Dr. Arnaldo Cambiaghi
CRM: 33.692 | RQE 42.074
Médico Especialista em Reprodução Humana do IPGO
Nutri. Jociane Catafesta
CRN: 6376
Nutricionista Funcional
- julho 20, 2026
- 1:13 pm
Durante muitos anos, quando um casal apresentava dificuldade para engravidar, praticamente toda a atenção era direcionada aos ovários, espermatozoides, trompas e útero. Entretanto, nos últimos anos, um novo personagem começou a chamar a atenção dos pesquisadores: a microbiota intestinal.
Pode parecer surpreendente imaginar que bactérias presentes no intestino possam interferir na fertilidade. Porém, hoje sabemos que elas participam da produção de vitaminas, do metabolismo hormonal, da regulação do sistema imunológico e do controle da inflamação do organismo. Todos esses fatores são essenciais para que uma gravidez aconteça.
Índice
ToggleO INTESTINO: Um Verdadeiro Órgão da Fertilidade
Nosso intestino abriga cerca de 40 trilhões de microrganismos entre bactérias, fungos e vírus. Juntos, eles formam a microbiota intestinal. Durante muito tempo acreditava-se que essas bactérias serviam apenas para ajudar na digestão dos alimentos. Hoje sabemos que essa visão estava completamente incompleta.
A microbiota funciona praticamente como um órgão do corpo humano. Ela participa da digestão das fibras, produz vitaminas, sintetiza moléculas anti-inflamatórias, regula o metabolismo da glicose, influencia a ação da insulina, participa da reciclagem dos estrogênios e ajuda a controlar grande parte do sistema imunológico. Em outras palavras, um intestino saudável ajuda todo o organismo a funcionar melhor.
Quando ocorre um desequilíbrio dessa comunidade bacteriana, situação chamada disbiose intestinal, esse equilíbrio pode ser perdido.
O QUE É DISBIOSE INTESTINAL?
Disbiose significa alteração da composição normal da microbiota. Isso pode acontecer porque algumas bactérias benéficas diminuem, enquanto outras, capazes de estimular processos inflamatórios, aumentam. Esse desequilíbrio pode surgir por diversos motivos: alimentação rica em ultraprocessados, excesso de açúcar, obesidade, sedentarismo, antibióticos utilizados repetidamente, estresse crônico, poucas fibras na alimentação e doenças inflamatórias.
É importante entender que a disbiose não significa “ter uma bactéria ruim”. O problema está no desequilíbrio do conjunto. Quando o equilíbrio é perdido, cascatas inflamatórias podem ser ativadas, afetando não apenas a saúde digestiva, mas também a capacidade reprodutiva.
COMO O INTESTINO INFLUENCIA A IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO
O ESTROBOLOMA: Quando o Intestino Controla os Hormônios
Poucas pessoas sabem que parte da microbiota participa diretamente do metabolismo dos estrogênios. Esse conjunto de bactérias recebe o nome de estroboloma. Após serem produzidos pelos ovários, os estrogênios passam pelo fígado e chegam ao intestino. Ali, determinadas bactérias ajudam a regular sua reciclagem e sua eliminação.
Quando ocorre disbiose, esse equilíbrio pode ser alterado. Embora ainda existam muitas perguntas sem resposta, acredita-se que esse mecanismo possa influenciar doenças como Endometriose, Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) e até a receptividade endometrial. A falha nesse mecanismo de reciclagem hormonal pode contribuir para um ambiente uterino não receptivo, dificultando a implantação embrionária mesmo quando os embriões têm boa qualidade.
BACTÉRIAS FREQUENTEMENTE ALTERADAS NA INFERTILIDADE
Diversos estudos observaram alterações semelhantes em mulheres com infertilidade. Os pesquisadores identificaram um padrão consistente: certas bactérias benéficas diminuem enquanto outras, potencialmente prejudiciais, aumentam. Compreender o papel de cada uma dessas bactérias ajuda a entender por que a saúde intestinal é tão importante para a fertilidade.
A Faecalibacterium prausnitzii é uma das bactérias mais estudadas no contexto da fertilidade. Ela é considerada uma grande produtora de butirato, aquela molécula essencial que protege a mucosa intestinal. Quando mulheres com infertilidade são avaliadas, frequentemente observa-se uma redução significativa desta bactéria. A diminuição da Faecalibacterium prausnitzii está diretamente associada ao aumento da inflamação intestinal, criando um ambiente hostil para a implantação embrionária.
Outro microrganismo importante é a Roseburia, também uma excelente produtora de butirato. Além de fornecer essa substância protetora, a Roseburia atua especificamente na proteção da mucosa intestinal, mantendo a integridade da barreira que separa os microorganismos do sangue. Sem essa proteção adequada, as bactérias prejudiciais conseguem atravessar a barreira intestinal e estimular respostas inflamatórias sistêmicas que prejudicam a receptividade endometrial.
A Bifidobacterium desempenha um papel fundamental na regulação do sistema imunológico. Esta bactéria não apenas ajuda a reduzir a inflamação sistêmica, mas também treina o sistema imune para distinguir entre ameaças reais e o próprio embrião. Mulheres com níveis baixos de Bifidobacterium frequentemente apresentam um sistema imunológico desregulado, o que pode resultar em rejeição do embrião ou falha na implantação.
A Akkermansia muciniphila é uma bactéria especializada em manter a camada de muco que reveste o intestino. Esse muco é literalmente a barreira física que protege as células intestinais do contato direto com as bactérias. A Akkermansia muciniphila é essencial para manter essa barreira espessa e saudável. Sua redução leva ao afinamento da camada de muco, aumentando a permeabilidade intestinal e permitindo que toxinas bacterianas atravessem a barreira.
Em contraste com as bactérias benéficas descritas acima, existem bactérias potencialmente prejudiciais cuja proliferação é frequentemente observada em mulheres inférteis. A Proteobacteria é um exemplo clássico. O aumento de Proteobacteria é considerado um marcador de disbiose intestinal. Essas bactérias tendem a produzir lipopolissacarídeos, moléculas inflamatórias que, quando entram na circulação, ativam uma resposta imune exagerada que prejudica o ambiente uterino.
De forma similar, as Enterobacteriaceae são frequentemente associadas à inflamação intestinal persistente. Essas bactérias gram-negativas possuem na sua parede componentes que dispararam reações inflamatórias quando entram em contato com as células do hospedeiro. Em um intestino equilibrado, as bactérias benéficas mantêm as Enterobacteriaceae sob controle. Porém, na disbiose, essas bactérias potencialmente prejudiciais proliferam, contribuindo para um estado pró-inflamatório que sabemos ser prejudicial à fertilidade.
É importante ressaltar que nenhuma dessas bactérias, isoladamente, causa infertilidade. O que importa é o equilíbrio entre elas. Um intestino saudável é aquele onde as bactérias benéficas (Faecalibacterium, Roseburia, Bifidobacterium, Akkermansia) superam amplamente as potencialmente prejudiciais (Proteobacteria, Enterobacteriaceae), mantendo um ambiente onde o sistema imunológico permanece tolerante ao embrião, a inflamação é controlada, e a barreira intestinal permanece íntegra.
COMO OS PESQUISADORES INVESTIGAM A MICROBIOTA?
Os exames atuais são muito mais sofisticados do que uma simples cultura de fezes. Hoje utiliza-se principalmente o sequenciamento metagenômico (shotgun metagenomics), técnica que identifica milhares de genes bacterianos simultaneamente. Além de mostrar quais bactérias estão presentes, esse método permite entender quais funções metabólicas elas exercem, fornecendo uma visão muito mais completa do ecossistema intestinal.
Os pesquisadores analisam múltiplos parâmetros além da simples identidade das bactérias. Avaliam a diversidade bacteriana (quantas espécies diferentes existem), a produção de metabólitos importantes como o butirato, o índice de disbiose intestinal (uma medida que quantifica o desequilíbrio), a riqueza de espécies, o equilíbrio entre os principais grupos bacterianos, e a capacidade metabólica geral da microbiota. Essa análise multidimensional fornece um retrato muito mais preciso do estado da saúde intestinal.
Ainda não fazem parte da rotina clínica padrão, mas esses exames têm sido cada vez mais utilizados em pesquisas científicas, especialmente em estudos que investigam a conexão entre microbiota intestinal e fertilidade.
O ESTUDO ESHRE 2026: Pesquisa Apresentada em Londres
A Dra. Ida Behrendt-Møller, da Universidade de Copenhague, apresentou um dos estudos mais interessantes do 42º Congresso da European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE), realizado em Londres, em julho de 2026. Este trabalho marca um ponto de inflexão no entendimento de como o intestino influencia a saúde reprodutiva.
O estudo acompanhou dois grupos de casais: aqueles com infertilidade diagnosticada e aqueles com histórico de perdas gestacionais recorrentes. Os pesquisadores realizaram uma análise simultânea da microbiota intestinal feminina, da microbiota seminal e de outros fatores relacionados à reprodução, criando um quadro holístico da saúde reprodutiva dos casais estudados.
Os resultados foram reveladores. Mulheres com disbiose intestinal apresentaram menor probabilidade de alcançar um nascimento com vida. Além disso, essas mulheres necessitaram de mais tempo para atingir esse objetivo, sugerindo que a disbiose não apenas reduz as chances de sucesso, mas também prolonga o tempo necessário para conseguir engravidar. Observou-se ainda uma menor chance de concepção em alguns dos grupos avaliados, indicando que a disbiose pode prejudicar os estágios iniciais da reprodução.
No entanto, é crucial interpretar esses resultados com cautela. Os próprios autores ressaltaram que o estudo demonstra uma associação, e não uma relação de causa e efeito. Ainda não é possível afirmar que a disbiose seja responsável, por si só, pelas dificuldades reprodutivas. A relação entre microbiota e fertilidade é complexa, multifatorial, e certamente envolve muitos outros mecanismos além daqueles ainda não totalmente compreendidos.
COMO MELHORAR A MICROBIOTA
Essa é, sem dúvida, a pergunta mais importante para qualquer pessoa que esteja tentando engravidar e queira otimizar sua saúde. Até o momento, não existe um medicamento capaz de “corrigir” a microbiota intestinal de forma específica e previsível para aumentar as taxas de gravidez. Não há uma pílula milagrosa que resolva o problema em dias.
As melhores evidências científicas continuam favorecendo medidas simples, mas que exigem consistência e compromisso. Uma alimentação rica em fibras é fundamental, pois as fibras servem como alimento para as bactérias benéficas, permitindo que elas prosperem e dominem a microbiota. Frutas, verduras, legumes e grãos integrais devem ser parte regular da dieta. Os alimentos fermentados, como kombucha, kinchi, kefir e iogurte natural, quando bem tolerados, podem contribuir para aumentar a diversidade bacteriana. Atividade física regular, controle adequado do peso e sono de qualidade também são fatores importantes que influenciam a composição da microbiota. Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, como refrigerante, salgadinhos, pratos prontos, fast food, embutidos e doce, é essencial, pois esses alimentos tendem a favorecer o crescimento de bactérias prejudiciais. Finalmente, o uso racional de antibióticos, tomando-os apenas quando verdadeiramente necessário, ajuda a preservar as bactérias benéficas.
Quanto aos probióticos, bactérias benéficas vendidas em forma de suplementos contendo espécies de Lactobacillus e Bifidobacterium, eles continuam sendo estudados. Porém, ainda não existe comprovação suficiente para recomendar um probiótico específico com o objetivo de aumentar as taxas de implantação embrionária ou de gravidez. Embora os probióticos possam ter potencial, faltam dados robustos de ensaios clínicos bem desenhados que comprovem sua eficácia em melhorar os resultados reprodutivos.
COMO MODULAR A MICROBIOTA INTESTINAL
Essa é, sem dúvida, a pergunta mais importante para qualquer pessoa que esteja tentando engravidar e queira otimizar sua saúde. Até o momento, não existe um medicamento capaz de “corrigir” a microbiota intestinal de forma específica e previsível para aumentar as taxas de gravidez. Não há uma pílula milagrosa que resolva o problema em dias.
Estratégias nutricionais para modular a microbiota
As melhores evidências científicas continuam favorecendo medidas simples, mas que exigem consistência e compromisso. Uma alimentação rica em fibras é fundamental, pois as fibras servem como alimento para as bactérias benéficas, permitindo que elas prosperem e dominem a microbiota.
Fibras prebióticas com maior evidência científica:
As fibras mais estudadas e com efeito comprovado na modulação da microbiota são os frutanos (inulina, frutooligossacarídeos – FOS, oligofrutose) e os galactooligossacarídeos (GOS). Essas fibras aumentam significativamente a abundância de Bifidobacterium e Lactobacillus, além de estimular a produção de butirato, molécula essencial para a saúde intestinal.
Fontes alimentares de fibras prebióticas:
- Frutanos (inulina e FOS): chicória, alho, cebola, alho-poró, aspargos, alcachofra, banana verde, raiz de yacon.
- Galactooligossacarídeos (GOS): leguminosas (feijões, lentilhas, grão-de-bico), ervilhas
- Beta-glucanas: aveia, cogumelos.
- Xilooligossacarídeos (XOS): milho, cascas de frutas.
- Amido resistente: batata cozida e resfriada, banana verde, arroz integral resfriado.
Outras fibras importantes:
- Frutas (maçã, pera, frutas vermelhas),
- Verduras (brócolis, couve, espinafre),
- Legumes e grãos integrais (quinoa,
- Arroz integral, aveia) devem ser parte regular da dieta.
A recomendação é consumir pelo menos 25-30g de fibras por dia, priorizando variedade de fontes.
Alimentos fermentados e polifenóis:
Os alimentos fermentados, quando bem tolerados, podem contribuir para aumentar a diversidade bacteriana. Exemplos incluem iogurte natural, kefir, chucrute, kimchi e kombucha. Alimentos ricos em polifenóis (frutas vermelhas, chá verde, cacau, azeite de oliva extravirgem) e ácidos graxos insaturados (peixes gordos, nozes, sementes de linhaça e chia) também favorecem o crescimento de bactérias benéficas como Faecalibacterium e Akkermansia.
Outras medidas essenciais:
Atividade física regular, controle adequado do peso e sono de qualidade também são fatores importantes que influenciam a composição da microbiota. Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados é essencial, pois esses alimentos tendem a favorecer o crescimento de bactérias prejudiciais. Finalmente, o uso racional de antibióticos – tomando-os apenas quando verdadeiramente necessário – ajuda a preservar as bactérias benéficas.
O papel dos probióticos
Quanto aos probióticos, suplementos contendo espécies de Lactobacillus e Bifidobacterium, as evidências científicas estão evoluindo rapidamente. Estudos recentes de 2026 mostram resultados promissores: uma meta-análise demonstrou que probióticos orais foram associados a maiores taxas de gravidez bioquímica (27% de aumento), gravidez clínica (71% de aumento) e nascidos vivos (24% de aumento) em mulheres com infertilidade. Outra meta-análise focada em mulheres submetidas a reprodução assistida encontrou que probióticos contendo Lactobacillus aumentaram as taxas de gravidez clínica em 49%, especialmente quando usados por mais de 14 dias.
Abordagem integrada: prebióticos + probióticos (simbióticos)
A estratégia mais eficaz parece ser a combinação de prebióticos (fibras) e probióticos, conhecida como simbióticos. As fibras alimentam as bactérias probióticas, aumentando sua sobrevivência e colonização intestinal. Estudos sugerem que simbióticos podem ser mais eficazes que probióticos isolados na melhora de parâmetros metabólicos, hormonais e inflamatórios relacionados à infertilidade, especialmente em mulheres com síndrome dos ovários policísticos.
Recomendação prática:
- Primeiro passo: Estabelecer uma alimentação rica em fibras prebióticas variadas (25-30g/dia), alimentos fermentados e polifenóis.
- Segundo passo: Considerar suplementação com probióticos contendo Lactobacillus e Bifidobacterium, preferencialmente por períodos superiores a 14 dias.
- Abordagem ideal: Uso concomitante de prebióticos (através da dieta) e probióticos (suplementação), criando um ambiente simbiótico favorável.
É importante ressaltar que, embora os resultados sejam promissores há necessidade de estudos maiores e mais bem desenhados. A escolha de cepas específicas, dosagens e duração do tratamento deve ser individualizada, preferencialmente com orientação profissional.
CONCLUSÃO
A microbiota intestinal deixou de ser apenas um tema da gastroenterologia para ocupar um espaço cada vez mais relevante na medicina reprodutiva. O estudo apresentado pela Dra. Ida Behrendt-Møller durante o 42º Congresso da ESHRE, em Londres, reforça essa mudança de paradigma ao demonstrar que alterações na microbiota intestinal estiveram associadas a menor chance de concepção e a um maior tempo até o nascimento com vida.
Embora esses resultados sejam promissores, eles devem ser interpretados com cautela. Ainda não existe evidência suficiente para recomendar exames de microbiota intestinal ou tratamentos específicos para todas as pacientes com infertilidade. No entanto, esses achados ampliam nossa compreensão sobre a reprodução humana e indicam que a fertilidade depende de uma complexa interação entre genética, hormônios, metabolismo, sistema imunológico e microbiota.
A mensagem mais importante é que o intestino não deve ser visto apenas como um órgão digestivo, mas como um participante ativo da saúde reprodutiva. Com o avanço das pesquisas, é possível que a avaliação da microbiota intestinal venha a integrar, no futuro, uma abordagem mais personalizada e precisa para casais com dificuldade para engravidar.
Mensagem Final
A microbiota intestinal representa uma das áreas mais promissoras da reprodução humana contemporânea. Ainda estamos aprendendo a interpretar essa “nova linguagem” do organismo, mas uma coisa já parece clara: cuidar do intestino é cuidar da saúde como um todo, e isso inclui, potencialmente, a saúde reprodutiva.
Perguntas e respostas
Sim. Hoje existem evidências de que a microbiota intestinal participa da regulação do sistema imunológico, do metabolismo dos hormônios femininos e do controle da inflamação, fatores importantes para que a gravidez aconteça. Entretanto, ela não é a única responsável pela fertilidade.
Ainda não podemos afirmar isso com certeza. Os estudos mostram uma associação entre disbiose e piores resultados reprodutivos, mas ainda não foi comprovado que ela seja a causa direta da infertilidade.
Atualmente, essa investigação ainda não faz parte da rotina para todos os casais inférteis. Ela pode ser considerada em protocolos de pesquisa ou em casos selecionados, principalmente quando existem doenças inflamatórias intestinais, obesidade, síndrome metabólica, endometriose ou falhas repetidas de implantação. Ainda não há recomendação das principais sociedades científicas para sua utilização rotineira.
Na maioria dos estudos científicos, a análise é realizada a partir de uma amostra de fezes, utilizando técnicas modernas de sequenciamento genético, principalmente o sequenciamento metagenômico (shotgun metagenomics), que identifica milhares de microrganismos e suas funções metabólicas.
Não. O mais importante não é a presença de uma única bactéria, mas sim o equilíbrio entre toda a comunidade bacteriana e uma boa diversidade de espécies.
Até o momento, nenhum estudo clínico demonstrou de forma consistente que o uso de probióticos, isoladamente, aumente as taxas de implantação, gravidez ou nascimento com vida em pacientes submetidas à fertilização in vitro. As pesquisas continuam em andamento.
Muito. Dietas ricas em fibras, verduras, frutas, legumes, grãos integrais e alimentos minimamente processados favorecem uma microbiota mais diversa e, consequentemente, um ambiente metabólico e imunológico mais saudável.
Diversos estudos sugerem que sim. Acredita-se que alterações da microbiota possam favorecer processos inflamatórios relacionados à endometriose. Entretanto, ainda não está estabelecido se a disbiose é causa, consequência ou apenas um fator associado à doença.
Atualmente, a microbiota intestinal possui evidências científicas mais robustas. A microbiota endometrial continua sendo uma área promissora, porém ainda enfrenta importantes desafios metodológicos, principalmente devido à baixa quantidade de bactérias presentes no endométrio.
Alternar conteúdo
A fertilidade depende de diversos fatores: idade, qualidade dos óvulos, qualidade dos espermatozoides, qualidade do embrião, saúde do útero, metabolismo adequado, sistema imunológico equilibrado e, provavelmente, também da microbiota intestinal. Cuidar da saúde intestinal faz parte de um estilo de vida saudável e pode contribuir para um organismo mais preparado para a gestação. Embora ainda não exista uma intervenção específica comprovada para corrigir a disbiose com o objetivo inequívoco de aumentar as taxas de gravidez, sabemos que os benefícios de manter um intestino saudável se estendem muito além da fertilidade.
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