MIOMAS E CONTRAÇÕES UTERINAS

Em casos de fertilização in vitro (FIV), uma exame que pode ajudar a decidir se devemos ou não operar os miomas antes da transferência dos embriões é a Ressonância cine-mode display. Ela mede as contrações uterinas, que podem estar aumentadas em pacientes com miomas. Este fato pode ser um fator que contribui para as menores taxas de gravidez neste grupo, uma vez que alguns estudos já demonstraram que o embrião transferido pode ser expelido pelo útero após a transferência embrionária, o que se atribui às contrações uterinas. Esses estudos levantaram a hipótese de que, algumas vezes, as contrações uterinas poderiam levar os embriões a serem eliminados pelo colo, trompas ou vagina e isso ser a causa das falhas de implantação.

Um estudo com pacientes com miomas submetidas a FIV demonstrou que aquelas que tinham muitas contrações não engravidaram (de 22 pacientes, nenhuma engravidou). Já das 29 que só tinham 1 contração ou menos, 10 engravidaram (34%). Outro estudo, com 220 ciclos de FIV mediu as contrações uterinas antes da transferência embrionária, dividindo as pacientes em 4 grupos de acordo com a frequência de contrações. Demonstraram que quanto menor o número de contrações, maior a taxa de gravidez e implantação. Enquanto o grupos com menos contrações tiveram um taxa de gravidez de 53%, nas com mais contrações, esta taxa foi de 14%. Outro dado importante neste estudo é que as concentrações séricas de progesterona foram inversamente proporcionais ao numero de contrações, mostrando a importância de um nível adequado desde hormônio.

Esses resultados nos levam a pensar que talvez somente aquelas com muitas contrações devam retirar os miomas intramurais, mesmo sem distorção da cavidade. Outra opção é tentar o uso de Atosiban neste grupo de pacientes.

Atosiban é um antagonista da ocitocina, hormônio cuja ação na musculatura lisa uterina é causar contrações uterinas e muito utilizado em hospital para evitar o parto prematuro. Alguns estudos sugerem ainda que no endométrio também há receptores para ocitocina cuja ação leva à produção de prostaglandinas, substâncias que causam reação inflamatória e contrações uterinas. Assim, foi sugerido que utilização do atosiban durante a transferência poderia diminuir o número de contrações e assim, melhorar a chance de implantação. Para avaliar sua eficácia, um grande estudo randomizado com pacientes submetidas a FIV comparou o uso de atosiban durante a transferência embrionária (400 pacientes) com placebo (400 pacientes) e não encontrou diferença entre os grupos nas taxas de gravidez, aborto ou implantação. Portanto, não utilizamos de rotina esta medicação em todas a paciente.

Entretanto, um novo estudo avaliou somente pacientes com falha de implantação. Elas tinham em média 4,8 tentativas prévias de transferência de embriões de boa qualidade, sem sucesso. Neste estudo, avaliou-se o número de contrações uterinas antes e depois do atosiban e demonstrou uma redução acentuada no número de contrações. Viram ainda que aquelas com um grande número de contrações tiveram uma redução maior com o uso do atosiban. Neste estudo, a taxa de gravidez com uso de atosiban foi de 43,7%, um número bom se levarmos em conta que tiveram múltiplas falhas prévias.

Esses estudos sugerem que nem todas as pacientes se beneficiam com o uso do atosiban, mas talvez somente aquelas com contrações aumentadas.

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