O que é a HyCoSy?
O HyCoSy, abreviação de Hysterosalpingo-Contrast Sonography, é um exame de ultrassonografia ginecológica que permite avaliar, em tempo real e sem exposição à radiação, se as trompas de Falópio (tubas uterinas) estão abertas e funcionais. O nome descreve exatamente o que o exame faz: utiliza ultrassonografia (sonography) com contraste (contrast) para visualizar o útero (hystero) e as trompas (salpingo).
Entendendo o nome: HyCoSy letra a letra
O nome HyCoSy é uma abreviação do termo científico completo Hysterosalpingo-Contrast Sonography. Cada parte descreve exatamente o que o exame realiza:
- Hy → Hystero = útero (do grego hystera) — o exame começa avaliando a cavidade uterina
- → Salpingo = trompa de Falópio (do grego salpinx) — o principal alvo da avaliação
- Co → Contrast = contraste — substância injetada para tornar o trajeto visível ao ultrassom
- Sy → Sonography = ultrassonografia — a tecnologia de imagem utilizada, sem nenhuma radiação
Em resumo: HyCoSy é um ultrassom com contraste que visualiza, em tempo real, o caminho das trompas de Falópio, sem radiação, sem contraste iodado e com excelente tolerância.
Para Que Serve e Quem Deve Fazer
A importância das trompas para a gravidez
As trompas de Falópio são dois tubos finos que ligam os ovários ao útero. Para que uma gravidez natural ocorra, elas precisam estar abertas (pérvias) e funcionais, pois são responsáveis por:
Índice
Toggle- Captar o óvulo liberado pelo ovário durante a ovulação
- Transportar os espermatozoides em direção ao óvulo
- Permitir o encontro entre óvulo e espermatozoide (fertilização)
- Conduzir o embrião recém-formado até o interior do útero
Quem se beneficia do exame HyCoSy?
Situação Clínica | Motivo da Indicação |
Casais com dificuldade para engravidar há mais de 12 meses (ou 6 meses após os 35 anos) | Rastrear obstrução tubária como causa da infertilidade |
Mulheres com histórico de doença inflamatória pélvica (DIP) ou infecções como clamídia | Infecções podem causar aderências e obstruções nas trompas |
Antecedente de cirurgia abdominal ou pélvica | Cirurgias podem gerar aderências que bloqueiam as trompas |
Histórico de gravidez ectópica (fora do útero) | Verifica se a trompa contralateral está pérvia |
Investigação pré-tratamento de reprodução assistida | Orientar a melhor estratégia: inseminação, FIV, etc. |
Suspeita de hidrossalpinge (trompa dilatada por líquido) | Confirmar e planejar o tratamento antes da FIV |
Avaliação de causas de abortamentos de repetição | Descartar fator uterino ou tubário associado |
Como o Exame é Realizado: Passo a Passo
O HyCoSy é um procedimento ambulatorial, realizado em consultório ou clínica especializada, sem
Quando o exame é feito?
Período ideal do ciclo menstrual
O exame é realizado preferencialmente entre o 5º e o 12º dia do ciclo menstrual, após o término da menstruação e antes da ovulação. Esse período garante que a cavidade uterina esteja livre de sangue, facilitando a visualização.
Etapas do procedimento
- A paciente é posicionada da mesma forma que em um exame ginecológico comum.
- Um espéculo vaginal (instrumento que abre levemente a vagina) é introduzido para visualizar o colo do útero.
- Realiza-se a limpeza (antissepsia) local com solução desinfetante.
- Um cateter fino e flexível é introduzido delicadamente pelo colo uterino até o interior do útero.
- O espéculo é retirado e a sonda de ultrassonografia transvaginal é posicionada.
- O contraste é injetado lentamente dentro da cavidade uterina, enquanto o médico acompanha, em tempo real na tela do ultrassom, o trajeto do líquido.
- Quando o contraste percorre as trompas e extravasa para a cavidade pélvica (ao redor dos ovários), confirma-se que as trompas estão abertas.
O que a paciente sente?
A maioria das mulheres relata uma sensação de cólica leve a moderada durante a injeção do contraste, semelhante a uma cólica menstrual. Essa sensação costuma ser mais tolerável do que na histerossalpingografia convencional. O médico pode recomendar a tomada de um analgésico comum (como ibuprofeno) 30 a 60 minutos antes do exame.
O Que o HyCoSy Avalia
Embora a função principal seja a avaliação da permeabilidade tubária, o HyCoSy, especialmente quando integrada à ultrassonografia transvaginal de alta resolução, permite uma avaliação ampla:
O que é avaliado | O que significa | Por que é importante |
Permeabilidade das trompas | Se o contraste passa livremente | Determina se a gravidez natural é possível |
Obstrução tubária | Bloqueio parcial ou total do trajeto | Pode exigir cirurgia ou FIV |
Hidrossalpinge | Trompa dilatada com acúmulo de líquido | Impacta negativamente as taxas de FIV |
Cavidade uterina | Formato e paredes internas do útero | Detecta pólipos, miomas, septos |
Extravasamento pélvico | Contraste ao redor dos ovários | Confirma que as trompas estão abertas |
Espasmo tubário | Contração temporária da trompa | Pode simular obstrução; é reversível |
O Contraste com Microbolhas: Como Funciona
Em algumas modalidades do HyCoSy, utiliza-se um contraste ecográfico à base de microbolhas. Essas microbolhas são minúsculas esferas de gás (geralmente hexafluoreto de enxofre, SonoVue®) envoltas por uma película de fosfolipídeos.
Por que as microbolhas funcionam tão bem no ultrassom?
As microbolhas refletem as ondas sonoras do ultrassom de forma muito mais intensa do que o sangue ou os tecidos normais. Isso cria um contraste visual nítido, tornando o trajeto do líquido pelas trompas altamente visível na tela.
Outras modalidades de contraste
Além das microbolhas, podem ser utilizadas soluções salinas (soro fisiológico), espuma estabilizada (HyFoSy — Hysterosalpingo-Foam Sonography) ou misturas ar-água. Revisões sistemáticas publicadas até 2024 indicam que a HyFoSy com espuma pode apresentar vantagens de sensibilidade e especificidade em alguns cenários clínicos.
HyCoSy versus Histerossalpingografia (HSG): Comparação Detalhada
Durante décadas, a histerossalpingografia (HSG) foi o exame padrão para avaliar as trompas. Ela é realizada com raios X e contraste iodado injetado no útero. Veja como os dois exames se comparam:
Característica | HyCoSy | Histerossalpingografia (HSG) |
Método de imagem | Ultrassonografia (ultrassom) | Raios X (fluoroscopia) |
Exposição à radiação | Não, sem radiação ionizante | Sim, radiação ionizante |
Tipo de contraste | Microbolhas, espuma ou soro fisiológico | Contraste iodado (risco de alergia) |
Risco de reação alérgica | Muito baixo | Baixo a moderado (ao iodo) |
Avaliação em tempo real | Sim, dinâmica e imediata | Limitada, imagens estáticas |
Local de realização | Consultório ou clínica de ultrassom | Serviço de radiologia/hospital |
Desconforto / dor | Geralmente menor | Variável, frequentemente maior |
Avaliação uterina associada | Excelente (integrada ao ultrassom) | Limitada |
Avaliação dos ovários | Sim, simultânea | Não |
Exposição do médico à radiação | Nenhuma | Sim |
Custo relativo | Semelhante ou menor | Semelhante |
O que dizem as diretrizes europeias (ESHRE 2023)?
As recomendações europeias para infertilidade sem causa aparente, revisadas em 2023, estabelecem que o HyCoSy e a HSG são testes igualmente válidos para avaliação da permeabilidade tubária em comparação com a laparoscopia com cromotubação (considerada o padrão-ouro cirúrgico). A escolha entre os dois métodos deve considerar disponibilidade, experiência do examinador e preferência da paciente.
O Efeito Terapêutico: O Flushing Tubário
Um dos aspectos mais fascinantes do HyCoSy é a possibilidade de um efeito terapêutico associado ao exame diagnóstico, um fenômeno conhecido como flushing tubário (lavagem das trompas).
O que é o flushing tubário?
A hipótese é que a passagem do contraste pelas trompas pode:
- Remover pequenos tampões de muco que obstruem discretamente as trompas
- Vencer espasmos tubários transitórios e funcionais
- Eliminar resíduos celulares ou detritos que dificultam o transporte do óvulo
- Estimular a atividade ciliar da mucosa tubária
O que as pesquisas mais recentes mostram?
Evidência científica sobre o flushing tubário
Um estudo prospectivo com 984 pacientes submetidas à 4D-HyCoSy identificou uma taxa de gravidez espontânea de 19,44% nos seis meses seguintes ao exame, sendo maior no primeiro mês após o procedimento. A taxa foi mais elevada em mulheres com trompas bilateralmente pérvias (32,01%). Uma revisão Cochrane recente conclui que o flushing com espuma (HyFoSy) pode aumentar as chances de gravidez e nascidos vivos em comparação com nenhuma intervenção. Os dados com outros meios de contraste ainda são inconclusivos.
Atenção: O flushing tubário não é um tratamento definitivo para infertilidade. Ele representa um possível benefício adicional do exame diagnóstico, e não uma garantia de gravidez.
Limitações do HyCoSy
Limitação | Explicação |
Dependência da experiência do examinador | A qualidade diagnóstica depende muito do treinamento e da habilidade do médico que realiza o exame |
Espasmo tubário | A contração involuntária da trompa durante o exame pode simular uma obstrução que não existe de fato |
Obesidade importante | A gordura abdominal pode dificultar a visualização adequada das estruturas pélvicas |
Aderências pélvicas extensas | Cicatrizes internas podem tornar a avaliação mais difícil e menos precisa |
Obstruções distais complexas | Bloqueios na extremidade mais distal da trompa podem ser mais difíceis de caracterizar |
Exame operador-dependente | A qualidade do equipamento e a técnica utilizada influenciam diretamente o resultado |
Não avalia anatomia tubária interna | O exame mostra se o contraste passa, mas não visualiza o interior da trompa em detalhes |
Quando outros exames podem ser necessários?
Em alguns casos, o HyCoSy pode precisar ser complementada ou substituída por: histeroscopia (para avaliação direta da cavidade uterina), laparoscopia com cromotubação (padrão-ouro para avaliação tubária definitiva), ressonância magnética pélvica (para estudo de malformações uterinas complexas ou endometriose profunda) ou histerossalpingografia convencional
O Que é o FertScan?
O FertScan é um protocolo moderno de avaliação ultrassonográfica da fertilidade feminina que reúne, em uma única consulta, uma análise abrangente dos principais fatores reprodutivos da mulher. Em vez de realizar exames separados em diferentes datas, o FertScan concentra informações fundamentais em um único momento, com conforto e sem exposição à radiação.
A grande diferença do FertScan
Enquanto o HyCoSy foca especificamente nas trompas, o FertScan amplia o olhar para todos os componentes da saúde reprodutiva feminina: útero, endométrio, adenomiose, ovários, reserva ovariana e endometriose. Quando associados, formam uma investigação completa da fertilidade em uma única visita.
O Que é Avaliado no FertScan
Trompas de Falópio (por meio do HyCoSy)
A avaliação tubária no contexto do FertScan é realizada através da HyCoSy. Essa etapa verifica se as trompas estão pérvias ou se há suspeita de obstrução, hidrossalpinge ou outras alterações.
Útero e Endométrio
O ultrassom de alta resolução permite uma avaliação detalhada do útero e de seu revestimento interno — o endométrio. Podem ser identificados:
- Pólipos endometriais — pequenas protuberâncias que podem dificultar a implantação do embrião
- Miomas submucosos — nódulos benignos que crescem em direção à cavidade uterina
- Sinéquias uterinas — aderências internas que reduzem o espaço da cavidade
- Malformações uterinas — como útero arqueado, bicorno ou septado
- Alterações da espessura e do aspecto do endométrio
Essas informações são fundamentais porque alterações da cavidade uterina podem comprometer diretamente a implantação do embrião e as chances de gravidez.
Adenomiose
O que é adenomiose?
Adenomiose é uma condição em que tecido semelhante ao endométrio (revestimento interno do útero) infiltra o músculo uterino (miométrio). Pode causar cólicas intensas, sangramento aumentado e está associada à infertilidade, falhas de implantação embrionária e abortamentos de repetição.
O FertScan avalia o miométrio e a zona juncional — a região de transição entre o endométrio e o músculo uterino. Os principais achados que podem sugerir adenomiose incluem:
- Útero aumentado ou assimétrico
- Miométrio com textura heterogênea
- Espessamento ou irregularidade da zona juncional
- Presença de cistos dentro do miométrio
- Estriações ou sombras no músculo uterino
- Alterações na interface entre endométrio e miométrio
A avaliação precisa da adenomiose é especialmente importante antes de procedimentos de reprodução assistida, pois a condição pode reduzir a receptividade uterina.
Ovários e Contagem dos Folículos Antrais (CFA)
O que são os folículos antrais?
São pequenos folículos — estruturas ovarianas que contêm óvulos em desenvolvimento — visíveis ao ultrassom, com tamanho entre 2 e 10 mm. Sua contagem no início do ciclo menstrual (CFA) é um dos melhores marcadores disponíveis para estimar a reserva ovariana, ou seja, a quantidade de óvulos ainda disponíveis na mulher.
A reserva ovariana diminui naturalmente com o tempo, e a contagem dos folículos antrais permite:
- Estimar a quantidade de óvulos remanescentes
- Prever a resposta dos ovários à estimulação medicamentosa
- Orientar o planejamento do tipo e da dose do tratamento de reprodução assistida
- Identificar mulheres com baixa reserva ovariana, que podem precisar agir com mais urgência
Número Total de Folículos Antrais (CFA) | Interpretação Geral |
Menos de 5 a 7 folículos | Reserva ovariana baixa — resposta reduzida à estimulação |
7 a 15 folículos | Reserva ovariana normal baixa a adequada |
16 a 30 folículos | Reserva ovariana adequada — boa resposta esperada |
Mais de 30 folículos | Reserva ovariana elevada — possível síndrome dos ovários policísticos (SOP) |
Nota: Esses valores são orientações gerais. A interpretação sempre deve ser feita pelo médico, considerando a idade, histórico clínico e outros exames hormonais como o AMH (hormônio antimülleriano).
Além da CFA, o FertScan também avalia:
- Volume ovariano
- Presença de cistos ovarianos benignos
- Endometriomas (cistos de endometriose nos ovários)
- Aspecto policístico dos ovários
- Mobilidade dos ovários (pode sugerir aderências)
Endometriose
A pesquisa de sinais de endometriose é outra parte essencial do FertScan quando realizado por profissional especializado em ultrassonografia ginecológica avançada.
O que é endometriose?
Endometriose é uma doença crônica em que tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero — nos ovários, trompas, ligamentos uterinos, intestino, bexiga e outras estruturas pélvicas. Afeta aproximadamente 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva e pode comprometer significativamente a fertilidade.
No FertScan, o especialista pesquisa:
- Endometriomas ovarianos — cistos ovarianos característicos da endometriose
- Sinais de endometriose profunda — lesões em intestino, bexiga, ligamentos uterossacros
- Aderências pélvicas — cicatrizes que podem prender os ovários e as trompas
- Redução da mobilidade dos ovários
- Alterações da mobilidade uterina
- Sinais indiretos de comprometimento tubário
FertScan + HyCoSy: Uma Investigação Completa
A associação entre FertScan e HyCoSy representa atualmente um dos mais completos protocolos de investigação da fertilidade feminina disponíveis em uma única consulta, sem exposição à radiação.
Área Avaliada | O Que É Pesquisado | Impacto Reprodutivo |
Trompas (HyCoSy) | Permeabilidade, obstrução, hidrossalpinge | Define se gestação natural é possível |
Cavidade uterina | Pólipos, miomas, sinéquias, malformações | Interfere na implantação embrionária |
Endométrio | Espessura, aspecto, vascularização | Avalia receptividade uterina |
Miométrio/Adenomiose | Zona juncional, cistos, heterogeneidade | Afeta implantação e evolução da gestação |
Ovários | Volume, cistos, endometriomas, mobilidade | Avalia saúde e reserva ovariana |
Folículos antrais (CFA) | Número de folículos por ovário | Estima reserva ovariana e resposta à FIV |
Endometriose | Lesões, aderências, mobilidade pélvica | Impacta anatomia e qualidade ovariana |
Mobilidade pélvica | Slide test, aderências suspeitas | Orienta necessidade de laparoscopia |
Por que isso importa?
Ao reunir todas essas informações em uma única visita, o médico pode traçar um plano reprodutivo verdadeiramente individualizado, evitando exames desnecessários, reduzindo o tempo até o diagnóstico e definindo com mais precisão o melhor tratamento — seja expectante, cirúrgico, inseminação intrauterina ou fertilização in vitro.
Evidências Científicas Recentes
A seguir, um resumo das principais pesquisas científicas que embasam a utilização da HyCoSy e do FertScan na prática clínica atual:
Estudo / Fonte | Principais Conclusões |
Revisão sistemática e meta-análise (PubMed, 2013–2023) | A HyCoSy apresenta sensibilidade de 89% e especificidade de 93% para avaliar a permeabilidade tubária |
Qu et al., Journal of Ultrasound Medicine, 2023 (24 estudos, 1.358 pacientes) | A HyCoSy com microbolhas de SonoVue® alcançou sensibilidade de 93% e especificidade de 90%; área sob a curva ROC de 0,96 |
Diretrizes ESHRE 2023 (Europa) | HyCoSy e HSG são consideradas igualmente válidas para avaliação tubária; ambas comparáveis à laparoscopia como referência |
Estudo prospectivo (776 pacientes, 4D-HyCoSy) | Taxa de gravidez espontânea de 19,44% nos 6 meses após o exame; maior no primeiro mês e em casos de trompas bilateralmente pérvias |
Bisogni et al., Case Reports in Obstetrics and Gynecology, 2024 | Relato de gravidez espontânea no mesmo ciclo da 4D-HyCoSy, com revisão da literatura sobre o efeito flushing |
Revisão sistemática HyFoSy (20 estudos, 2012–2023) | A HyFoSy (espuma) apresentou concordância de 94% com a laparoscopia; resultados equivalentes à HSG para permeabilidade tubária |
Xydias et al., Medical Sciences, 2025 (meta-análise) | HyFoSy teve sensibilidade 87% vs 69% da HyCoSy; especificidade 95% vs 85%, com melhor tolerância à dor |
Estudo 3D transvaginal + AMH (Scientific Reports, 2024) | Adenomiose e endometriose ovariana reduzem significativamente a CFA, o volume ovariano e os níveis de AMH em comparação a mulheres saudáveis |
Aviso importante
Este material tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico clínico nem a prescrição de exames por profissional habilitado. Toda decisão sobre sua saúde reprodutiva deve ser tomada junto ao seu médico.
Perguntas e respostas sobre HYCOSY
O HyCoSy — Hysterosalpingo-Contrast Sonography — é um exame de ultrassonografia com contraste utilizado para avaliar se as trompas de Falópio estão abertas (pérvias). Durante o procedimento, um contraste líquido ou com microbolhas é injetado dentro do útero e o médico acompanha, em tempo real, se esse contraste percorre as trompas e extravasa para a cavidade pélvica. É indicado principalmente para mulheres com dificuldade para engravidar, sendo um passo fundamental na investigação da infertilidade feminina.
A maioria das mulheres relata uma sensação de cólica leve a moderada durante a injeção do contraste, semelhante a uma cólica menstrual intensa. Essa sensação geralmente dura poucos minutos e é considerada tolerável pela maioria. A HyCoSy costuma ser melhor tolerada do que a histerossalpingografia convencional (HSG), conforme demonstrado em estudos comparativos. O médico pode recomendar a tomada de um anti-inflamatório (como ibuprofeno) cerca de 30 a 60 minutos antes do exame para reduzir o desconforto.
HyCoSy é a abreviação de Hysterosalpingo-Contrast Sonography, termo em inglês adotado internacionalmente pela comunidade médica. Cada parte do nome descreve um componente do exame: ‘Hystero’ vem do grego hystera e significa útero; ‘Salpingo’ vem de salpinx e significa trompa; ‘Contrast’ refere-se ao meio de contraste utilizado para tornar o trajeto visível; e ‘Sonography’ significa ultrassonografia. Portanto, HyCoSy descreve com precisão o que o exame faz: uma ultrassonografia com contraste que avalia o útero e as trompas de Falópio. É o nome oficial e universalmente reconhecido nas publicações científicas internacionais.
Não. A HyCoSy não utiliza nenhum tipo de radiação ionizante (raios X). Esse é um de seus grandes diferenciais em relação à histerossalpingografia convencional, que é realizada com raios X. Além disso, a HyCoSy não utiliza contraste iodado, o que elimina o risco de reações alérgicas ao iodo. O exame é considerado seguro, ambulatorial e bem tolerado pela grande maioria das pacientes. Eventuais riscos — como infecção pélvica — são raros e podem ser minimizados com a técnica adequada e antissepsia correta.
O exame é realizado preferencialmente entre o 5º e o 12º dia do ciclo menstrual, após o término da menstruação e antes do período ovulatório. Esse intervalo é escolhido por duas razões: a cavidade uterina está livre de sangue (o que facilita a visualização), e ainda não ocorreu a ovulação (o que evita qualquer interferência sobre um possível processo de fertilização). Importante: a paciente não deve ter relações sexuais sem proteção na mesma semana do exame, para evitar esse risco.
O HyCoSy é eficaz para identificar a maioria das obstruções tubárias, com sensibilidade de 89% a 93% e especificidade de 90% a 93%, conforme revisões sistemáticas publicadas. No entanto, algumas situações podem dificultar o diagnóstico: espasmo tubário transitório (pode simular uma obstrução que não existe), aderências pélvicas extensas, obstruções distais complexas e limitações técnicas do equipamento ou da experiência do examinador. Em casos de dúvida, outros exames — como a laparoscopia com cromotubação — podem ser necessários para confirmar o diagnóstico.
O flushing tubário é um efeito terapêutico potencial observado em alguns casos após a HyCoSy ou exames similares. A hipótese é que a passagem do contraste pelas trompas pode remover pequenos tampões de muco ou resíduos celulares, vencer espasmos tubários transitórios e estimular a atividade normal da mucosa tubária — facilitando, assim, a passagem dos espermatozoides e do embrião. Estudos observacionais registraram taxas de gravidez espontânea de cerca de 19% a 32% nos seis meses após a HyCoSy em mulheres com trompas pérvias. No entanto, o efeito ainda é considerado auxiliar e não substitui tratamentos específicos para infertilidade.
O FertScan é um protocolo integrado de avaliação ultrassonográfica da fertilidade feminina. Enquanto a HyCoSy tem como foco específico a avaliação da permeabilidade tubária, o FertScan amplia essa investigação para todas as estruturas relevantes à fertilidade: útero, endométrio, miométrio (com pesquisa de adenomiose), ovários, contagem dos folículos antrais (reserva ovariana) e sinais de endometriose. Quando realizados juntos, permitem uma avaliação completa da fertilidade em uma única visita, sem radiação.
Os folículos antrais são pequenos folículos ovarianos — visíveis ao ultrassom, com diâmetro de 2 a 10 mm — que representam os óvulos em reserva disponíveis na mulher. Sua contagem (CFA) é um dos melhores marcadores para estimar a reserva ovariana. Em linhas gerais: menos de 5 a 7 folículos indica reserva baixa; 7 a 15 é considerado adequado; acima de 30 pode sugerir síndrome dos ovários policísticos. A CFA orienta diretamente o tipo de tratamento e a dose de medicação para estimulação ovariana nos procedimentos de reprodução assistida.
Adenomiose é uma condição em que tecido semelhante ao revestimento interno do útero (endométrio) infiltra o músculo uterino (miométrio). Isso provoca inflamação crônica, alterações da contratilidade uterina e modificações na receptividade do endométrio. As consequências reprodutivas podem incluir dificuldade para engravidar, falhas de implantação embrionária (inclusive em procedimentos de fertilização in vitro) e abortamentos de repetição. O FertScan permite identificar sinais sugestivos de adenomiose
O FertScan realizado por profissional especializado em ultrassonografia ginecológica avançada permite pesquisar sinais de endometriose ao avaliar: endometriomas ovarianos (cistos característicos da endometriose nos ovários), mobilidade uterina e ovariana (redução pode indicar aderências), sinais de endometriose profunda em intestino, bexiga e ligamentos uterinos, e aderências pélvicas. Embora a laparoscopia ainda seja o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo de endometriose, o ultrassom especializado permite diagnosticar ou suspeitar fortemente de lesões significativas, orientando a conduta clínica.
Ambas são variantes da HyCoSy que utilizam tipos diferentes de contraste. A HyCoSy com microbolhas utiliza um agente ecográfico comercial (como o SonoVue®), composto por microbolhas de hexafluoreto de enxofre que refletem fortemente as ondas do ultrassom. A HyFoSy (Hysterosalpingo-Foam Sonography) utiliza uma espuma estabilizada que também é hiperecogênica ao ultrassom. Revisões sistemáticas publicadas em 2024–2025 indicam que a HyFoSy pode apresentar ligeira superioridade em sensibilidade e especificidade, além de ser potencialmente mais acessível. A escolha entre as modalidades depende da disponibilidade local, do custo e da preferência do serviço.
Não completamente. A laparoscopia com cromotubação (injeção de corante colorido pelas trompas sob visão direta) é considerada o padrão-ouro para avaliação tubária. No entanto, por ser um procedimento cirúrgico com anestesia geral e maiores riscos, a laparoscopia não é indicada de rotina como primeiro exame. A HyCoSy é o exame de primeira linha recomendado pelas diretrizes europeias (ESHRE 2023) para triagem da permeabilidade tubária, com excelente precisão diagnóstica e muito menor risco. A laparoscopia fica reservada para casos em que a HyCoSy é inconclusiva ou quando há suspeita de lesões que exigem avaliação e tratamento cirúrgico simultâneo.
A associação fornece um mapa completo da fertilidade feminina em uma única visita. Com base nos resultados, o médico pode definir: se a tentativa natural de gravidez ainda é razoável (trompas pérvias, útero e ovários normais); se é necessária cirurgia prévia (pólipo, mioma, endometrioma, adenomiose grave); se a inseminação intrauterina é uma opção (pelo menos uma trompa pérvia, reserva ovariana adequada); ou se a fertilização in vitro (FIV) é a melhor escolha (trompas obstruídas, reserva ovariana diminuída, endometriose avançada). Isso evita tratamentos desnecessários e otimiza o tempo e os recursos investidos.
Não é necessária preparação complexa. As recomendações habituais incluem: realizar o exame entre o 5º e o 12º dia do ciclo; evitar relações sexuais sem proteção na semana do exame; tomar um analgésico (como ibuprofeno 400–600 mg) 30 a 60 minutos antes, conforme orientação médica; informar ao médico se tiver alergia a látex, ao contraste ou antecedente de infecções pélvicas recentes; e comparecer com exames recentes de colpocitologia e, eventualmente, swab cervical negativos para infecções ativas. Não é necessário jejum.
Essa é uma situação especial que deve ser discutida individualmente com o médico. Em mulheres sem vida sexual ativa, a introdução do cateter pelo colo uterino pode ser tecnicamente mais difícil ou desconfortável. Eventualmente, outros métodos de avaliação tubária podem ser considerados, como a ultrassonografia abdominal em conjunto com outros recursos, ou a avaliação é postergada para quando houver indicação clínica mais definida. A decisão é sempre individualizada.
A maior parte da avaliação do FertScan pode ser realizada em qualquer fase do ciclo, mas algumas avaliações têm momentos ideais. A contagem dos folículos antrais (CFA), por exemplo, é mais precisa e padronizada quando feita no início do ciclo (entre o 2º e o 5º dia). A avaliação do endométrio é mais informativa na fase proliferativa inicial ou pré-ovulatória. Como o FertScan é frequentemente associado à HyCoSy, o período entre o 5º e o 12º dia do ciclo acaba sendo o mais indicado para reunir todas as avaliações de forma otimizada.
O FertScan — especialmente a avaliação dos ovários e a contagem dos folículos antrais — é essencial antes da criopreservação de óvulos, pois fornece informações cruciais sobre a reserva ovariana e a resposta esperada à estimulação. A HyCoSy, por sua vez, não é obrigatória nesse contexto, mas pode ser realizada se houver suspeita de patologia tubária ou uterina. A CFA ajuda a definir o protocolo de estimulação ovariana e a dose de medicamentos adequados para cada mulher.
As principais contraindicações incluem: infecção pélvica ativa ou recente (doença inflamatória pélvica, vulvovaginite intensa não tratada, clamídia ativa); gravidez conhecida ou suspeita; sangramento uterino intenso no momento do exame; e, em algumas situações, estenose cervical grave que impeça a passagem do cateter. A infecção pélvica é a contraindicação mais importante, pois o procedimento pode disseminar a infecção para as trompas ou o peritônio. Por isso, é recomendável garantir que a paciente não tenha infecção ativa antes de realizar o exame.
Um resultado de obstrução tubária na HyCoSy deve ser interpretado com cuidado e sempre no contexto clínico. Primeiro, é importante descartar espasmo tubário (contração involuntária da trompa durante o exame), que pode simular uma obstrução e não tem significado patológico. Caso a obstrução seja confirmada em exame subsequente ou pela clínica, o médico avaliará: se a obstrução é unilateral (a outra trompa pode estar pérvia) ou bilateral; se existe causa identificável (infecção prévia, endometriose, cirurgia anterior); e qual o melhor tratamento — que pode variar de cirurgia (para repermeabilização) à fertilização in vitro, dependendo de cada caso.
Referências bibliográficas
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