O que mudou?
Quando falamos em SOMP, antiga SOP, muitas pessoas imaginam que todas as pacientes são iguais. Mas não são. A síndrome pode se apresentar de formas diferentes, e reconhecer esses fenótipos ajuda a individualizar o tratamento, principalmente em reprodução assistida.
A classificação mais usada deriva dos critérios de Rotterdam e organiza as pacientes de acordo com três grandes componentes: hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística. A combinação desses critérios forma quatro fenótipos principais.
Além desses quatro fenótipos, estudos mais recentes mostram que algumas pacientes apresentam uma forma predominantemente metabólica, marcada por maior peso, resistência à insulina, maior risco de diabetes, alterações de colesterol e pressão arterial. Outras apresentam um padrão mais reprodutivo ou hormonal, com maior destaque para ovulação irregular, hiperandrogenismo ou resposta ovariana aumentada.
Na prática clínica, isso significa que a SOMP não deve ser tratada como um diagnóstico único e igual para todas. Cada paciente precisa ser avaliada pelo seu padrão menstrual, grau de hiperandrogenismo, metabolismo, peso, resistência à insulina, reserva ovariana, ultrassom, AMH e objetivo reprodutivo.
Na fertilização in vitro, essa diferenciação é especialmente importante. A escolha da dose inicial de gonadotrofinas, o tipo de protocolo, o gatilho final da ovulação, a necessidade de congelamento de todos os embriões e o momento ideal para transferência devem ser personalizados. Em pacientes com muitos folículos, AMH elevado ou risco aumentado de hiperestimulação ovariana, a estratégia deve priorizar segurança, resposta controlada e prevenção de complicações.
Conhecer o fenótipo da SOMP não é apenas uma informação técnica. É uma forma de tratar melhor, com mais precisão, mais segurança e maiores chances de sucesso.