2. Fatores de Risco para abortos

E xistem alguns fatores que aumentam o risco de aborto e devem ser levados em conta na investigação.

Entre eles:

Idade da mulher

para formação do óvulo, as células sofrem um processo de meiose, ou seja, passam de uma célula de 46 cromossomos para uma célula de 23 cromossomos (que receberão 23 cromossomos do espermatozoide para formar um embrião com 46 cromossomos). Como os óvulos não se renovam, quanto maior a idade da mulher, mais velho é o óvulo que está sofrendo a meiose, sendo mais sujeito a erros que levam à formação de óocitos aneuploides (com alterações cromossômicas). Como consequência, ao serem fertilizados, gerarão embriões aneuploides, que frequentemente evoluem para aborto. Portanto, em mulheres com idade avançada, é esperado que uma parcela de gestações acabe em aborto, sem outra causa associada (Quadro 1).

Quadro 1. Idade materna x risco de aborto

Pode-se observar que, até os 34 anos, há pouca variação no risco de aborto, aumentando progressivamente após essa idade, coincidindo com a queda natural da fertilidade da mulher.

Idade paterna

a idade paterna não tem uma influência tão importante como a materna na ocorrência de aborto, mas também pode aumentar o risco. Enquanto a idade materna maior que 35 anos já é um fator de risco isolado, independentemente da idade paterna, a idade paterna maior que 40 anos pode aumentar o risco em mulheres já acima dos 30 anos (em três vezes mais), e ainda mais se acima dos 35 (em mais de seis vezes), em comparação a casais em que os dois têm menos de 30 anos.

Antecedente de aborto

como abortos são frequentes, já ter tido um anteriormente muda muito pouco o risco de um novo. Mas a partir de dois, esse risco já se mostra aumentado, independentemente da idade. Estudos demonstraram que mulheres entre 20-29 anos, sem gravidezes prévias, tiveram 8% de risco de um aborto espontâneo. As com um aborto prévio, tiveram 12% de risco. Com dois abortos, o risco subiu para 22,7%, e com três abortos prévios, para 44,6%. Por isso, apesar de academicamente serem necessários três abortos para se definir o quadro como aborto de repetição, muitos serviços já iniciam a investigação a partir do segundo.

Fatores externos

alguns hábitos podem interferir na chance de aborto, como o álcool (mais de cinco doses por semana), cafeína (> 300 mg/dia, equivalente a três xícaras de café), cigarro (principalmente se mais de 20 cigarros/dia) e drogas. Em relação ao peso, mulheres obesas (IMC > 30) ou com baixo peso (IMC < 18,5) também apresentam risco aumentado. A mulher deve ser orientada a corrigir esses fatores antes da gestação, independentemente do antecedente de aborto. Suplementação de ácido fólico também deve ser sempre recomendada.

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