Navegue pelo conteúdo do Post

RISCO DE CÂNCER DE OVÁRIO EM MULHERES COM ENDOMETRIOSE OVARIANA: CONSIDERAÇÕES SOBRE REALIZAR OU NÃO A CIRURGIA PREVENTIVA

A endometriose, especialmente em sua forma ovariana, tem sido associada a um risco aumentado de neoplasias epiteliais de ovário, particularmente dos subtipos endometrioide e de células claras. Com base nessa associação, discute-se a necessidade de estratégias profiláticas em mulheres com endometriose persistente, sobretudo após os 40 anos. Este artigo revisa criticamente a literatura científica sobre a relação entre endometriose e câncer de ovário, analisando os fatores de risco, os subtipos tumorais relacionados e as opções cirúrgicas preventivas. Também se analisa, com base nas evidências disponíveis, o papel da ooforoplastia (remoção apenas do endometrioma com preservação do ovário) em pacientes mais velhas. No entanto, essa abordagem, embora útil em pacientes com desejo reprodutivo, não tem respaldo como estratégia profilática oncológica.

A endometriose é uma condição ginecológica benigna, de natureza inflamatória e estrogênio-dependente, que afeta entre 6 e 10% das mulheres em idade reprodutiva. Em sua forma ovariana, caracteriza-se pela presença de endometriomas, cistos que podem crescer e se manter ao longo dos anos. Embora a doença seja considerada benigna, há evidências crescentes associando a endometriose, principalmente a ovariana, a um aumento no risco de câncer epitelial de ovário.

Essa associação levanta importantes implicações clínicas, especialmente em mulheres com endometriomas persistentes e idade mais avançada. Surge, portanto, a necessidade de avaliar criticamente quais estratégias cirúrgicas poderiam reduzir o risco oncológico sem comprometer desnecessariamente a função ovariana ou a qualidade de vida.

1. Endometriose e Câncer de Ovário: Relação Epidemiológica

Estudos populacionais e metanálises revelam que mulheres com endometriose profunda e ovariana têm um risco aumentado de desenvolver câncer de ovário, com razão de risco variando entre 1,4 e 2,0 em comparação à população geral (Melin et. al., 2011; Pearce et. al., 2012; Vercellini et. al., 2014).

A associação é particularmente forte para dois subtipos histológicos:

  • Carcinoma de células claras, com até 2 a 3 vezes mais risco;
  • Carcinoma endometrioide, com risco estimado em torno de 2 vezes maior (Kobayashi al., 2007; Pearce et. al., 2012).

Esses dados foram reforçados pela apresentação de uma meta-análise recente no Congresso da ESHRE 2025 em Paris, que mostrou um risco global discretamente aumentado para câncer em geral em mulheres com endometriose.

  • SRR: 1,07 (IC 95%: 0,98–1,16), risco maior, mas sem significância estatística global.

Quando estratificado por região geográfica:

  • Ásia: HR 1,80 (IC 95%: 1,37–2,36) → risco significativamente maior;
  • Europa: SRR 1,03 (IC 95%: 0,97–1,11) → risco maior
  • América do Norte: RR 0,90 (IC 95%: 0,77–1,05) → risco maior
ABREVIAÇÃOSIGNIFICADOCOMO INTERPRETAR
SRRRisco relativo combinadosoma vários estudos
HRRazão de risco ao longo do tempomede risco durante seguimento
RRRisco relativocompara dois grupos
IC 95%Intervalo de confiançamostra a margem de segurança do resultado

Tais variações sugerem que fatores genéticos, ambientais e de rastreamento regional podem impactar a magnitude do risco oncológico associado à endometriose.

2. Fatores que aumentam o risco de transformação maligna

Embora o risco absoluto de câncer de ovário em mulheres com endometriose permaneça relativamente baixo, algumas características aumentam significativamente esse risco:

  • Idade acima de 40 anos, especialmente na perimenopausa;
  • Endometriomas persistentes ou em crescimento;
  • História familiar de câncer de ovário ou mama;
  • Características atípicas na imagem (espessamento de paredes, septações, vascularização aumentada);

Esses fatores foram também destacados na aula do congresso de Paris como elementos importantes para estratificação individual de risco e decisão cirúrgica personalizada.

3. Ooforoplastia em Pacientes com Idade Avançada: Há Evidência para Uso Profilático?

A ooforoplastia, técnica cirúrgica conservadora que consiste na remoção apenas do endometrioma com preservação do parênquima ovariano, é amplamente utilizada em pacientes jovens com dor ou infertilidade. Contudo, não existem evidências científicas robustas que sustentem seu uso como estratégia de prevenção do câncer de ovário em mulheres com endometriose e idade avançada.

Revisões sistemáticas e estudos observacionais não citam a ooforoplastia como método de redução de risco oncológico (Kobayashi et. al., 2007; Vercellini et. al., 2014). Os dados mais recentes reforçam que, do ponto de vista oncológico, a preservação do ovário não altera significativamente o risco de transformação maligna, especialmente quando persistem áreas de tecido endometriótico residual.

Durante o Congresso de Paris, ESHRE 2025, foi destacado que:
A ooforoplastia NÃO DEVE SER INDICADA como medida profilática em mulheres com idade mais avançada e risco oncológico elevado, sendo recomendada apenas para fins funcionais ou sintomáticos bem definidos.

4. Quando devemos nos preocupar e como individualizar a prevenção?

A relação entre endometriose e câncer de ovário voltou a chamar atenção após a publicação de um importante estudo na JAMA em 2024, com mais de 450 mil mulheres acompanhadas por cerca de 12 anos. O trabalho confirmou que mulheres com endometriose apresentam um risco maior de câncer epitelial de ovário quando comparadas à população geral. Ainda assim, esse dado precisa ser interpretado com equilíbrio para não gerar medo desnecessário.

Na prática, o risco absoluto de câncer de ovário em mulheres sem endometriose foi estimado em aproximadamente 0,2%, o que corresponde a cerca de 2 casos para cada 1.000 mulheres. Já nas mulheres com endometriose, esse número foi de aproximadamente 0,8%, ou seja, cerca de 8 casos para cada 1.000 mulheres. Portanto, apesar de continuar sendo um risco baixo em termos absolutos, ele representa sim um aumento relevante: aproximadamente quatro vezes maior do que na população sem endometriose.

Nos últimos anos, outros estudos reforçaram essa mesma preocupação. O que chama atenção é que, embora cada pesquisa utilize metodologia diferente, todas caminham na mesma direção: o risco absoluto permanece baixo, mas mulheres com endometriose apresentam um risco proporcionalmente maior, principalmente quando existem endometriomas ovarianos ou doença infiltrativa profunda.

A comparação abaixo ajuda a entender isso de maneira objetiva:

Endometriose e risco de câncer de ovário: principais estudos dos últimos 8 anos

ANOESTUDOMULHERES SEM ENDOMETRIOSEMULHERES COM ENDOMETRIOSEQUANTO AUMENTA O RISCO
2018Saavalainen et al. – Finlândia0,10%0,18%cerca de 1,8 vez maior
2018Saraswat et al. – Escócia0,10%0,17%–0,20%cerca de 2 vezes maior
2021Kvaskoff et al. – metanálise internacional0,10%0,19%cerca de 1,9 vez maior
2021Eoh et al. – Coreia do Sul0,54%0,64%aumento discreto, cerca de 1,2 vez maior
2024Barnard et al. – JAMA0,20%0,80%cerca de 4 vezes maior
2024Barnard et al. – endometrioma ovariano e/ou endometriose profunda0,20%1,90%cerca de 9 a 10 vezes maior
2024Barnard et al. – tumores tipo I (endometrioide e células claras)0,05%0,38%cerca de 7,5 vezes maior
2024Barnard et al. – tipo I + endometrioma/DIE0,05%0,95%cerca de 19 vezes maior
2024Zhang & Yan – análise genéticanão calculou % clínicanão calculou % clínicarisco entre 1,2 e 2 vezes maior
2025Liu et al. – NHANESnão calculou % clínicanão calculou % clínicaassociação positiva confirmada
2025Zhang et al. – subtipos anatômicosnão calculou % clínicanão calculou % clínicamaior risco em endometrioma e doença profunda
2025Bogani et al. – revisão europeianão calculou % clínicanão calculou % clínicaconfirma maior risco principalmente para tumores endometrioide e células claras

Significado das siglas usadas no quadro

SIR = Razão Padronizada de Incidência
Compara quantos casos apareceram em relação ao esperado na população geral.
HR = Razão de Risco
Mostra quantas vezes maior foi o risco ao longo do acompanhamento.
OR = Razão de Chances
Compara a chance entre dois grupos.
DIE = Deep Infiltrating Endometriosis
Endometriose infiltrativa profunda, que pode atingir intestino, bexiga e estruturas profundas da pelve.
Metanálise
Estudo que reúne vários estudos e faz uma análise conjunta.
Risco absoluto
É a porcentagem real. Exemplo: 0,2% = 2 mulheres em cada 1.000.
Risco relativo
É quantas vezes aumenta. Exemplo: 0,2% para 0,8% = risco 4 vezes maior.

O que mais chama atenção é que os estudos caminham na mesma direção:
    • mulheres com endometriose apresentam maior risco de câncer de ovário do que a população geral,
    • esse risco costuma permanecer baixo em termos absolutos,
    • ele se torna mais relevante quando existe:
      • endometrioma ovariano,
      • endometriose infiltrativa profunda,
      • associação com tumores endometrioides ou de células claras.
Em outras palavras:
 
O risco existe, merece respeito e acompanhamento individualizado, mas não deve ser motivo de pânico.
 
A grande maioria das mulheres com endometriose nunca desenvolverá câncer de ovário. O principal benefício dessas informações é ajudar a planejar melhor o seguimento e individualizar a prevenção com equilíbrio e bom senso.
 
Em linguagem simples, isso significa o seguinte: se mil mulheres sem endometriose forem acompanhadas ao longo do tempo, cerca de duas poderão desenvolver câncer de ovário. Entre mil mulheres com endometriose, esse número pode subir para aproximadamente oito. Continua sendo um número pequeno. A maioria absoluta nunca desenvolverá câncer de ovário. Mas, proporcionalmente, existe um aumento real, que precisa ser reconhecido.
 
O estudo mostrou ainda que esse risco não é igual para todas as pacientes. Ele foi mais evidente naquelas com endometrioma ovariano e também nas mulheres com endometriose infiltrativa profunda, incluindo comprometimento intestinal. Nessas pacientes, a associação foi maior principalmente com os tumores endometrioides e de células claras, tipos que biologicamente parecem guardar maior relação com o ambiente inflamatório da endometriose.
 
Isso não significa que a endometriose seja câncer, nem que a paciente com endometriose caminhe inevitavelmente para malignidade. Muito pelo contrário: a grande maioria nunca desenvolverá câncer de ovário. O valor desses estudos está em permitir acompanhamento mais individualizado e discussões mais maduras sobre prevenção.
 
Esse raciocínio se torna especialmente interessante em algumas pacientes que irão realizar reprodução assistida com óvulos doados. Quando a mulher já não depende mais da sua reserva ovariana e a gravidez ocorrerá por transferência embrionária, pode existir espaço para discutir de forma personalizada uma conduta cirúrgica preventiva, principalmente na presença de endometriomas persistentes, dor importante ou doença profunda ativa.
 
Nesses casos, pode ser razoável ponderar tratamento cirúrgico do ovário comprometido e também salpingectomia bilateral, lembrando que hoje sabemos que parte importante dos cânceres ovarianos de alto grau pode ter origem nas tubas uterinas.
 
Além do possível aspecto preventivo futuro, existe ainda outro ponto relevante: a endometriose permanece sendo uma doença inflamatória crônica e, em determinadas pacientes, esse ambiente inflamatório pode interferir negativamente na receptividade uterina, na qualidade do ambiente pélvico e nos resultados da fertilização.
 
Em mulheres receptoras de óvulos (leia detalhes no item 6) esse equilíbrio precisa ser analisado com ainda mais atenção. Como a reserva ovariana deixa de ser a prioridade, o foco passa a ser a melhor condição possível do útero e da pelve para receber o embrião e, ao mesmo tempo, pensar em segurança futura de longo prazo.
 
Minha visão é que esse tema merece atenção, mas não pânico.
  • O dado científico existe e deve ser respeitado.
  • O risco relativo é realmente maior.
  • Mas o risco absoluto continua baixo.
Por isso, o mais importante é individualizar cada caso, avaliar idade, sintomas, extensão da doença, aspecto do ovário nos exames de imagem, histórico familiar, desejo reprodutivo e estratégia futura.
 
Em medicina reprodutiva, prevenção e bom senso costumam caminhar juntos. E decisões bem ponderadas, tomadas com critério e personalização, quase sempre trazem mais benefício do que intervenções feitas por medo.

5. PACIENTES RECEPTORAS DE ÓVULOS, IDADE AVANÇADA, ENDOMETRIOSE PROFUNDA E ENDOMETRIOMA. DEVEM RECEBER TRATAMENTO DIFERENCIADO?

O câncer de ovário não está ligado apenas ao endometrioma. A endometriose profunda também aparece associada ao aumento do risco, mas a ligação mais forte e biologicamente mais bem demonstrada continua sendo com o endometrioma ovariano, especialmente em tumores endometrioides e de células claras.

DETALHES NESTES TRATAMENTOS DE FERTILIZAÇÃO.

A endometriose é uma doença ginecológica benigna, porém complexa, que afeta mulheres em idade reprodutiva e pode persistir ou se manifestar mesmo após os 40 anos. Nas últimas décadas, cresceu o interesse científico sobre sua associação com o câncer de ovário, especialmente em subgrupos específicos de pacientes. Esse tema ganha ainda mais relevância quando consideramos mulheres que buscam tratamentos de reprodução assistida, particularmente aquelas que irão engravidar por meio de óvulos doados.

Uma das análises mais robustas sobre essa associação foi apresentada na revisão sistemática e metanálise de Kvaskoff e colaboradores, que demonstrou que mulheres com endometriose apresentam um risco aproximadamente duas vezes maior de desenvolver câncer de ovário quando comparadas à população geral. Esse aumento de risco não é homogêneo entre todos os subtipos histológicos, sendo mais expressivo nos carcinomas endometrioide e de células claras, que apresentam forte relação biológica com a endometriose. Apesar disso, o risco absoluto permanece baixo, o que reforça a necessidade de interpretação cuidadosa desses dados na prática clínica.

Entretanto, essa revisão sistemática avaliou a endometriose como um grupo amplo, sem diferenciar de forma detalhada os fenótipos da doença. Estudos mais recentes trouxeram uma contribuição fundamental ao demonstrar que o risco não é uniforme. Em especial, pacientes com endometrioma ovariano e endometriose profunda infiltrativa apresentam um aumento de risco significativamente maior. Dados recentes sugerem que esse grupo pode ter um risco até cerca de dez vezes maior em comparação com mulheres sem endometriose, especialmente para tumores do tipo I, como os carcinomas endometrioide e de células claras.

Essa distinção é essencial para a prática clínica. Enquanto a endometriose superficial parece ter impacto mínimo no risco oncológico, o endometrioma e a doença profunda representam um cenário biologicamente mais ativo e potencialmente mais relevante do ponto de vista de carcinogênese. Esse achado é consistente com estudos moleculares que identificam mutações como ARID1A, PIK3CA e PTEN em lesões endometrióticas associadas a tumores, sugerindo que, em alguns casos, o endometrioma pode atuar como lesão precursora.

Além disso, a idade exerce um papel central nessa equação. O câncer de ovário é mais prevalente após os 40–50 anos, e a presença de endometriose nesse período da vida, especialmente na forma de endometrioma, passa a ter maior relevância clínica. Embora o risco absoluto continue baixo, a combinação de idade, tipo de lesão e ausência de métodos eficazes de rastreamento para câncer de ovário torna a vigilância isolada uma estratégia limitada em determinados cenários.

No contexto da reprodução assistida, essa discussão se torna ainda mais complexa. Em mulheres jovens que desejam engravidar com seus próprios óvulos, a conduta tende a ser conservadora, uma vez que a cirurgia pode comprometer a reserva ovariana e reduzir as chances de sucesso reprodutivo. Nesses casos, a presença de endometrioma isolado, sem sinais de suspeição, raramente justifica intervenção cirúrgica.

No entanto, a situação é diferente em mulheres acima dos 40 anos que irão realizar tratamento com óvulos doados. Nesse grupo, a preservação da função ovariana deixa de ser uma prioridade, uma vez que os óvulos não serão utilizados. Assim, o principal objetivo passa a ser a segurança clínica a longo prazo. Nessa perspectiva, a presença de um endometrioma, especialmente se persistente, de crescimento recente ou associado à endometriose profunda, pode justificar uma abordagem mais intervencionista, mesmo porque, a endometriose, por ser uma doença inflamatória, pode servir de fator “atrapalhador” para a implantação embrionária e desenvolvimento da gestação. Há uma tendência crescente de considerar o endometrioma não apenas uma doença ovariana, mas um marcador de uma condição inflamatória sistêmica que pode influenciar desde a qualidade do óvulo até a placentação inicial.

A endometriose ovariana pode reduzir a chance de implantação por três mecanismos simultâneos:

  1. piora da qualidade oocitária e embrionária;
  2. inflamação pélvica e endometrial com alteração da receptividade uterina;
  3. alterações imunológicas e angiogênicas que persistem durante a gestação.

Embora as principais diretrizes, como as da ESHRE, não recomendem a remoção sistemática de endometriomas apenas com base no risco oncológico, essa recomendação foi construída principalmente considerando mulheres em idade reprodutiva com desejo de preservar fertilidade. Quando esse fator não está presente, como no caso de receptoras de óvulos, o equilíbrio entre riscos e benefícios se modifica.

Portanto, ao integrar os dados disponíveis, é possível concluir que a endometriose está associada a um aumento real, porém moderado, do risco de câncer de ovário. Esse risco é significativamente mais relevante em pacientes com endometrioma e endometriose profunda, e torna-se mais importante com o avanço da idade. Em mulheres acima dos 40 anos que não necessitam preservar a função ovariana para fins reprodutivos, a presença de endometrioma pode justificar a consideração de tratamento cirúrgico como estratégia de redução de risco, especialmente quando há alterações clínicas ou radiológicas.

A decisão, no entanto, deve ser sempre individualizada, baseada em fatores como idade, características da lesão, sintomas, histórico clínico e preferências da paciente. O conceito de decisão compartilhada permanece central, especialmente em um cenário em que a evidência ainda está em evolução.

IMPORTANTE

Segundo a European Society of Human Reproduction and Embryology e a American Society for Reproductive Medicine, não existe recomendação nem consenso para indicar rotineiramente a retirada do ovário acometido por endometrioma, mesmo em pacientes que já não utilizarão os próprios óvulos e seguirão com ovodoação. A decisão deve ser individualizada, baseada em critérios clínicos, sintomas, características da lesão, exclusão de malignidade e avaliação cuidadosa do melhor cenário reprodutivo e da segurança da paciente

6. A Importância da Retirada das Tubas Uterinas em Cirurgias de Endometriose Ovariana: Uma Estratégia Preventiva Contra o Câncer de Ovário

Durante muitos anos, acreditava-se que o câncer de ovário surgia diretamente no próprio ovário. Hoje, porém, a medicina moderna mostrou que grande parte dos tumores ovarianos mais agressivos, especialmente o carcinoma seroso de alto grau, pode ter origem nas tubas uterinas, principalmente na região das fímbrias, localizadas muito próximas ao ovário.

Essa descoberta modificou profundamente a forma como os ginecologistas passaram a enxergar as tubas uterinas. Elas deixaram de ser consideradas apenas estruturas responsáveis pelo transporte do óvulo e passaram a ser vistas também como possíveis locais iniciais do desenvolvimento do câncer pélvico.

Esse conceito ganhou ainda mais importância nas pacientes com endometriose ovariana. A endometriose é uma doença inflamatória crônica que pode provocar aderências, alterações anatômicas e um ambiente de inflamação persistente dentro da pelve. Em muitos casos, as tubas também acabam comprometidas por esse processo, tornando-se estruturas alteradas, inflamadas e frequentemente sem função adequada.

Quando uma mulher necessita de cirurgia para tratamento de endometriose do ovário, especialmente nos casos de endometrioma, surge uma oportunidade importante de avaliação preventiva. Dependendo da idade da paciente, do desejo reprodutivo e das condições encontradas durante a cirurgia, a retirada das tubas uterinas pode ser considerada uma medida racional e preventiva.

Essa decisão ganha ainda mais força em mulheres acima dos 40 anos, principalmente quando a fertilidade natural já não é uma prioridade ou quando existe planejamento futuro de fertilização in vitro com óvulos doados. Nesses casos, a preservação das tubas frequentemente deixa de trazer benefício reprodutivo real. Ao contrário, manter uma tuba já comprometida por inflamação, aderências ou hidrossalpinge pode representar a permanência de um tecido potencialmente relacionado ao surgimento futuro de câncer.

A hidrossalpinge merece atenção especial. Além de reduzir significativamente as taxas de implantação embrionária na fertilização in vitro, ela representa uma tuba doente, dilatada e inflamada. Hoje, entende-se que manter esse tipo de estrutura pode não fazer sentido nem do ponto de vista reprodutivo nem preventivo.

Outro ponto importante é que a retirada das tubas, quando realizada com técnica cirúrgica adequada, geralmente não compromete de maneira significativa a função hormonal dos ovários. Isso permite incorporar a salpingectomia ao procedimento cirúrgico sem aumentar de forma importante os riscos da cirurgia.

Portanto, em pacientes submetidas à cirurgia para tratamento de endometriose ovariana, especialmente aquelas com idade mais avançada, presença de hidrossalpinge, tubas alteradas ou ausência de desejo reprodutivo natural, a salpingectomia pode representar não apenas uma complementação cirúrgica, mas também uma estratégia moderna de prevenção do câncer de ovário.

A medicina atual passou a entender que muitos cânceres antes chamados de “câncer de ovário” provavelmente começaram, na realidade, dentro das tubas uterinas. Por isso, em situações selecionadas, retirar as tubas durante a cirurgia da endometriose ovariana deixou de ser apenas uma decisão anatômica e passou a representar também uma conduta preventiva baseada em evidências científicas cada vez mais consistentes.

7. A MELHOR CONDUTA: COMPARTILHAR COM A PACIENTE OS RISCOS E BENEFÍCIOS DA CIRURGIA

A melhor conduta costuma ser compartilhar com a paciente algo como:

“Existe um pequeno aumento do risco de câncer de ovário em mulheres com endometrioma. Esse risco permanece baixo, mas pode ganhar mais relevância com a idade e com cistos persistentes. Em algumas mulheres preservar o ovário é o melhor caminho. Em outras, especialmente quando já não existe desejo reprodutivo, retirar o ovário acometido e, em alguns casos, associar a retirada da trompa, pode ser uma forma prudente de reduzir recorrência e risco futuro. A decisão deve equilibrar prevenção, hormônios, sintomas e qualidade de vida.”

Esse costuma ser o ponto mais sólido hoje entre ESHRE + literatura oncológica + prática cirúrgica contemporânea

8. Conclusão

A associação entre endometriose e câncer de ovário é bem estabelecida, especialmente nos subtipos endometrioide e de células claras.

Embora o risco absoluto global seja ligeiramente aumentado (SRR 1,07), esse risco é substancialmente mais elevado em determinadas populações, como mulheres asiáticas (HR até 1,8) e em casos de endometriomas persistentes após os 40 anos.

A cirurgia profilática deve ser considerada em casos individualizados, especialmente quando há lesões ovarianas complexas, refratárias ao tratamento clínico ou alterações suspeitas em imagem. A ooforectomia com salpingectomia permanece como a principal medida com respaldo oncológico.

Por outro lado, a ooforoplastia, apesar de ser uma cirurgia conservadora útil em mulheres jovens com desejo reprodutivo, não deve ser indicada como estratégia de prevenção oncológica em pacientes com risco elevado, especialmente após os 45 anos.

Perguntas e Respostas

Sim, mulheres com endometriose, principalmente na forma ovariana, têm um risco um pouco maior de desenvolver câncer de ovário. Esse risco é maior para dois tipos específicos: carcinoma endometrioide e carcinoma de células claras. No entanto, o risco absoluto continua sendo baixo, ou seja, a grande maioria das mulheres com endometriose nunca desenvolverá câncer.

Principalmente dois tipos:

  • Carcinoma endometrioide
  • Carcinoma de células claras

Esses subtipos têm maior chance de surgir em áreas onde há focos de endometriose no ovário.

Não. A retirada dos ovários (ooforectomia) não é recomendada para todas as mulheres com endometriose. Essa decisão só deve ser considerada em casos específicos, como:

  • Mulheres com mais de 45 anos
  • Lesões ovarianas persistentes ou com aparência suspeita nos exames
  • Sem desejo de ter filhos
  • Histórico familiar de câncer

A cirurgia é sempre individualizada, considerando o risco e o momento de vida da paciente.

A ooforoplastia é uma cirurgia em que o médico remove apenas o cisto (endometrioma), mas preserva o ovário. É uma boa opção para mulheres mais jovens que querem engravidar ou manter a produção hormonal. No entanto, essa cirurgia não remove completamente o tecido de endometriose, por isso não é considerada uma forma de prevenir o câncer de ovário.

Alguns sinais podem indicar maior risco:

  • O cisto não desaparece com o tempo
  • Aumenta de tamanho em exames de controle
  • Tem paredes espessas ou septos (divisões internas)
  • Você tem mais de 40 anos
  • Existe histórico de câncer de ovário ou mama na família

Nesses casos, o ginecologista pode indicar uma investigação mais cuidadosa ou até sugerir cirurgia.

A relação entre endometriose e câncer está mais bem estabelecida no ovário. Para outros tipos de câncer, como de intestino, mama ou útero, os estudos não mostram aumento significativo do risco em mulheres com endometriose.

Sim. Uma grande meta-análise mostrou que mulheres com endometriose:

  • Têm risco aumentado na Ásia (até 80% maior)
  • Têm risco ligeiramente aumentado na Europa
  • Não têm aumento significativo na América do Norte

Essas diferenças podem estar ligadas a fatores genéticos, hábitos de vida, alimentação ou formas de tratamento e diagnóstico.

A salpingectomia (remoção das trompas de falópio) tem se mostrado útil para reduzir o risco de alguns tipos de câncer de ovário. Quando combinada com a retirada do ovário (ooforectomia), especialmente em mulheres sem desejo gestacional e com risco elevado, a prevenção é mais efetiva.

Sim. O uso de medicamentos que bloqueiam os hormônios — como anticoncepcionais combinados ou análogos do GnRH — pode reduzir a atividade da endometriose e, possivelmente, diminuir o risco de transformação maligna a longo prazo, especialmente em mulheres jovens com endometriomas.

A primeira atitude é conversar com seu ginecologista. Ele pode avaliar:

  • Seu histórico familiar
  • Exames de imagem (ultrassom ou ressonância)
  • Sua idade e fase reprodutiva
  • Se a lesão está crescendo ou mudando

Com essas informações, o médico decide se deve apenas acompanhar, usar medicamentos hormonais ou indicar cirurgia. O mais importante é não tomar decisões por conta própria e seguir o plano individual proposto por seu médico.

Durante muitos anos, acreditava-se que o câncer começava diretamente no ovário. Hoje, vários estudos mostraram que muitos dos tumores mais agressivos parecem começar nas tubas uterinas, principalmente na parte próxima ao ovário chamada fímbrias. Depois, essas células podem atingir o ovário e crescer ali. Por isso, as tubas passaram a ter um papel muito importante na prevenção do câncer ginecológico.

Porque, em muitas mulheres com endometriose, as tubas já estão inflamadas, aderidas ou sem função adequada. Além disso, como hoje sabemos que elas podem estar relacionadas ao surgimento futuro do câncer de ovário, sua retirada pode representar uma forma de prevenção. Isso é ainda mais considerado em mulheres acima dos 40 anos ou que não pretendem mais engravidar naturalmente.

Não. A menopausa acontece principalmente quando os ovários deixam de funcionar. A retirada apenas das tubas uterinas normalmente não interrompe a produção hormonal dos ovários. Quando a cirurgia é feita corretamente, a tendência é preservar a função hormonal ovariana, evitando menopausa precoce na maioria dos

Não. Esse é um ponto muito importante. A grande maioria das mulheres com endometriose nunca desenvolverá câncer de ovário ao longo da vida.

O que os estudos mostram é que existe um aumento relativo do risco quando comparado com mulheres que não têm endometriose. Na população geral, o risco de câncer de ovário ao longo da vida gira em torno de 1% a 1,5%. Em mulheres com endometriose, esse risco sobe discretamente, principalmente em casos específicos.

Os maiores riscos parecem ocorrer em mulheres que apresentam:

    • Endometrioma ovariano
    • Endometriose profunda infiltrativa
    • Doença persistente após os 40 anos
    • Crescimento recente do cisto
    • Alterações suspeitas ao ultrassom ou ressonância

Mesmo nesses casos, ainda estamos falando de um evento relativamente raro. Portanto, ter endometriose não significa que a mulher terá câncer, mas significa que ela merece acompanhamento mais cuidadoso, especialmente com o passar da idade.

O endometrioma é um tipo de cisto de endometriose localizado dentro do ovário. Muitas vezes ele é chamado popularmente de “cisto de chocolate”, porque contém sangue antigo acumulado.

Durante a fase reprodutiva, muitos endometriomas permanecem estáveis por anos e podem ser acompanhados sem necessidade imediata de cirurgia. O problema é que, após os 40 anos, começam a ocorrer mudanças hormonais, inflamatórias e celulares que aumentam discretamente a chance de transformação maligna em uma pequena parcela das pacientes.

Os estudos mais recentes mostram que:

    • O risco aumenta principalmente após os 40–45 anos
    • O risco é maior quando o endometrioma cresce
    • O risco é maior quando surgem áreas sólidas ou alterações na imagem
    • Endometriomas novos após os 45 anos merecem atenção especial

Isso não significa que toda mulher acima dos 40 anos precise operar automaticamente, mas significa que a decisão deve ser mais criteriosa e individualizada.

Essa é uma das discussões mais modernas e importantes na medicina reprodutiva atual.

Quando uma mulher deseja engravidar usando os próprios óvulos, os médicos costumam evitar cirurgias ovarianas desnecessárias, porque qualquer cirurgia no ovário pode reduzir a reserva ovariana e diminuir as chances de gravidez.

Mas a situação muda completamente quando a mulher fará tratamento com óvulos doados.

Nessa situação:

    • O ovário dela não será mais utilizado para produzir os óvulos da gravidez
    • A preservação da reserva ovariana perde importância
    • O foco passa a ser segurança futura e qualidade de vida

Assim, em mulheres acima dos 40 anos com endometrioma persistente, principalmente se houver:

    • Crescimento do cisto
    • Alterações suspeitas
    • Endometriose profunda associada
    • Dor importante
    • Histórico familiar de câncer

A cirurgia pode passar a fazer mais sentido como estratégia preventiva.

Ainda não existe consenso absoluto obrigando cirurgia nesses casos, mas muitos especialistas consideram razoável discutir uma abordagem mais intervencionista quando não há mais necessidade de preservar fertilidade ovariana própria.

Essa é uma dúvida muito frequente e que gera muita ansiedade.

Até o momento, os estudos mais bem conduzidos não conseguiram demonstrar que a fertilização in vitro, sozinha, seja responsável por causar câncer de ovário.

O que acontece é que mulheres que fazem fertilização muitas vezes já possuem fatores de risco prévios, como:

    • Endometriose
    • Infertilidade
    • Ausência de gravidez anterior
    • Idade mais avançada

Esses fatores podem confundir os resultados dos estudos.

Hoje, a maior parte das sociedades médicas considera que:

    • O tratamento de fertilização não parece aumentar significativamente o risco de câncer de ovário
    • O risco parece estar mais relacionado à própria doença de base do que às medicações hormonais
    • Mulheres que engravidam após a fertilização podem até reduzir alguns riscos futuros relacionados à infertilidade e nuliparidade

Mesmo assim, pacientes com endometrioma devem ser acompanhadas cuidadosamente durante os tratamentos, principalmente após os 40 anos

Nem todo endometrioma precisa de cirurgia.

Na verdade, muitas mulheres podem ser acompanhadas por anos apenas com exames periódicos. O problema é identificar corretamente quais casos precisam de maior atenção.

A cirurgia costuma ser mais considerada quando existe:

    • Crescimento progressivo do cisto
    • Dor importante
    • Dificuldade para engravidar
    • Alterações suspeitas no ultrassom ou ressonância
    • Presença de áreas sólidas
    • Aumento da vascularização
    • Surgimento do endometrioma após os 40–45 anos
    • Endometriose profunda extensa associada
    • Histórico familiar importante de câncer
    • Falha do tratamento clínico

Além disso, em mulheres que já não precisam preservar os próprios óvulos, especialmente receptoras de óvulos, a cirurgia pode ser discutida de forma mais ampla como estratégia preventiva.

Por outro lado, operar sem necessidade também pode trazer problemas, como:

    • Redução da função ovariana
    • Menopausa precoce
    • Aderências
    • Complicações cirúrgicas

Por isso, o mais importante é que a decisão seja individualizada e feita após avaliação cuidadosa com especialista experiente em endometriose e reprodução assistida.

Sim. Essa é uma das observações mais interessantes da medicina reprodutiva moderna.

Quando utilizamos óvulos de uma doadora jovem, praticamente eliminamos o fator “qualidade do óvulo” da equação. Mesmo assim, diversos estudos mostraram que mulheres com endometriose podem apresentar taxas de implantação e gravidez inferiores às observadas em receptoras sem a doença.

Isso sugere que, pelo menos em parte das pacientes, o problema não está apenas no embrião, mas também no ambiente onde ele será implantado. Alterações inflamatórias, imunológicas e moleculares do endométrio parecem desempenhar um papel importante nesse processo.

Em outras palavras, quando embriões de excelente qualidade são transferidos para mulheres com endometriose, diferenças nos resultados continuam sendo observadas, reforçando a ideia de que a doença pode afetar a receptividade uterina.

Essa é uma pergunta que intrigou pesquisadores durante muitos anos.

Hoje sabemos que a endometriose não é apenas uma doença localizada. Ela provoca uma resposta inflamatória que pode atingir toda a pelve e até influenciar mecanismos biológicos em outras partes do organismo.

As lesões produzem substâncias inflamatórias, fatores de crescimento e moléculas capazes de modificar o funcionamento do endométrio. Como consequência, podem ocorrer alterações na chamada “janela de implantação”, período em que o útero está preparado para receber o embrião.

Por isso, mesmo quando a doença parece restrita ao ovário, seus efeitos podem ser muito mais amplos, atingindo também o ambiente uterino necessário para o início da gravidez.

Sim.

Durante muitos anos acreditou-se que, uma vez estabelecida a gravidez, a endometriose deixaria de ter importância. Atualmente sabemos que isso não é totalmente verdade.

Diversos estudos mostram que mulheres com endometriose apresentam maior risco de algumas complicações obstétricas, como aborto espontâneo, placenta prévia, parto prematuro e alterações relacionadas à formação da placenta.

Acredita-se que isso aconteça porque os mesmos mecanismos inflamatórios e imunológicos envolvidos na implantação também participam da formação da placenta e do desenvolvimento inicial da gestação.

Felizmente, a maioria absoluta das mulheres com endometriose terá uma gravidez normal e um bebê saudável. Entretanto, esses achados ajudam a explicar por que a doença deve ser encarada não apenas como um problema de fertilidade, mas também como uma condição que pode influenciar diferentes etapas da gestação.

Referência bibliográfica.

  1. ACOG Committee Opinion No. 774. Opportunistic salpingectomy as a strategy for epithelial ovarian cancer prevention. Obstet Gynecol. 2019;133(4):e279–e284.
  2. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Opportunistic Salpingectomy as a Strategy for Epithelial Ovarian Cancer Prevention. ACOG Committee Opinion No. 774. 2019.
  3. Anglesio MS, Papadopoulos N, Ayhan A, et al. Cancer-associated mutations in endometriosis without cancer. N Engl J Med. 2017;376(19):1835-1848.
  4. Barnard ME, Farland LV, Yan B, et al. Endometriosis typology and ovarian cancer risk. JAMA. 2024;332(6):482-489. doi:10.1001/jama.2024.9210.
  5. Bednarska S, Siejka A. The pathogenesis and treatment of endometriosis-associated ovarian cancer. Int J Mol Sci. 2024;25(8):4306.
  6. Boucher A, et al. Implantation failure in endometriosis patients: etiopathogenesis. J Clin Med. 2022.
  7. Callahan MJ, Crum CP, Medeiros F, et al. Primary fallopian tube malignancies in BRCA-positive women undergoing surgery for ovarian cancer risk reduction. J Clin Oncol. 2007;25(25):3985–3990.
  8. Crum CP, Drapkin R, Kindelberger D, et al. Lessons from BRCA: the tubal fimbria emerges as an origin for pelvic serous cancer. Clin Med Res. 2007;5(1):35–44.
  9. Elizur SE, et al. Endometriosis and infertility: pathophysiology, treatment and fertility preservation. J Clin Med. 2025.
  10. ESHRE Congress. Kvasoff M et. al. Endometriosis and ovarian cancer: a quantitative synthesis across regions and histologic subtypes. Apresentação oral, Congresso da ESHRE 2025, Paris, França.
  11. ESHRE Endometriosis Guideline Development Group. Endometriosis guideline. European Society of Human Reproduction and Embryology; 2022.
  12. Falconer H, Yin L, Grönberg H, et al. Ovarian cancer risk after salpingectomy: a nationwide population-based study. J Natl Cancer Inst. 2015;107(2):dju410.
  13. Hamdan M, et al. The impact of endometrioma on IVF/ICSI outcomes: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod Update. 2015.
  14. Hanley GE, McAlpine JN, Pearce CL, et al. The performance and safety of opportunistic salpingectomy for ovarian cancer prevention. JAMA Netw Open. 2022;5(2):e2147340.
  15. Kindelberger DW, Lee Y, Miron A, et al. Intraepithelial carcinoma of the fimbria and pelvic serous carcinoma: evidence for a causal relationship. Am J Surg Pathol. 2007;31(2):161–169.
  16. Kobayashi H, Sumimoto K, Kitanaka T, et. al. Ovarian endometrioma—risks factors of ovarian cancer development. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2008.
  17. Kurman RJ, Shih IM. Molecular pathogenesis and extraovarian origin of epithelial ovarian cancer. Semin Oncol. 2011;38(2):181–193.
  18. Kurman RJ, Shih IM. The origin and pathogenesis of epithelial ovarian cancer: a proposed unifying theory. Am J Surg Pathol. 2010;34(3):433–443.
  19. Kvaskoff M, Mahamat-Saleh Y, Farland LV, Shigesi N, Terry KL, Harris HR, et al. Endometriosis and cancer: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod Update. 2021;27(2):393-420.
  20. Llarena NC, et al. The impact of endometriosis on embryo morphokinetics. Reprod Biomed Online. 2022.
  21. Madsen C, Baandrup L, Dehlendorff C, et al. Tubal ligation and salpingectomy and the risk of epithelial ovarian cancer. Acta Obstet Gynecol Scand. 2015;94(1):86–94.
  22. Mappa I, et al. The effect of endometriosis on in vitro fertilization outcomes. J Clin Med. 2024.
  23. Melin A, Sparén P, Persson I, Bergqvist A. Endometriosis and the risk of cancer. Hum Reprod Update. 2007.
  24. Nezhat F, Apostol R, Mahmoud M, Nezhat C. New insights in the pathophysiology of ovarian cancer and implications for screening and prevention. Am J Obstet Gynecol. 2014;210(3):262-267.
  25. Ozkan HD, et al. The effect of ovarian endometriosis on pregnancy outcomes. J Clin Med. 2025.
  26. Pearce CL, Templeman C, Rossing MA, et al. Association between endometriosis and risk of histological subtypes of ovarian cancer: a pooled analysis. Lancet Oncol. 2012;13(4):385-394.
  27. Pearce CL, Templeman C, Rossing MA, et. al. Association between endometriosis and risk of histological subtypes of ovarian cancer: a pooled analysis of case-control studies. Lancet Oncol. 2012;13(4):385–394.
  28. Piek JM, van Diest PJ, Zweemer RP, et al. Dysplastic changes in prophylactically removed Fallopian tubes of women predisposed to developing ovarian cancer. J Pathol. 2001;195(4):451–456.
  29. Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Role of tubal surgery in the era of assisted reproductive technology: a committee opinion. Fertil Steril. 2021.
  30. Sampson JA. Endometrial carcinoma of the ovary, arising in endometrial tissue in that organ. Arch Surg. 1927.
  31. Shafrir AL, Farland LV, Shah DK, et al. Risk for and consequences of endometriosis: a critical epidemiologic review. Obstet Gynecol. 2018;131(2):351-360.
  32. Somigliana E, et al. Endometriosis and IVF treatment outcomes. Reprod Biol Endocrinol. 2023.
  33. Vercellini P, Somigliana E, Vigano P, et al. Endometriosis and ovarian cancer. Lancet Oncol. 2012;13(4):e158-e166.
  34. Vercellini P, Vigano P, Somigliana E, Fedele L. Endometriosis: pathogenesis and treatment. Nat Rev Endocrinol. 2014.
  35. Zondervan KT, Becker CM, Missmer SA. Endometriosis. Nat Rev Dis Primers. 2020;6(1):9.

Compartilhe:
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on linkedin

Tem alguma dúvida sobre esse assunto?

Envie a sua pergunta sobre assunto que eu responderei o mais breve possível!

Para mais informações entre em contato com o IPGO

Fale conosco por WhatsApp, e-mail ou telefone

Posts Recentes:
Newsletter
Inscreva-se na nossa newsletter e fique por dentro de tudo!