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Quem se beneficia do PGT na realização da Biópsia Embrionária?

O PGT (Teste Genético Pré-Implantacional) pode ser realizado no processo de fertilização in vitro (FIV), com o objetivo de diagnosticar nos embriões a existência de alguma doença genética, antes da implantação no útero da mãe. Assim, casais com chances de gerar filhos com problemas genéticos como Síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21), Síndrome de Patau (trissomia do cromossomo 13), Síndrome de Edwards (trissomia do cromossomo 18), Síndrome do Klinefelter (47XXY), distrofia muscular, hemofilia, entre outras anomalias genéticas, podem descobrir se o embrião possui tais doenças por meio deste exame.

O PGT pode ser utilizado em ciclos de FIV para todos os casais, porém as principais indicações são para casais com mulheres com idade avançada (mais de 40 anos – alguns recomendam após os 37 anos) ou quando um dos parceiros do casal tiver alterações cromossômicas avaliadas pelo exame cariótipo, como as translocações, inversões ou polimorfismos. A importância destas três últimas avaliações vai depender do histórico reprodutivo de cada paciente como, por exemplo, tempo de tentativas de gravidez, abortos e falhas em tratamentos anteriores.

Casais com doenças genéticas na família causadas por genes específicos também têm indicação para realizar o teste.

IDADE MATERNA

Quanto à idade materna, temos que lembrar que a mulher nasce com todo o seu estoque de óvulos, que não se renova. À medida que a mulher envelhece, os óvulos dela também envelhecem, e isso aumenta as chances de possuírem algum erro cromossômico. Assim, ao serem fertilizados, irão gerar embriões cromossomicamente alterados, que não se desenvolvem, evoluem para aborto ou geram crianças com alterações cromossômicas.

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Figura 1 - Aneuploidia dos óvulos X Idade da mulher

ALTERAÇÕES NO CARIÓTIPO

Em relação a alteração no cariótipo, temos que lembrar que este é um exame que analisa a quantidade e composição dos cromossomos de um indivíduo. Em uma pessoa normal, o cariótipo mostrará que ela tem 46 cromossomos (23 pares), sendo 22 chamados autossômicos e 2 sexuais (XX se mulher ou XY se homem). Entretanto, pessoas normais podem ter alterações no cariótipo que não causam repercussão, mas aumenta o risco de filhos de gerarem embriões com alteração cromossômica. Estas alterações são chamadas rearranjos cromossômicos e podem ser dos seguintes tipos:

    • Translocação cromossômica: uma anomalia cromossômica causada pelo rearranjo de partes entre cromossomos que não são pares, ou seja, parte de um cromossomo está trocada de lugar com um pedaço de outro cromossomo. É o mais comum dos rearranjos cromossômicos e pode ser de dois tipos principais: a Translocação Robertsoniana e a Translocação Recíproca, também conhecida como não-Robertsoniana. Para entendermos a diferença, temos que lembrar que cada cromossomo tem dois braços: um curto (p) e um longo (q), unidos por uma estrutura chamada centrômero. Em alguns cromossomos, o centrômero está na extremidade, tendo, assim, um braço longo e um braço muito curto. Esses cromossomos são chamados acrocêntricos e são os cromossomos 13, 14, 15, 21 e 22. Chama-se translocação Robertsoniana quando dois cromossomos acrocêntricos fundem seus braços longos, perdendo os curtos. Com isso, o indivíduo fica com um cromossomo a menos, mas com um cromossomo com 2 braços longos diferentes unidos pelo centrômero (Figura 2). Já nas translocações não Robertsonianas, somente alguns segmentos de cromossomos são trocados, podendo envolver qualquer cromossomo (Figura 3). Além disso, as translocações recíprocas podem ser balanceadas (sem perda ou acréscimo de material genético) ou não-balanceadas (quando a troca de material cromossômico é desigual resultando em genes extras ou ausentes).
Figura 2 - Translocação Robertsoniana

Translocação Robertsoniana entre cromossomo A e B (acrocêntricos): ambos perderam o braço curto e os dois braços longos se fundem formando um cromossomo com dois braços longos enquanto que os braços curtos são perdidos.

Figura 3- Translocação Recíproca (Não-Robertsoniana)

Translocação Recíproca (Não-Robertsoniana) entre cromossomos A e B, onde um segmento do braço longo do cromossomo A trocou de lugar com um segmento do braço longo do cromossomo B, sem perda de material (translocação balanceada).

    • Inversão cromossômica: que ocorre quando um segmento de um cromossomo se separa, gira 180o e se reintegra ao mesmo cromossomo, mas com a orientação invertida. A inversão é dita paracêntrica se as quebras ocorrerem em um mesmo braço cromossômico, e é denominada pericêntrica se o fragmento cromossômico invertido incluir o centrômero (Figura 4). Essa alteração pode ser equilibrada (quando não se perde material genético) ou pode ser desequilibrada (quando há perda ou ganho de material genético).
Figura 4 - Inversão Cromossômica
    • Duplicações: um segmento do cromossomo é duplicado.
    • Deleções: quando há perda de um segmento cromossômico.
    • Polimorfismos cromossômicos: são alterações da estrutura cromossômica que não costumam ter impacto clínico, pois ocorrem em regiões com genes naturalmente inativos, sendo consideradas variação da normalidade. As mais importantes são as alterações da heterocromatina, uma parte do cromossomo formada por DNA compactado, com baixa ou nenhuma atividade genética. Existem alguns estudos que mostram associação destes polimorfismos com infertilidade e aborto de repetição, embora seja questionável sua repercussão na chance de a pessoa gerar embriões aneuploides, não havendo uma comprovação definitiva.
    • Abortos de repetição e falhas repetidas em tratamentos de FIV: a principal causa de aborto e uma das principais causas de falhas de implantação em transferências embrionárias são devido a aneuploidias nos embriões. Selecionar embriões euploides pode ser útil para evitar um novo aborto ou falha.
      • História familiar ou antecedente pessoal de doença genética (cromossômica ou de gene específico): quando se sabe que o/a paciente tem uma doença genética na família, é interessante avaliar os pais para saber se há risco aumentado dos filhos terem a mesma doença. Além disso, casais que já tiveram um filho com alguma alteração cromossômica costumam optar pelo exame para evitar passar por esse processo de novo.

Este texto foi extraído do e-book “Biópsia Embrionária na FIV”.
Faça o download gratuitamente do e-book completo clicando no botão abaixo:

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