O diagnóstico é feito por meio do histórico da paciente, exame clínico e exames laboratoriais.
Mesmo com a mudança da nomenclatura de SOP para SOMP, a base do diagnóstico continua sendo clínica, hormonal e metabólica. A paciente deve ser avaliada pelo padrão menstrual, sinais de hiperandrogenismo, exames hormonais, ultrassonografia quando indicada e investigação de outras doenças que podem imitar o mesmo quadro.
A mudança de nome reforça que o diagnóstico não deve depender apenas do ultrassom. A presença de ovários com morfologia policística pode ajudar, mas não é obrigatória em todas as pacientes adultas. Quando a paciente apresenta irregularidade menstrual e hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, o diagnóstico pode ser feito sem a necessidade obrigatória do ultrassom para confirmação, desde que outras causas tenham sido excluídas.
Em alguns contextos, as diretrizes internacionais mais recentes também aceitam o AMH elevado como marcador substituto da morfologia ovariana policística em mulheres adultas. Esse uso deve ser interpretado com cautela, considerando idade, método laboratorial, contexto clínico e exclusão de outras doenças.
Índice
ToggleEm adolescentes, o diagnóstico deve ser mais cauteloso. Ovários multifoliculares podem ser normais nos primeiros anos após a menarca. Por isso, em adolescentes, a presença de irregularidade menstrual persistente associada ao hiperandrogenismo tem mais valor do que o aspecto ovariano no ultrassom. Ultrassom e AMH não devem ser usados isoladamente para fechar o diagnóstico nessa fase.
HISTÓRICO DA PACIENTE E EXAME FÍSICO
- Menstruação irregular: é uma das principais características, presente em 75% das mulheres com SOMP. As menstruações vêm esporadicamente podendo demorar até 90 dias entre uma e outra. Metade destas pacientes apresenta amenorreia (ausência de menstruações), que só aparecem quando as pacientes recebem medicamentos para menstruar.
- Obesidade: pelo menos metade dessas mulheres estão acima do peso, isto é, o Índice de Massa Corpórea (IMC) está acima dos 25 (lembrete: IMC = Peso/Altura ao quadrado). Esse é um fator fundamental para futuras complicações desta doença. Esse aumento de peso, em geral, é devido ao aumento da gordura abdominal. A circunferência abdominal superior a 88 cm está associada a um maior risco de problemas cardíacos (alguns já consideram valores acima de 80 cm).
- Infertilidade: devido às alterações hormonais, essas mulheres passam a ovular menos ou de maneira inadequada e por isso, podem ter dificuldade em engravidar. Das causas de infertilidade, o fator ovulatório ocupa um lugar de destaque e 75% destas causas ovulatórias são devido a esta síndrome. Além disso, essas mulheres têm um maior índice de abortamento.
- Hirsutismo: é o aparecimento de pelos em locais onde normalmente não deveriam existir na mulher (face, tórax, glúteos, ao redor dos mamilos, região inferior do abdômen e parte superior do dorso). Está presente em 65-75% das pacientes com SOMP.
- Acne: 30% das mulheres com SOMP têm este sinal que consiste num processo inflamatório da pele do rosto caracterizada por erupções superficiais causadas pela obstrução dos poros. A acne é relacionada a um aumento da secreção das glândulas sebáceas da pele, também decorrente do hiperandrogenismo (aumento de hormônios masculinos).
- Alopecia: é a queda em excesso de cabelos na região do couro cabeludo levando à rarefação de pelos, comum aos homens e raro nas mulheres. É relacionada a um meio hiperandrogênico, mas também depende de predisposição genética para seu surgimento. Assim, mulheres com tal predisposição e que têm uma hipersecreção androgênica podem apresentar este tipo de alopecia. Está presente em 10% das mulheres com SOMP.
- Seborreia: é a oleosidade da pele e couro cabeludo.
- Acantosis nigricans: é o aumento da pigmentação da pele (manchas escuras) em áreas de dobras, como pescoço e axilas.
EXAMES COMPLEMENTARES
- Ultrassom: o ideal é ser realizado pela via transvaginal, mas, muitas vezes, é impossível de ser realizado (em mulheres virgens). Neste exame, observa-se o volume ovariano (>10cm3), a textura do ovário e a presença de pequenos cistos. Se houver a presença de 12 ou mais folículos em cada ovário, medindo 2 a 9 mm no seu maior diâmetro, caracteriza-se um dos sinais desta síndrome.
Resistência à insulina: a insulina é um hormônio responsável por facilitar a entrada da glicose na célula. Em algumas doenças, como a SOMP, existe um defeito na sua ação, o que leva a um acúmulo de glicose no sangue. Como consequência pode surgir a o diabetes e um aumento da concentração deste hormônio no sangue. Os exames para investigar a resistência à insulina são muito importantes, tanto para o diagnóstico quanto para avaliar as possíveis complicações futuras que serão descritas mais adiante. Existem algumas dificuldades nesta avaliação, pois, até hoje, não há um exame específico para o diagnóstico definitivo. Atualmente, a melhor opção é a dosagem da glicemia e a insulina em jejum, com posterior cálculo de HOMA-IR.
AVALIAÇÃO HORMONAL
- FSH e LH: em pacientes com SOMP, costuma haver aumento de LH em relação ao FSH (3:1), embora não esteja sempre presente;
- Androgênios: testosterona, testosterona livre, SHBG e SDHEA, androstenediona, frequentemente aumentados em SOMP, auxiliando no diagnóstico.
- Além disso, alguns exames laboratoriais são necessários para descartar outras causas de hirsutismo e irregularidade menstrual:
- Hidroxiprogesterona (17 OHP) – para descartar a hiperplasia congênita da glândula suprarrenal que pode causar um quadro clínico semelhante à SOMP;
- T3, T4, T4 livre e TSH – são hormônios ligados à tireoide e sua alteração pode causar irregularidade menstrual, se confundindo com SOMP;
- Prolactina – hormônio que está aumentado normalmente em mulheres que estão amamentando, mas, fora desta condição, causa alterações menstruais;
- Cortisol – hormônio que, quando aumentado, pode também pode causar quadro de hirsutismo.
AVALIAÇÃO METABÓLICA
- Perfil lipídico (colesterol, triglicérides);
- Curva glicêmica (TTGO) com insulina: dosagem de insulina e glicemia de jejum e nova glicemia após 2 horas da ingestão de 75g de glicose;
- HOMA-IR/HOMA-B – são testes para avaliar a resistência à insulina.