Entre os processos de Reprodução Humana Assistida, a FIV é a que oferece os melhores resultados na concepção do bebê.
Lembramos que se chama FERTILIZAÇÃO IN VITRO porque a fecundação é feita em laboratório, ou seja, diferentemente do que ocorre no método natural, a formação do embrião (junção do gameta feminino, o óvulo, com o gameta masculino, o espermatozoide) acontece fora do útero da mulher.
O processo pode ser dividido em 6 fases, mas, antes do início dos estímulos, é fundamental uma preparação com dieta e suplementação adequada:
- 1ª Fase – Estimulação ovariana.
- 2ª Fase – Bloqueio dos hormônios.
- 3ª Fase – Aspiração e recuperação dos óvulos.
- 4ª Fase – Fertilização dos óvulos pelo espermatozoide.
- 5ª Fase – Transferência do(s) embrião(ões) para o útero.
- 6ª Fase – Suporte hormonal.
1ª Fase – estimulação ovariana
A primeira fase é a estimulação ovariana propriamente dita, quando medicamentos, em geral injetáveis, mas muitas vezes associados a comprimidos por via oral, são administrados para fazer com que vários folículos cresçam nos ovários. Os medicamentos utilizados para indução são chamados gonadotrofinas, contêm o hormônio FSH (Hormônio Folículo-Estimulante – em inglês, Follicle-Stimulating Hormone) e LH (Hormônio Luteinizante – em inglês, Luteinizing Hormone), juntos ou separados, e são encontrados em diversos tipos, dosagens e nomes comerciais.
Índice
ToggleAs dosagens diárias recomendadas são reguladas de acordo com a necessidade verificada pelos exames realizados sistematicamente durante essa fase (hormônios e ultrassom). A estimulação ovariana deverá ser acompanhada pela ultrassonografia para avaliar o crescimento e o desenvolvimento dos folículos ovarianos (dentro dos quais estão os óvulos) até que atinjam um diâmetro médio aproximado de 18 mm. A espessura do endométrio (tecido que reveste o útero internamente e onde o embrião se implantará) também é avaliada e deverá ser superior a 7 mm.
Normalmente, são realizados dois a quatro exames de ultrassom transvaginal durante o ciclo, marcados em intervalos médios de dois dias, iniciando no quinto dia após o início da estimulação, até que alcance o ponto pré-ovulatório. Sempre que as datas de exames caírem no domingo ou feriado, não se preocupe, pois, esses exames poderão ser antecipados ou adiados sem interferir no sucesso final do procedimento.
Caso seja necessário, os exames serão realizados também nestes dias. Quando os folículos atingem um diâmetro médio de 18 mm é administrado um medicamento específico: hCG (Ovidrel® ou similares), se os embriões forem ser transferidos no mesmo ciclo para o útero da paciente, ou Gonapeptyl® ou similar se os embriões NÃO forem transferidos no mesmo ciclo, que é o que acontece na maioria das vezes. Estes medicamentos visam à maturação final dos óvulos. As doses e os horários das medicações têm influência direta no horário da captação dos óvulos. Realizamos a aspiração dos óvulos entre 34 e 38 horas ou, em situações especiais, como, por exemplo, histórico de folículos vazio, em até 40 horas após o trigger (conforme protocolo escolhido) após a aplicação.
Os efeitos colaterais (raros) mais comuns desses medicamentos são: instabilidade emocional, dores de cabeça, perda de apetite, dor abdominal e dor no local das injeções. Neste último caso, a massagem e o calor local (compressas) podem aliviar esses sintomas.
Para que se alcance o objetivo almejado é fundamental a disciplina na medicação e no controle da estimulação ovariana e, para isso, devem ser seguidas as seguintes recomendações:
- Utilize somente os medicamentos recomendados.
- O dia do ciclo é sempre contado a partir do primeiro dia da menstruação.
- O início da estimulação ovariana, normalmente, ocorre no 2º ou 3º dia da menstruação (na fase folicular), entretanto, algumas vezes, iniciamos a estimulação na fase lútea, após a ovulação.
- Os medicamentos deverão ser tomados e aplicados sempre no mesmo horário.
A quantidade de medicação utilizada até a coleta dos óvulos vai depender da evolução do crescimento dos folículos. É recomendável sempre ter medicação extra de reserva.
2ª Fase – bloqueio dos hormônios
Consiste no bloqueio da produção dos hormônios que agem nos ovários. Com esta conduta, temos o controle da função ovariana “em nossas mãos”, não havendo praticamente perigo de ocorrer ovulação fora do previsto. Isto é, sem esses medicamentos, o mecanismo de controle da ovulação estaria também sob a influência dos hormônios do próprio organismo e a paciente poderia ovular antes da hora programada de colher os óvulos.
Existem várias estratégias para este bloqueio. O bloqueio pode ser TARDIO (esquema curto ou PROTOCOLO CURTO, realizado durante a estimulação ovariana), DURANTE O CICLO, com comprimidos de progesterona e OUTRAS POSSIBILIDADES, via oral desde o início do ciclo, PRÉVIO (esquema longo ou PROTOCOLO LONGO, iniciado antes da estimulação ovariana). Entretanto, o PROTOCOLO LONGO, tem sido indicado somente em situações de exceção. A decisão pelo bloqueio prévio, tardio ou por comprimidos vai depender de cada caso.
3ª Fase – aspiração e recuperação dos óvulos
A paciente deverá comparecer ao laboratório especializado aproximadamente 34 a 35 horas após a administração do último medicamento (hCG ou Gonapeptyl).
Neste momento, o médico estará presente para realizar o procedimento. Em jejum, em horário pré-estabelecido e em uma sala adequada, será dada uma medicação (sedação profunda com Propofol) para relaxar e dormir alguns minutos.
Com auxílio do ultrassom, uma agulha especial e um aparato para sucção, os óvulos são colhidos e encaminhados para análise. Este processo é indolor e dura de 10 a 15 minutos, em média. Após cerca de 60 minutos em repouso em um quarto, a paciente será liberada, podendo executar atividades leves no mesmo dia, mas que não exijam destreza ou concentração (24 horas).
ESTE É O MOMENTO DA DECISÃO SE IRÁ CONGELAR ÓVULOS (VITRIFICAÇÃO) OU FERTILIZÁ-LOS.
4ª Fase – fertilização dos óvulos
Os óvulos, após a aspiração, são separados, cultivados e classificados quanto à sua maturidade para que sejam fertilizados.
Amostra Seminal: a amostra de sêmen deverá estar disponível para a fertilização no centro de reprodução humana.
A. FIV clássica:
Os óvulos são colocados em uma incubadora no laboratório, junto dos espermatozoides, em condições ambientais semelhantes às encontradas na trompa uterina – local em que normalmente ocorre a fecundação.
B. ICSI (Intracitoplasmatic Sperm Injection ou Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide):
Os óvulos serão fertilizados por meio da micromanipulação dos gametas injetando-se um espermatozoide em cada óvulo – Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide. É uma técnica realizada por um profissional especializado que, por meio de uma pipeta microscópica, injeta um único espermatozoide dentro do óvulo.
No dia seguinte à ICSI, são verificados quantos óvulos conseguiram ser fertilizados, formando embriões, que terão seu crescimento acompanhado até o quinto dia de desenvolvimento e, algumas vezes, até o sexto ou sétimo dia. Durante este período, o desenvolvimento embrionário ocorre dentro de uma incubadora (pode ser a tradicional ou Time-Lapse (EmbryoScope), descrito adiante no item C1, Inteligência Artificial. Normalmente, esperamos a fase de blastocisto (quinto dia, às vezes, esperamos até sétimo dia), pois selecionamos os que têm mais chances de implantação, mas dependendo do caso, principalmente se há poucos embriões em desenvolvimento, podemos optar por transferir no terceiro dia. Após este período na incubadora os embriões são transferidos para útero ou vitrificados.
C. Super ICSI (também conhecida como “IMSI”):
Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide Selecionado Morfologicamente é semelhante a uma ICSI convencional. O diferencial é o conjunto ótico utilizado, que oferece uma aproximação de mais de 6.300 vezes, o que faz que a escolha do espermatozoide seja feita de forma mais detalhada. É indicada em alterações graves da morfologia dos espermatozoides.
ANÁLISE GENÉTICA DO EMBRIÃO – DEVERÁ JÁ ESTAR DECIDIDO
O PGT (Teste Genético Pré-Implantacional) é indicado principalmente para mulheres com idade avançada (mais do que 38 anos) ou quando um dos membros do casal tem alterações cromossômicas como translocações ou inversões cromossômicas. Pode ser realizado no processo de Fertilização in vitro (FIV), com o objetivo de diagnosticar nos embriões a existência de alguma doença genética, antes da implantação no útero da mãe.
Assim, casais com chances de gerar filhos com problemas genéticos como Síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21), Síndrome de Patau (trissomia do cromossomo 13), Síndrome de Edwards (trissomia do cromossomo 18), Síndrome do Klinefelter (47XXY), Distrofia Muscular, Hemofilia, entre outras Anomalias Genéticas, podem descobrir se o embrião possui tais doenças por meio deste exame.
VEJA DETALHES MAIS ADIANTE SOBRE AS DIFERENÇAS ENTRE OS TIPOS DE ANÁLISES CROMOSSÔMICAS E GENÉTICAS: PGT-A, PGT-M, PGT-SR e PGT-P.
5ª Fase – transferência do(s) embrião(ões) para o útero
A. Preparo do endométrio para receber os embriões “a fresco”:
Transferência a fresco significa transferir o(s) embrião(ões) no mesmo ciclo de estimulação ovariana, o que é BASTANTE INCOMUM nos dias de hoje. Isto porque o endométrio costuma ser menos receptivo neste período por estar “encharcado” pelos hormônios nesta fase, além de riscos da Síndrome da Hiperestimulação Ovariana. Dispensa preparo específico a não ser continuidade do ciclo tomando alguns cuidados especiais. A transferência será realizada 3 ou 5 dias após (às vezes 6 ou 7), dependendo de o embrião ser de terceiro dia ou blastocisto acompanhado do suporte hormonal adequado.
B. Preparo do endométrio para receber os embriões congelados
B1 – Ciclo medicado
Não é rotina nas transferências embrionárias, mas é indicado em pacientes que necessitam de um bloqueio hormonal decorrente de doenças como a ADENOMIOSE. Para o preparo endometrial, geralmente utilizamos estradiol exógeno e acompanhamos o endométrio por ultrassom. Pode ser precedido de um bloqueio hormonal, que pode ser feito com uma ampola de agonista do GnRH de depósito, na fase lútea (21° dia) do ciclo anterior.
Quando a paciente menstrua, no segundo ou terceiro dia, inicia-se o uso de estradiol via oral e/ou transdérmica. Em caso de bloqueio hormonal, pode-se aguardar mais dias até a paciente menstruar. Há 3 opções de estradiol: 6 mg via oral, 3 adesivos de 100 mcg trocados a cada 3 dias ou estradiol gel (6 – 12 pumps por dia).
No IPGO, costumamos prescrever 4 mg via oral e um adesivo ou gel de estradiol. Esta medicação será mantida por aproximadamente dez dias. Em situações específicas e raras, podemos usar o estradiol injetável, e, em outras menos frequentes, podemos usar estradiol via vaginal. Quando o endométrio atingir a espessura adequada, e se estiver com o aspecto trilaminar e dosagens hormonais de acordo com o desejado, inicia-se a progesterona.
Uma das seguintes opções será utilizada:
- Progesterona injetável (Progesterone®): 50 a 100 mg/dia – intramuscular;
- Progesterona subcutânea (marcas variadas): 25 mg/dia – subcutânea;
- Progesterona micronizada (Utrogestan® ou outras marcas): 600 a 1200 mg/dia, podendo chegar até 1600 mg/dia – via vaginal;
- Progesterona gel (Crinone® 8%): 1 a 2x/dia, via vaginal;
- Outras possibilidades raras: progesterona manipulada via oral sublingual apresentação “filme” e anel vaginal;
- Em algumas situações, pode ser indicado Duphaston® (didrogesterona 10mg 12/12h, via oral).
B2 – Transferência em ciclo natural e natural modificado
- Ciclo Natural: em ciclos de transferência de embriões ou óvulos congelados, se a mulher tem ciclos regulares, há ainda a opção de NÃO UTILIZARMOS MEDICAÇÃO, somente acompanhando um ciclo ovulatório espontâneo, com a presença apenas dos hormônios produzidos pelo próprio organismo. Deve ser acompanhado rigorosamente por ultrassom e dosagens hormonais (estradiol, progesterona e LH). O acompanhamento deve ser feito com o teste de LH na urina (comprado em farmácias). Quando o folículo atinge mais de 17 mm, normalmente faz-se uso do hCG, que simula o pico de LH e desencadeia a ovulação 36 horas depois. Isso pode ser antecipado caso o LH estiver em ascensão. No momento da ovulação, a progesterona também é iniciada.
- Ciclo Natural Modificado: é “natural”, mas com uma ajuda para controlar o “timing” exato para a transferência embrionária. Normalmente é realizada uma estimulação ovariana com baixa quantidade de hormônio para formação de um folículo e em seguida o trigger com hCG para padronizar a fase lútea. Deste modo, a quantidade de hormônio é menor.
C. A transferência do(s) embrião(ões) para o útero
É indolor, realizada sob visão do ultrassom, com cateter flexível e sem necessidade de anestesia, exceto em casos específicos. É introduzido um pequeno cateter pela vagina em direção ao colo do útero até atingir a cavidade uterina. O(s) embrião(ões) deve(m) ser colocado(s) de 1,5 cm a 2 cm abaixo do fundo uterino.
A passagem do cateter deve ser um movimento delicado, pois as chances de gravidez têm muita ligação com este momento. Trata-se de um procedimento simples, mas que exige tranquilidade, um bom relaxamento da paciente e experiência do profissional. Após essa etapa, a paciente deverá ficar deitada por alguns minutos, retornando, posteriormente, para casa liberada a fazer atividades físicas limitadas.
Casos Complexos
Em algumas situações, a transferência embrionária pode ser mais complicada e exigir alguns cuidados, como, por exemplo, o uso do cateter de TOWAKO. O cateter de Towako (método Towako®) é um conjunto especializado, composto por agulha e um cateter desenvolvido para transferência embrionária transmiometrial (através do miométrio) guiada por ultrassom. Utilizado em casos difíceis de infertilidade, permite inserir embriões diretamente no endométrio, perfurando o miométrio quando a via endocervical é inviável, como, por exemplo, pacientes que tem deformidades no útero por cirurgias anteriores ou tumores como miomas que impedem a passagem do cateter pelo colo uterino. São situações específicas que exigem atenção e cuidados de médico experiente.
Orientações para o dia da transferência embrionária e nos dias seguintes
A transferência embrionária é um dos momentos mais especiais do tratamento de fertilização. É quando o embrião é colocado dentro do útero, iniciando uma nova etapa marcada por esperança, expectativa e cuidado. Para que esse momento seja vivido com mais tranquilidade e confiança, seguem abaixo orientações importantes sobre antes, durante e após o procedimento
A. Antes da transferência embrionária
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- Procure chegar à clínica com tranquilidade e no horário orientado pela equipe.
- É importante que a bexiga esteja moderadamente cheia, pois isso ajuda a melhorar a visualização do útero pelo ultrassom e facilita o posicionamento adequado durante o procedimento.
- A transferência embrionária é um procedimento simples, rápido e geralmente indolor. Em casos excepcionais é possível usar uma sedação leve.
- Não é necessário jejum, exceto se houver orientação específica para algum caso especial.
- Procure manter-se tranquila. A ansiedade é absolutamente normal neste momento, mas todo o procedimento é realizado com muito cuidado, atenção e delicadeza.
B. Durante o procedimento
- Durante a transferência, são utilizados cateteres muito finos, flexíveis e delicados, especialmente desenvolvidos para esse tipo de procedimento.
- Inicialmente, pode ser introduzido um cateter guia, que permite avaliar e preparar o trajeto pelo canal cervical até o útero.
- Após o posicionamento adequado, a equipe de embriologia entrega o cateter que contém o embrião, cuidadosamente preparado no laboratório.
- Esse cateter é introduzido com extrema delicadeza até a cavidade uterina, onde o embrião é depositado no local mais adequado para favorecer a implantação.
- Após a transferência, o cateter é cuidadosamente retirado e verificado pela equipe de embriologia para confirmar que não houve retenção do embrião no dispositivo e que a transferência foi realizada corretamente.
- Em seguida, você será encaminhada ao leito, onde permanecerá em repouso por aproximadamente 20 a 30 minutos.
- Em situações especiais, como em pacientes mais sensíveis ou quando existe um canal cervical mais tortuoso ou maior dificuldade de passagem pelo colo do útero, pode ser necessária uma sedação leve para facilitar o procedimento e proporcionar maior conforto.
C. Após a transferência embrionária
- Após o período de repouso na clínica, você poderá retornar normalmente para casa ou para o hotel onde estiver hospedada.
- Não é necessário repouso absoluto. Recomenda-se apenas repouso relativo no dia da transferência.
- O embrião fica protegido dentro da cavidade uterina. A implantação é um processo biológico complexo que não depende de movimentos, posição do corpo ou pequenos esforços do dia a dia.
- A partir do dia seguinte, podem ser realizadas atividades leves e rotineiras, evitando esforços físicos intensos.
- Caminhar, sentar, levantar-se, tomar banho e realizar atividades leves do dia a dia são permitidos.
- Evite exercícios físicos de impacto, musculação intensa, corrida, crossfit, atividades extenuantes e levantamento de peso até a realização do teste de gravidez. Caminhadas leves estão permitidas.
- Recomenda-se evitar relações sexuais até a realização do beta-hCG, salvo orientação específica diferente.
- Mantenha rigorosamente todas as medicações prescritas, nos horários corretos, nas doses indicadas e pelo tempo orientado. Não suspenda nenhuma medicação sem orientação médica, mesmo se houver pequenos sangramentos.
- Mantenha alimentação equilibrada, habitual e boa hidratação. Não há necessidade de dieta especial, mas é importante evitar excessos, bebidas alcoólicas e alimentos de procedência duvidosa.
- Podem ocorrer cólicas leves, discreto desconforto abdominal, sensação de peso pélvico ou pequeno sangramento. Esses sintomas podem ser normais e não significam, por si só, falha do tratamento.
- Banhos de chuveiro estão liberados. Evite banheira, piscina e mar até nova orientação.
- Atividades profissionais leves estão liberadas. Se o trabalho exigir esforço físico intenso, deve-se avaliar afastamento temporário.
- O teste de gravidez, beta-hCG, deve ser realizado na data orientada pela equipe, mesmo que tenha ocorrido sangramento. Não realizar teste de farmácia antes da data indicada, para evitar dúvidas e ansiedade desnecessária.
- Procure a equipe caso apresente dor abdominal intensa, distensão abdominal importante, febre, sangramento volumoso ou qualquer sintoma que gere preocupação.
Uma mensagem importante
Este é um momento muito especial. Sabemos que ele vem acompanhado de expectativas, esperança e de ansiedade.
Procure viver esses dias com tranquilidade, confiança e serenidade. A medicina faz tudo o que é possível com técnica, cuidado, responsabilidade e atenção aos detalhes. A partir daqui, começa também o tempo da natureza agir.
O mais importante agora é seguir corretamente as orientações, usar as medicações conforme prescrito e aguardar o exame na data programada.
Mantenha a confiança, preserve a esperança e tenha fé. Se Deus quiser, tudo dará certo.
D. Decisões importantes para o Dia “D”
1. Avaliação da qualidade dos embriões e escolha do dia da transferência (3º ou 5º dia?):
No dia seguinte à fertilização, que ocorre horas após a aspiração dos óvulos, os embriões são analisados para verificar qual a porcentagem dos óvulos maduros que foram fertilizados. Na maioria das vezes, mesmo nos casos de ICSI, uma parte desses óvulos não se fertiliza. Já neste momento pode ser feita uma análise inicial microscópica e prognóstica da qualidade desses embriões e quais são os que têm maior chance de sobreviver e alcançar um estágio mais avançado de divisão celular. No terceiro dia, os embriões são mais uma vez estudados para que se faça uma nova classificação dos melhores. A classificação é baseada na “morfologia”.
De um modo geral, sempre aguardamos a evolução dos embriões para que estes embriões alcancem o estágio de blastocisto (mais de 100 células), que tem a maior chance de implantação. Em algumas situações específicas, podemos transferir os embriões em estágio de clivagem, com somente 8 células. Esta conduta é recomendada somente em situações excepcionais.
Blastocistos: Geralmente a melhor opção. Normalmente, por vias naturais, o embrião chega à cavidade uterina com cinco a sete dias de vida, em um estágio chamado blastocisto. Assim, parece claro que, quando transferimos para a mulher embriões neste estágio (ou seja, cinco a sete dias de evolução, a chance de gravidez deve ser maior). Quando a programação é serem vitrificados, podemos ainda esperar até sete dias para ver se alcançam a fase de blastocisto. Entretanto, nem sempre conseguimos que o embrião chegue a este estágio no laboratório e sabemos que muitos embriões serão perdidos.
Avaliação morfológica do embrião até o 5º dia de desenvolvimento. Algumas vezes, no laboratório, só alcança este estágio no 6º ou 7º dia de evolução.
2. Quantos Embriões Devem Ser Transferidos?
O Conselho Federal de Medicina (CFM), desde a RESOLUÇÃO CFM Nº 2.294, DE 27 DE MAIO DE 2021 (Normas Éticas para a Utilização das Técnicas de Reprodução Assistida), definiu quanto ao número de embriões a serem transferidos, de acordo com a idade. Entretanto, independentemente da idade da mulher, A RECOMENDAÇÃO ATUAL É TRANSFERIR UM ÚNICO EMBRIÃO. Deste modo, evitamos complicações próprias da gestação múltipla como partos prematuros, diabetes gestacional e Doença Hipertensiva da Gravidez (eclâmpsia). Entretanto, em situações especiais, se for o desejo da paciente, se ela tiver ciência dos riscos da gestação múltipla e se não houver riscos conhecidos que ponham sua saúde em risco e contraindiquem a gestação múltipla, podemos transferir, NO MÁXIMO, dois (2) embriões.
IMPORTANTE: Hoje, com a alta tecnologia empregada nos tratamentos de fertilização, a recomendação é transferir UM EMBRIÃO, NO MÁXIMO DOIS BLASTOCISTOS, mas a decisão deverá ser individualizada para cada caso.
6ª Fase – suporte hormonal
Após a coleta dos óvulos, se a paciente for transferir os embriões neste ciclo, iniciamos o suporte de fase lútea com progesterona, estradiol e outras medicações quando for necessário.
Após a transferência, independentemente de ciclo fresco ou de congelado, realizamos um controle rigoroso das condições hormonais a fim de mantê-los em níveis satisfatórios para um adequado desenvolvimento embrionário intrauterino. As doses recomendadas desses hormônios são ajustadas de acordo com a necessidade da paciente.
Durante a fase lútea, podem ser realizados exames de sangue que comprovam o equilíbrio hormonal (estradiol > 200 pg/mL e progesterona > 20 ng/mL). Caso haja necessidade, as doses da progesterona poderão ser modificadas e/ou introduzida a reposição de estradiol, caso já não esteja sendo feita.
Diagnóstico da gestação:
O teste de gravidez e beta-hCG é realizado 9-10 dias após a transferência dos embriões e repetido a cada 2 ou 3 dias para acompanhar a evolução da gestação. O suporte hormonal deverá ser mantido até 12 semanas de gestação. Após 2 semanas do primeiro teste, realizamos uma ultrassonografia para confirmarmos se a gravidez está bem-posicionada. O exame de ultrassom poderá ser repetido a cada duas semanas até completar 12 semanas, quando então a paciente deve seguir seu pré-natal com todos os cuidados e recomendações.
Taxas de sucesso com a FIV
O sucesso da FIV vai depender de vários fatores:
- Idade da mulher;
- Qualidade dos óvulos e espermatozoides;
- Qualidade dos embriões;
- Qualidade endometrial;
- Presença de outros fatores: mioma, adenomiose, endometriose, endometrite etc.
A idade da mulher é o maior preditor de sucesso da FIV, caindo progressivamente com o avançar da idade. Enquanto mulheres abaixo dos 35 anos e em condições ideais têm taxa de gravidez superior 70% em ciclos de FIV, essa taxa cai para menos de 20% nas maiores de 42 anos.
Taxa de gravidez por transferência embrionária de acordo com a idade materna
Os dados apresentados acima são as taxas de gravidez por transferência, ou seja, as taxas de sucesso quando se tem pelo menos um embrião para transferência. É importante ressaltar que, quando falamos da idade mulher interferindo nas chances de sucesso, estamos falando da idade do óvulo. A idade de quem receberá os embriões não interfere nas chances de sucesso (receptora de óvulos doados).