A inteligência artificial (IA) tem revolucionado a medicina, incluindo a reprodução assistida, ao oferecer métodos mais precisos para avaliar a qualidade de óvulos, espermatozoides e de embriões, fatores cruciais na fertilização in vitro (FIV). Com análises de imagens superiores às análises humanas e processamento de grandes volumes de dados, a IA possibilita melhor seleção de gametas e embriões, além de prever as chances de sucesso dos tratamentos. Embora ainda em estágio experimental, seu uso tem sido amplamente discutido em congressos da área.
Com os avanços contínuos, a IA promete auxiliar os tratamentos de FIV para que eles sejam cada vez mais eficazes e personalizados. Essas inovações podem tornar o processo mais eficiente, reduzem o tempo para alcançar a gravidez e ajudam a entender melhor os fatores que influenciam o sucesso ou a falha nos tratamentos.
Muitos sistemas de IA com uso em reprodução assistida já foram criados e vêm sendo cada vez mais aprimorados. Além disso, a cada momento, novos sistemas são criados. Abaixo, listamos algumas ferramentas de IA usadas na reprodução assistida em diferentes situações:
O que nós oferecemos para os nossos pacientes
C1. Time-Lapse (EMBRYOSCOPE)
A tecnologia Time-Lapse (existem várias marcas, porém a mais conhecida é o EmbryoScope) permite acompanhar o desenvolvimento dos embriões em tempo real, ajudando na escolha do embrião com maior chance de gerar uma gestação bem-sucedida. A incubadora utiliza tecnologia de captura de imagens em tempo real, registrando o desenvolvimento embrionário a cada 10 minutos. Isso permite que os embriologistas avaliem continuamente os padrões de crescimento dos embriões, 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem retirá-los do ambiente controlado. Essa inovação assegura condições ideais para o desenvolvimento embrionário e facilita a identificação de divisões celulares, simetria e eventuais anomalias com maior precisão. O monitoramento constante contribui para uma seleção embrionária mais eficiente, aumentando as chances de sucesso na fertilização in vitro. Em geral, qualquer paciente em tratamento de fertilização in vitro poderia usar este tipo de incubadora, mas ela é especialmente indicada para casais que passaram por processos anteriores fracassados. Estudos recentes vêm mostrando que, com o uso desta incubadora, pode-se conseguir até um blastocisto a mais por ciclo. Entretanto, ainda não há estudos que mostrem aumento nas taxas de gravidez e, portanto, o seu benefício ainda é controverso.
A Inteligência Artificial nos tratamentos de reprodução assistida se tornará cada vez mais eficazes, trazendo esperança e resultados positivos para nossos pacientes.
C2. MAGENTA e VIOLET – avaliação dos óvulos
São duas ferramentas de IA desenvolvidas pela empresa Future Fertility. O sistema analisa as imagens dos óvulos e utiliza algoritmos de deep learning para fornecer uma pontuação, ajudando a prever quais óvulos têm mais chances de fertilização e desenvolvimento, tornando-se embriões viáveis. A diferença entres eles é que, enquanto o VIOLET avalia óvulos destinados ao congelamento para preservação da fertilidade, o MAGENTA é usado para avaliar a qualidade de óvulos em ciclos de FIV ativos. Ao calcular a chance de gravidez com óvulos que serão congelados, o VIOLET pode ser muito útil em definir a necessidade de coletas de óvulos adicionais, caso a chance com os óvulos já coletados seja baixa. Já o MAGENTA pode ajudar a explicar insucesso na evolução dos embriões e, assim, ajudar no alinhamento de expectativas para tratamentos futuros.
C3. MAIA (Morphological Artificial Intelligence Assistance) – seleção de embriões
É uma inteligência artificial criada pelo Grupo Huntington com o objetivo de otimizar a seleção dos embriões. É integrada à tecnologia time-lapse que analisa imagens captadas a cada 10 minutos, oferecendo uma avaliação contínua e precisa do desenvolvimento embrionário capaz de predizer a chance de sucesso com a transferência dos embriões analisados. Isso porque ela interpreta grandes volumes de dados que o olho humano não seria capaz de processar. A MAIA melhora a identificação do embrião com maior potencial para gestação, além disso, o sistema reduz a necessidade de manipulação externa, garantindo um ambiente seguro e estável para o embrião. Desenvolvida com base em dados da população local, a MAIA utiliza milhões de imagens e informações personalizadas do casal, proporcionando uma seleção embrionária mais precisa e eficaz.
Conclusão
A inteligência artificial está cada vez mais integrada ao futuro da medicina reprodutiva ao introduzir inovações que tornam os tratamentos mais precisos, personalizados e eficientes. Aqui no IPGO, e em algumas clínicas, o compromisso é incorporar as melhores tecnologias disponíveis para oferecer aos pacientes ferramentas que aumentem as chances de sucesso nos tratamentos de fertilização assistida.
Embora muitas dessas tecnologias ainda estejam em fase de desenvolvimento ou avaliação, o progresso acelerado na área é promissor. A capacidade da IA de processar grandes volumes de dados, identificar padrões sutis e fornecer análises avançadas representa um avanço significativo para casais em busca de realizar o sonho de ter um filho. Estou confiante de que, com a combinação de expertise humana e a evolução tecnológica alcançaremos, cada vez mais, os melhores resultados.