

    Desse total, cerca de 70 evoluíram para um estado grave. Esses pacientes desenvolveram complicações neurológicas, como meningoencefalite, e doenças autoimunes, como leucopenia (redução do nível de leucócitos no sangue).

    No dia 26 de novembro, um relatório divulgado por autoridades locais mostrou que pelo menos 17 casos de má-formação do sistema nervoso central foram registrados entre 2014 e este ano, de acordo com o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês).

    Nas Américas, o vírus foi detectado pela primeira fez em fevereiro de 2014 por autoridades chilenas, que confirmaram o primeiro caso na Ilha de Páscoa. A transmissão se deu de maneira autóctone (ocorrida dentro do território nacional e não em pessoas que viajaram para o exterior).

    Em maio de 2015, o Brasil confirmou seu primeiro caso desse tipo de transmissão, em um paciente da região nordeste.

    A Colômbia também reportou seu primeiro caso de contágio do vírus, no estado de Bolívar. Até outubro, eram nove casos nessa região.

    Também foram registrados casos nas Ilhas Cook e Nova Caledônia, novamente no Pacífico.

  6. Qual o tempo de incubação do vírus?

    O tempo de incubação tende a oscilar entre 3 e 12 dias.

    Após esse período surgem os primeiros sintomas. No entanto, a infecção também pode ocorrer sem o surgimento de sintomas (leia mais abaixo). Segundo um estudo publicado na revista médica The New England, uma em cada quatro pessoas desenvolve os sintomas. A maioria dos pacientes se recupera, sendo que a taxa de hospitalização costuma ser baixa.

  7. E os sintomas?

    O vírus provoca sintomas parecidos com os da dengue, contudo mais brandos: febre alta, dor de cabeça e no corpo, manchas avermelhadas, dores musculares e nas articulações. Também pode causar inflamações nos pés e nas mãos, conjuntivite e edemas nos membros inferiores. Os sintomas costumam durar entre 4 e 7 dias. Há outros sintomas menos frequentes, como vômitos, diarreia, dor abdominal e falta de apetite.

  8. Qual o tratamento para o Zika?

    Não há uma vacina nem um tratamento específico para o Zika vírus, apenas medidas para aliviar os sintomas, como descansar e tomar remédios como paracetamol para controlar a febre. O uso de aspirina não é recomendado por causa do risco de sangramento. Também se aconselha beber muito líquido para amenizar os sintomas.

  9. Há prevenção?

    Como a transmissão ocorre pela picada do mosquito, recomenda-se o uso de mosquiteiros com inseticidas, além da instalação de telas. Também deve se utilizar repelentes com um composto chamado Icaridina ou DEET e roupas que cubram braços e pernas, para reduzir as chances de se levar uma picada.

  10. Deve-se adiar os planos de gestação?

    Não necessariamente. No caso de mulheres que moram em áreas onde há ou houve surto de Zika, aconselham a adiar os planos. Mas, no geral, a orientação é de que essa decisão seja tomada pela mulher junto com o médico e a família. Um dos pontos que deve ser levado em consideração é a idade da futura mãe. Para mulheres acima de 35 anos, adiar por um ou dois anos as tentativas para engravidar pode significar reduzir, em muito, as chances de uma gestação.

  11. Pode-se tranquilizar caso a mulher não more em uma região que vive epidemia de Zika vírus?

    Nem tanto. No Paraná, por exemplo, não se tem uma situação de epidemia por Zika vírus até agora. Mas o estado tem o vetor da doença, o mosquito Aedes aegypti, em seu território. O que significa que não está livre do Zika. Neste ano, já foram registrados sete casos da doença – dois autóctones e cinco importados. Em todas as situações, foi realizada uma ação de bloqueio para evitar que o vírus se espalhasse. No caso de grávidas e de quem está tentando a gestação, o melhor é evitar ir a cidades onde há muitos casos de dengue – transmitida pelo mesmo mosquito do Zika – e fazer sua parte para combater o Aedes, eliminando possíveis focos de proliferação do mosquito.

  12. Já estou grávida, o que devo fazer?

    Como o Zika é transmitido da mesma forma que a dengue, os cuidados para evitar a doença são os mesmos. Não viajar para áreas endêmicas de Zika ou com uma grande proliferação de mosquitos Aedes aegypti – normalmente são cidades com muitos casos de dengue. Também tome medidas para evitar o mosquito. Mantenha portas e janelas fechadas ou teladas, use calça e camisa de manga comprida – de preferência de cor clara – e utilize repelentes permitidos para gestantes. Elimine os pontos de água parada em casa e, se possível, em áreas vizinhas. Também evite ficar próxima de pessoas com os sintomas do Zika: febre, dores no corpo, olhos vermelhos e manchas vermelhas que coçam muito.

  13. Existe um período da gestação que é mais preocupante uma contaminação por Zika?

    O Ministério da Saúde ainda não tem todas as informações sobre o Zika e como ele age no organismo de gestante e dos bebês. De qualquer forma, tudo indica que uma contaminação nos três primeiros de gestação – momento em que as estruturas neurológicas estão sendo formadas – seja o mais arriscado.

  14. Tive Zika e agora quero engravidar, o que devo fazer?

    O melhor é procurar aconselhamento médico antes de tomar qualquer decisão. Se já está grávida, informe o seu médico que teve a doença e quando isso ocorreu.

  15. Meu bebê foi diagnosticado com microcefalia, isso quer dizer que tive contato com o Zika?

    Não necessariamente. Embora seja um agravo raro, a microcefalia pode ser causada por diversos fatores. Desde o consumo de drogas e a má nutrição da mãe até doenças como a rubéola, a toxoplasmose e o citomegalovírus.

"As mulheres do estado podem engravidar normalmente.
Contudo, devem evitar viajar para áreas epidêmicas.”

David Ewerson Uip – Secretário Estadual de Saúde de São Paulo

(veja a reportagem na íntegra)

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