Obesidade e fertilidade

O IMC ideal é estar entre 20 e 25, podendo ser aceitável até 30. Homens e mulheres que tem IMC abaixo de 20 ou acima de 30 podem ter sua fertilidade prejudicada. Alguns estudos demonstram que homens com IMC maior do que 25 têm maior índice de fragmentação do DNA do espermatozoide, o que pode levar a falha no processo de fertilização. A obesidade masculina pode levar ainda a alterações hormonais. Ela está relacionada à redução da testosterona, o que pode levar a redução de libido e a problemas de ereção.

As mulheres com peso acima do normal podem ter menstruações irregulares ou até mesmo não menstruarem e nem terem ovulação. Isto ocorre porque, uma vez que o hormônio estrogênio é produzido no ovário e no tecido gorduroso, ao haver gordura demais, o corpo produz mais estrogênio, interferindo assim no ciclo menstrual e na ovulação além de levar a resistência insulina, hormônio que está relacionado ao crescimento folicular e produção de estradiol pelos ovários.

Além de dificultar a ovulação, as alterações hormonais causadas e a resistência a insulina levam a alterações nas células dos folículos, alterando a qualidade do óvulos. Essas alterações metabólicas aumentam ainda os radicais livres, também associados à má qualidade dos óvulos. Com isso pode haver menor taxa de fertilização dos óvulos e menor desenvolvimento dos embriões.

A obesidade leva, ainda, a uma menor receptividade endometrial. Um estudo com mais de 9.587 mulheres receptoras de óvulos de doadoras não obesas demostrou uma menor taxa de gravidez em receptoras obesas, demonstrando que obesidade prejudica a implantação do embrião. Acredita-se que a leptina, hormônio produzido pelo tecido adiposo, pode estar associada a alteração na receptividade endometrial.

Obesidade pode estar ainda associada à Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), síndrome caracterizada por um desequilíbrio hormonal, aumento dos hormônios masculinizantes e resistência a insulina. As mulheres com SOP têm aumento de pêlos, irregularidade menstrual e anovulação.

Nos tratamentos de reprodução assistida, a obesidade também dificulta os tratamentos de reprodução assistida de diversas formas, por exemplo:

  • Imagens de ultrassom prejudicadas.
  • Maior risco de lesão durante a coleta de óvulos; .
  • A absorção pela via subcutânea, principal via de utilização dos medicamentos estimuladores dos ovários, pode ser prejudicada nas pacientes obesas. Há necessidade de um processo de estimulação mais agressivo com doses mais elevadas dos medicamentos e em geral com mais dias de medicação.
  • Há maior chance de uma má resposta à estimulação ovariana.
  • Taxas de sucesso mais pobres dos tratamentos de reprodução assistida. Uma revisão sistemática e meta-análise de 21 estudos, englobando 682.532 ciclos de fertilização in vitro comparou mulheres obesas com mulheres de peso normal e demonstrou uma menor taxa de nascidos-vivos no grupo das pacientes obesas.

Além disso, se uma gravidez é alcançada, a obesidade está associadaainda a diversas complicações, a saber:

  • Distúrbios hipertensivos (incluindo um maior risco de pré-eclâmpsia)
  • Diabetes gestacional
  • Trabalho de parto prolongado
  • Maior incidência de parto por cesárea
  • Macrossomia (“síndrome do bebê grande”)
  • Distócia do ombro no momento do parto (uma emergência obstétrica onde o ombro do bebê não passapela bacia)
  • Aumento da perda de sangue
  • Aumento da necessidade de cuidados intensivos neonatais

Assim, estar com sobrepeso ou obesidade acarreta maiores custos diretos e indiretos dos tratamentos de infertilidade, menor taxa de sucesso e prejuízo no resultado obstétrico e perinatal, além de um risco aumentado para mãe e feto. Devido a isso, muitos serviços não fazem tratamento de reprodução em pacientes obesas.

Essa conduta é alvo de muitas críticas, sendo considerada discriminatória, principalmente se levarmos em consideração alguns pontos:

  • Há muita dificuldade em se implementar uma política de controle peso para o tratamento de infertilidade
  • A eficácia de programas de perda de peso no tratamento da obesidade é limitada
  • Os valores de corte do IMC são arbitrários
  • As questões da estigmatização e discriminação do obeso
  • Esta conduta fere a autonomia da paciente que, mesmo ciente dos riscos, deseja realizar o tratamento.
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