A condição tradicionalmente conhecida como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou a ser chamada de SOMP – Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina. Em inglês, a sigla adotada é PMOS, de Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome. A mudança de nome não significa que a doença tenha mudado, nem que os conhecimentos anteriores tenham perdido valor. O que mudou foi a forma de compreender e comunicar a síndrome.
Durante muitos anos, o termo “ovários policísticos” levou muitas pacientes a acreditarem que a doença era definida apenas pela presença de cistos no ovário. Essa interpretação é incompleta. Em muitas mulheres, o achado ultrassonográfico não representa cistos verdadeiros, mas folículos que não completaram adequadamente seu desenvolvimento. Além disso, algumas pacientes podem preencher critérios diagnósticos da síndrome mesmo sem apresentar ovários com aspecto policístico ao ultrassom.
Por isso, o novo nome é mais fiel ao que acontece no organismo. A palavra “ovariana” mantém a importância das alterações ovulatórias e reprodutivas. A palavra “metabólica” reconhece a relação com resistência à insulina, ganho de peso, diabetes tipo 2, dislipidemia e risco cardiovascular. A palavra “poliendócrina” mostra que vários eixos hormonais podem estar envolvidos, e não apenas os ovários.
Assim, a SOMP deve ser entendida como uma condição hormonal, metabólica e reprodutiva sistêmica. Essa mudança ajuda a paciente a compreender melhor o diagnóstico e também orienta uma investigação mais ampla, que não se limita ao ultrassom, mas inclui ovulação, androgênios, metabolismo, saúde endometrial e riscos futuros. É importante deixar claro que nada mudou em relação ao tratamento e a abordagem clínica, a mudança do nome é exclusiva para facilitar a compreensão e a comunicação dessa síndrome.
Índice
ToggleEstima-se que a SOMP acometa entre 10% e 13% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. No entanto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 70% das mulheres afetadas permanecem sem diagnóstico. A SOMP é a principal causa de disfunção ovulatória, podendo provocar desde ausência de menstruação (amenorreia) até ciclos menstruais irregulares, com atrasos frequentes, além de representar mais de 75% dos casos de infertilidade de causa ovulatória.
Na SOMP, os folículos ovarianos iniciam seu desenvolvimento, mas não completam o processo de maturação e ruptura característico da ovulação. Como consequência, o óvulo não é liberado e esses pequenos folículos permanecem acumulados nos ovários, conferindo o aspecto policístico observado ao ultrassom. Além da alteração ovulatória, ocorre aumento da produção de androgênios (hormônios masculinos), o que pode causar manifestações clínicas como excesso de pelos (hirsutismo), acne e, em algumas mulheres, queda de cabelo (alopecia androgenética). Essas alterações frequentemente impactam a autoestima, a saúde mental e a qualidade de vida das pacientes.
A síndrome também está associada a importantes repercussões metabólicas e cardiovasculares. Mulheres com SOMP apresentam maior risco de resistência à insulina, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia e doenças cardiovasculares. Além disso, a ausência de ovulações regulares pode levar à exposição prolongada do endométrio ao estrogênio sem a ação protetora da progesterona, aumentando o risco de hiperplasia endometrial e câncer de endométrio. Por sua elevada prevalência, pelas repercussões reprodutivas, metabólicas e psicossociais e pelo impacto na saúde ao longo da vida, a SOMP é considerada um dos temas mais relevantes da endocrinologia ginecológica e reprodutiva.
O QUE SÃO CISTOS?
Cistos são pequenas bolsas contendo líquido que podem surgir em diferentes órgãos do corpo. Nos ovários, porém, é importante diferenciar os cistos verdadeiros dos folículos ovarianos, que fazem parte do funcionamento normal do ciclo menstrual.
Todos os meses, vários pequenos folículos, medindo entre 5 e 9 mm (folículos antrais), iniciam seu desenvolvimento nos ovários. Cada folículo contém um óvulo. Durante a primeira fase do ciclo menstrual, um deles torna-se dominante, cresce progressivamente e, próximo ao período da ovulação, atinge cerca de 18 a 22 mm de diâmetro. Nesse momento, o folículo se rompe, liberando o óvulo, que é captado pela tuba uterina (trompa), onde poderá ser fecundado caso haja relação sexual no período fértil.
Esse folículo faz parte do funcionamento normal do ovário e, por isso, é chamado de folículo funcional. Após a ovulação, ele dá origem ao corpo lúteo, outra estrutura fisiológica do ciclo menstrual. Já os cistos ovarianos verdadeiros surgem quando há alterações nesse processo ou quando se desenvolvem lesões benignas ou, mais raramente, malignas, exigindo avaliação específica.
Na antiga nomenclatura Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), a palavra “cistos” sempre gerou confusão. Na maioria das mulheres com a síndrome, o que se observa ao ultrassom não são cistos patológicos, como tumores ou lesões que necessitam de cirurgia, mas sim um número aumentado de pequenos folículos antrais que interromperam seu desenvolvimento por alterações da ovulação. Esses folículos permanecem distribuídos na periferia do ovário, conferindo o aspecto característico ao exame de imagem.
Por esse motivo, a nomenclatura Síndrome dos Ovários Micropolicísticos (SOMP) procura corrigir uma interpretação equivocada. A síndrome não é uma doença causada por cistos. Trata-se de um distúrbio complexo, que envolve alterações da ovulação, excesso de androgênios, resistência à insulina, disfunções metabólicas, alterações endometriais e aumento do risco cardiovascular. Assim, embora o ultrassom seja um importante componente da avaliação, ele representa apenas um dos critérios diagnósticos e nunca deve ser interpretado isoladamente
GENÉTICA E HEREDITARIEDADE
Acredita-se que a SOMP tenha caráter hereditário e muitas publicações científicas têm confirmado esta possibilidade. Filhas e irmãs de mulheres com SOMP tem 50% mais de chance de desenvolver este problema. Além disso, mesmo em irmãos de sexo masculino, foram observadas alterações laboratoriais idênticas às suas irmãs com esta síndrome.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é feito por meio do histórico da paciente, exame clínico e exames laboratoriais.
Mesmo com a mudança da nomenclatura de SOP para SOMP, a base do diagnóstico continua sendo clínica, hormonal e metabólica. A paciente deve ser avaliada pelo padrão menstrual, sinais de hiperandrogenismo, exames hormonais, ultrassonografia quando indicada e investigação de outras doenças que podem imitar o mesmo quadro.
A mudança de nome reforça que o diagnóstico não deve depender apenas do ultrassom. A presença de ovários com morfologia policística pode ajudar, mas não é obrigatória em todas as pacientes adultas. Quando a paciente apresenta irregularidade menstrual e hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, o diagnóstico pode ser feito sem a necessidade obrigatória do ultrassom para confirmação, desde que outras causas tenham sido excluídas.
Em alguns contextos, as diretrizes internacionais mais recentes também aceitam o AMH elevado como marcador substituto da morfologia ovariana policística em mulheres adultas. Esse uso deve ser interpretado com cautela, considerando idade, método laboratorial, contexto clínico e exclusão de outras doenças.
Em adolescentes, o diagnóstico deve ser mais cauteloso. Ovários multifoliculares podem ser normais nos primeiros anos após a menarca. Por isso, em adolescentes, a presença de irregularidade menstrual persistente associada ao hiperandrogenismo tem mais valor do que o aspecto ovariano no ultrassom. Ultrassom e AMH não devem ser usados isoladamente para fechar o diagnóstico nessa fase.
HISTÓRICO DA PACIENTE E EXAME FÍSICO
- Menstruação irregular: é uma das principais características, presente em 75% das mulheres com SOMP. As menstruações vêm esporadicamente podendo demorar até 90 dias entre uma e outra. Metade destas pacientes apresenta amenorreia (ausência de menstruações), que só aparecem quando as pacientes recebem medicamentos para menstruar.
- Obesidade: pelo menos metade dessas mulheres estão acima do peso, isto é, o Índice de Massa Corpórea (IMC) está acima dos 25 (lembrete: IMC = Peso/Altura ao quadrado). Esse é um fator fundamental para futuras complicações desta doença. Esse aumento de peso, em geral, é devido ao aumento da gordura abdominal. A circunferência abdominal superior a 88 cm está associada a um maior risco de problemas cardíacos (alguns já consideram valores acima de 80 cm).
- Infertilidade: devido às alterações hormonais, essas mulheres passam a ovular menos ou de maneira inadequada e por isso, podem ter dificuldade em engravidar. Das causas de infertilidade, o fator ovulatório ocupa um lugar de destaque e 75% destas causas ovulatórias são devido a esta síndrome. Além disso, essas mulheres têm um maior índice de abortamento.
- Hirsutismo: é o aparecimento de pelos em locais onde normalmente não deveriam existir na mulher (face, tórax, glúteos, ao redor dos mamilos, região inferior do abdômen e parte superior do dorso). Está presente em 65-75% das pacientes com SOMP.
- Acne: 30% das mulheres com SOMP têm este sinal que consiste num processo inflamatório da pele do rosto caracterizada por erupções superficiais causadas pela obstrução dos poros. A acne é relacionada a um aumento da secreção das glândulas sebáceas da pele, também decorrente do hiperandrogenismo (aumento de hormônios masculinos).
- Alopecia: é a queda em excesso de cabelos na região do couro cabeludo levando à rarefação de pelos, comum aos homens e raro nas mulheres. É relacionada a um meio hiperandrogênico, mas também depende de predisposição genética para seu surgimento. Assim, mulheres com tal predisposição e que têm uma hipersecreção androgênica podem apresentar este tipo de alopecia. Está presente em 10% das mulheres com SOMP.
- Seborreia: é a oleosidade da pele e couro cabeludo.
- Acantosis nigricans: é o aumento da pigmentação da pele (manchas escuras) em áreas de dobras, como pescoço e axilas.
EXAMES COMPLEMENTARES
- Ultrassom: o ideal é ser realizado pela via transvaginal, mas, muitas vezes, é impossível de ser realizado (em mulheres virgens). Neste exame, observa-se o volume ovariano (>10cm3), a textura do ovário e a presença de pequenos cistos. Se houver a presença de 12 ou mais folículos em cada ovário, medindo 2 a 9 mm no seu maior diâmetro, caracteriza-se um dos sinais desta síndrome.
Resistência à insulina: a insulina é um hormônio responsável por facilitar a entrada da glicose na célula. Em algumas doenças, como a SOMP, existe um defeito na sua ação, o que leva a um acúmulo de glicose no sangue. Como consequência pode surgir a o diabetes e um aumento da concentração deste hormônio no sangue. Os exames para investigar a resistência à insulina são muito importantes, tanto para o diagnóstico quanto para avaliar as possíveis complicações futuras que serão descritas mais adiante. Existem algumas dificuldades nesta avaliação, pois, até hoje, não há um exame específico para o diagnóstico definitivo. Atualmente, a melhor opção é a dosagem da glicemia e a insulina em jejum, com posterior cálculo de HOMA-IR.
AVALIAÇÃO HORMONAL
- FSH e LH: em pacientes com SOMP, costuma haver aumento de LH em relação ao FSH (3:1), embora não esteja sempre presente;
- Androgênios: testosterona, testosterona livre, SHBG e SDHEA, androstenediona, frequentemente aumentados em SOMP, auxiliando no diagnóstico.
- Além disso, alguns exames laboratoriais são necessários para descartar outras causas de hirsutismo e irregularidade menstrual:
- Hidroxiprogesterona (17 OHP) – para descartar a hiperplasia congênita da glândula suprarrenal que pode causar um quadro clínico semelhante à SOMP;
- T3, T4, T4 livre e TSH – são hormônios ligados à tireoide e sua alteração pode causar irregularidade menstrual, se confundindo com SOMP;
- Prolactina – hormônio que está aumentado normalmente em mulheres que estão amamentando, mas, fora desta condição, causa alterações menstruais;
- Cortisol – hormônio que, quando aumentado, pode também pode causar quadro de hirsutismo.
AVALIAÇÃO METABÓLICA
- Perfil lipídico (colesterol, triglicérides);
- Curva glicêmica (TTGO) com insulina: dosagem de insulina e glicemia de jejum e nova glicemia após 2 horas da ingestão de 75g de glicose;
- HOMA-IR/HOMA-B – são testes para avaliar a resistência à insulina.
DIAGNÓSTICO: CONSENSO DE ROTTERDAN
Uma dúvida muito comum após a mudança de SOP para SOMP é se o Consenso de Rotterdam deixou de existir ou se os critérios antigos foram abandonados. A resposta é: não. O que mudou foi principalmente o conceito e a comunicação da síndrome, não a lógica diagnóstica básica em mulheres adultas.
A paciente deixa de ser vista como alguém que tem apenas uma doença “dos cistos no ovário” e passa a ser compreendida como alguém com uma síndrome ovariana, metabólica e poliendócrina. No entanto, para o diagnóstico em mulheres adultas, ainda se utiliza a lógica de pelo menos dois critérios entre três, sempre após a exclusão de outras causas hormonais.
Os três critérios clássicos derivados de Rotterdam são:
- Hiperandrogenismo clínico ou laboratorial: aumento de hormônios masculinos, que pode aparecer como excesso de pelos, acne, queda de cabelo, oleosidade da pele ou alterações em exames como testosterona, testosterona livre, SHBG, androstenediona e DHEAS.
- Disfunção ovulatória: ciclos menstruais irregulares, ciclos muito longos, oligomenorreia, amenorreia ou sinais de anovulação.
- Morfologia ovariana policística: ovários com muitos folículos pequenos ao ultrassom ou, conforme diretrizes mais recentes e em situações específicas, AMH elevado como marcador substituto da morfologia ovariana policística em mulheres adultas.
Assim, a paciente adulta pode receber o diagnóstico quando apresenta A + B, A + C ou B + C. Isso explica por que uma mulher pode ter SOMP mesmo sem ter, obrigatoriamente, ovários com múltiplos folículos no ultrassom.
É fundamental lembrar que o diagnóstico de SOMP é de exclusão. Antes de confirmar a síndrome, o médico deve afastar outras condições que podem causar sintomas parecidos, como alterações da tireoide, hiperprolactinemia, hiperplasia congênita da suprarrenal, Síndrome de Cushing e tumores produtores de androgênios.
Em adolescentes, a regra é diferente e mais cuidadosa. O diagnóstico não deve ser feito apenas pelo ultrassom, porque ovários multifoliculares podem fazer parte da transição puberal. Nessa fase, valorizam-se principalmente a irregularidade menstrual persistente e o hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, sempre com acompanhamento ao longo do tempo.
Portanto, a mudança de SOP para SOMP não elimina os critérios de Rotterdam. Ela muda a interpretação: a síndrome deixa de ser vista como uma alteração restrita aos ovários e passa a ser compreendida como uma condição sistêmica, com repercussões hormonais, metabólicas, reprodutivas, dermatológicas, psicológicas e cardiovasculares.
FENÓTIPOS DA SOMP
O que mudou?
Quando falamos em SOMP, antiga SOP, muitas pessoas imaginam que todas as pacientes são iguais. Mas não são. A síndrome pode se apresentar de formas diferentes, e reconhecer esses fenótipos ajuda a individualizar o tratamento, principalmente em reprodução assistida.
A classificação mais usada deriva dos critérios de Rotterdam e organiza as pacientes de acordo com três grandes componentes: hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística. A combinação desses critérios forma quatro fenótipos principais.
Além desses quatro fenótipos, estudos mais recentes mostram que algumas pacientes apresentam uma forma predominantemente metabólica, marcada por maior peso, resistência à insulina, maior risco de diabetes, alterações de colesterol e pressão arterial. Outras apresentam um padrão mais reprodutivo ou hormonal, com maior destaque para ovulação irregular, hiperandrogenismo ou resposta ovariana aumentada.
Na prática clínica, isso significa que a SOMP não deve ser tratada como um diagnóstico único e igual para todas. Cada paciente precisa ser avaliada pelo seu padrão menstrual, grau de hiperandrogenismo, metabolismo, peso, resistência à insulina, reserva ovariana, ultrassom, AMH e objetivo reprodutivo.
Na fertilização in vitro, essa diferenciação é especialmente importante. A escolha da dose inicial de gonadotrofinas, o tipo de protocolo, o gatilho final da ovulação, a necessidade de congelamento de todos os embriões e o momento ideal para transferência devem ser personalizados. Em pacientes com muitos folículos, AMH elevado ou risco aumentado de hiperestimulação ovariana, a estratégia deve priorizar segurança, resposta controlada e prevenção de complicações.
Conhecer o fenótipo da SOMP não é apenas uma informação técnica. É uma forma de tratar melhor, com mais precisão, mais segurança e maiores chances de sucesso.
SÍNDROME METABÓLICA
Cerca de 50% das pacientes com SOP desenvolvem a chamada síndrome metabólica.
Com a nova nomenclatura, esse capítulo ganha ainda mais importância. A palavra “metabólica” foi incluída no nome SOMP exatamente para deixar claro que a síndrome não se limita aos ovários. Resistência à insulina, obesidade abdominal, alterações de colesterol, hipertensão arterial e risco aumentado de diabetes tipo 2 fazem parte da avaliação global dessas pacientes.
Na reprodução assistida, essa avaliação também é relevante porque o metabolismo interfere na segurança da estimulação ovariana, na qualidade do ambiente hormonal, no preparo endometrial e nos riscos obstétricos. Por isso, antes de iniciar tratamentos como indução da ovulação, inseminação ou fertilização in vitro, pode ser necessário corrigir fatores metabólicos, orientar alimentação, atividade física, perda de peso quando indicada e uso de medicações como metformina em casos selecionados.
Diagnóstico: leva em conta as características clínicas (presença dos fatores de risco) e dados laboratoriais. Basta a associação de três dos fatores abaixo relacionados para diagnosticar a síndrome metabólica:
- Obesidade central ou periférica determinada pelo índice de massa corpórea (IMC), ou pela medida da circunferência abdominal (nos homens, o valor normal vai até 102 e nas mulheres, até 88 – atualmente existe a tendência de diminuir estes valores para 90 e 80, respectivamente);
- Níveis aumentados de triglicérides e ácido úrico;
- Valores baixos de HDL, o colesterol bom, e elevados de LDL, o mau colesterol;
- Hipertensão arterial;
- Glicemia em jejum superior a 100, ou entre 140 e 200 depois de ter tomado glicose.
Pode ainda estar presente:
- Ácido úrico elevado;
- Microalbuminúria, isto é, eliminação de proteína pela urina;
- Fatores pró-trombóticos que favorecem a coagulação do sangue;
- Marcadores inflamatórios elevados (a inflamação da camada interna dos vasos sanguíneos favorece a instalação de doenças cardiovasculares).
COMPLICAÇÕES FUTURAS
A SOP não deve ter seu foco somente nos sintomas, isto é, não se deve apenas tratar a acne, excesso de pelos, irregularidade menstrual e dificuldade para engravidar. A paciente deve ser orientada sobre a importância dos malefícios em longo prazo para poder se prevenir. Paciente com SOP, principalmente se associada à síndrome metabólica, tem aumento de risco para:
CÂNCER ENDOMETRIAL
O câncer endometrial é o quarto mais comum entre as mulheres e o mais frequente entre os do sistema reprodutivo feminino, quando não se consideram as mamas. A SOP pode aumentar a chance desta doença pelas alterações hormonais que levam a ciclos menstruais longos, com um estímulo estrogênico prolongado, que estimula a proliferação do endométrio, sem a ação do hormônio progesterona (que tem ação antiproliferativa). Além disso, a SOP é acompanhada muitas vezes da obesidade, que também é fator de risco para câncer de endométrio por produção estrogênica no tecido adiposo.
ALTERAÇÕES DO SONO OU APNÉIA NOTURNA
Alguns homens (17% a 24%) e algumas mulheres (5% a 9%) apresentam distúrbio do sono e repetidos episódios de dificuldade de respiração durante o mesmo. Este fato está frequentemente associado com obesidade, distribuição inadequada da gordura pelo corpo, à resistência da insulina, hipertensão arterial e à síndrome dos ovários policísticos, principalmente quando houver excesso de andrógenos.
DIABETES
A resistência à insulina favorece o surgimento do diabetes. Este favorecimento pode ser ainda maior quando estiver acompanhado de obesidade. O controle de peso rigoroso e a dieta alimentar equilibrada diminuem a possibilidade desta complicação. A ocorrência de diabetes tipo 2 é de cinco a dez vezes mais frequente nas portadoras de SOP que na população em geral, sendo que este risco independe da obesidade. Além disso, nas pacientes com a síndrome, o início da doença acontece mais precocemente (entre a terceira e a quarta décadas de vida).
DOENÇA CARDIOVASCULAR
Há acúmulo de radicais livres e aumento de dano vascular, o que eleva a possibilidade de ocorrência de trombose, que, associada a um aumento da secreção de insulina, gera maior risco de infarto do miocárdio, além do risco aumentado de hipertensão e colesterol alterado.
TRATAMENTOS
Entre os problemas mais comuns estão aqueles ligados à fertilidade. Os tratamentos visam ajudar os casais que têm dificuldade em engravidar, diminuir as complicações da gestação (abortos, hipertensão gestacional e diabetes gestacional) regularizar as menstruações, combater o excesso de hormônios masculinos, prevenir o câncer do endométrio, diminuir o risco de diabetes tipo II e a doença cardiovascular (síndrome metabólica).
ESTILO DE VIDA E TERAPIA ALIMENTAR
A redução de peso deve ser recomendada a pacientes obesas ou com sobrepeso (IMC entre 25 e 30). Alguns estudos demonstram que a perda de 5 a 10% do peso corpóreo pode restaurar a ovulação e a fertilidade, além de melhorar o colesterol, a pressão arterial, a resistência à insulina e diminuir as queixas de excesso de pelos e acne. Para isto, é fundamental a modificação do estilo de vida, uma dieta balanceada e a prática de exercícios físicos de forma regular (principalmente aqueles que aumentem a circulação pélvica). Como nesta síndrome frequentemente existe o aumento da resistência à insulina que faz aumentar os níveis de glicose, a melhor dieta é evitar alimentos ricos em carboidrato.
DICAS DE ALIMENTAÇÃO
- Evite ao máximo todas as formas de açúcar;
- Evite ao máximo os carboidratos, como por exemplo, o pão, as massas, o arroz, os cereais no café da manhã e os bolos, pois são rapidamente transformados em açúcares;
- Evite refrigerantes, sucos de frutas que possam elevar os níveis de açúcar, principalmente laranja, melancia e uva;
- Consuma quantidades adequadas de proteínas, mas tome cuidado com carnes que podem conter hormônios;
- Coma vegetal à vontade, frutas vermelhas, que não são muito doces (morango, framboesa, cereja, amora etc.) e alimentos integrais, como arroz e aveia;
- Prefira leite e derivados desnatados ou “light”;
- Elimine álcool e cigarro;
- Aumente a quantidade de alimentos com fibra.
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
Os tratamentos devem ser escolhidos de acordo com o perfil e a prioridade da paciente. Entretanto, não devem ser deixados de lado os riscos de complicações futuras causadas pela doença. Os problemas estéticos são importantes e devem ser medicados com drogas específicas, como no caso do hirsutismo e acne. O acompanhamento por especialistas em medicina estética pode ser bastante útil.
A escolha do tipo de medicamento vai depender do objetivo da paciente. Se ela não quiser ter filhos, apresentar irregularidade menstrual e pelos em excesso, os anticoncepcionais poderão ser uma boa escolha. Muitos deles contêm na fórmula substâncias antiandrogênicas (anti-hormônio masculino) chamadas ciproterona (Diane, Selene e Diclin). Se hirsutismo intenso, outros medicamentos podem ser utilizados como espironolactona, finasterida, eflornitina (creme de aplicação local que reduz a quantidade de pelos) e, por último, a flutamida, perigosa pelo seu efeito agressivo ao fígado.
COMBATENDO A RESISTÊNCIA À INSULINA – AGENTES SENSIBILIZANTES DA INSULINA – METFORMINA:
Estas drogas aumentam a sensibilidade do organismo à insulina, o que resulta na diminuição deste hormônio, dos androgênicos, restauração dos ciclos menstruais ovulatórios, diminuição das chances de aborto e diabetes gestacionais, além da própria diminuição do peso.
A droga mais utilizada para este fim é a metformina e a dose diária é de 1500 a 2000 mg. Os efeitos benéficos podem demorar meses para serem percebidos, mas a paciente não deve desanimar, pois este tempo de espera é normal. Este medicamento pode produzir efeitos colaterais desagradáveis como diarreia, náuseas, flatulência (gases), entretanto, uma nova formulação de liberação lenta (Glifage-XR) pode ser tomada em dose única, três comprimidos no jantar, com efeitos mínimos indesejáveis.
OUTRAS DROGAS SENSIBILIZANTES DA INSULINA
Embora a metformina seja a mais utilizada para este fim, outros medicamentos, com efeitos semelhantes, têm sido utilizados. Entre elas: Pioglitazona, Rosiglitazona, Glucobay (Acarbose), NAC (N-acetilcisteína), D-chiro-inositol e myo-inositol
O glucobay (acarbose) é um hipoglicemiante e pode ser usado na dose 150 a 300 mg/dia.
O NAC (N–acetilcisteína) tem o nome comercial de Fluimucil e é usado também para problemas respiratórios. É um antioxidante que melhora a concentração de insulina. Um estudo realizado na Universidade Católica de Roma, na Itália, demonstrou que o uso de 1,8 a 3,0 g de NAC por dia diminui a concentração de androgênios, colesterol e triglicérides, entre outras vantagens.
D-chiro-inositol e myo-inositol são isômeros do inositol, substância mediadora de vários processos celulares. Pacientes com SOP podem apresentar deficiência da enzima que produz o inositol no organismo. Sua função está em melhorar a ação da insulina, reduzindo, assim, a resistência à insulina, o hiperandrogenismo e normalizando os ciclos menstruais.
Existem ainda medicamentos naturais que podem ser uma alternativa interessante, mas só devem ser receitados por especialistas em medicina natural. Os principais são:
- Clorophyl: melhora os sintomas de hipoglicemia;
- Chromium: aumenta a sensibilidade dos receptores de insulina (300 miligramas por dia);
- Extrato de Canela (cinnamon): é uma nova alternativa, ajuda a diminuir os níveis de glicemia. A dose indicada é de 1g/dia dividida em três doses na colher de chá, três vezes ao dia;
- Vitaminas B, Magnésio, ácido alfalipórico, ácido linoléicos conjugados: melhoram a resistência à insulina;
- Outras drogas: picolinato de cromo (0,2mcg/dia) e Poria Pill.
DROGAS COMPLEMENTARES QUE AJUDAM NO CONTROLE DE PESO
Algumas drogas aumentam o controle do peso e podem ser utilizadas em conjunto com uma dieta alimentar equilibrada, exercícios físicos e um estilo de vida adequado. As indicações são restritas ao médico que fará o controle de peso. Entre as possibilidades estão: Sibutramina, Orlistat e, por último, a Rimonabant, que é uma substância antagonista dos receptores endocanabinoides, todas responsáveis pelo controle de peso.
TRATAMENTO DA INFERTILIDADE
No tratamento da infertilidade, como nos casos anteriores a primeira linha de tratamento é a perda de peso que, às vezes, isoladamente já faz a paciente apresentar ciclos ovulatórios. Além disso, obesidade está associada a um maior risco de aborto e diminuição do sucesso nos tratamentos. Se a resistência à insulina estiver presente, metformina também ajuda na recuperação de ciclos ovulatórios, melhor resposta aos indutores de ovulação e diminuição do risco de aborto.
Para indução da ovulação, citrato de clomifeno é a primeira escolha pelo baixo custo, facilidade de usar e taxa de ovulação de 70-80% por ciclo, com gravidez cumulativa após 6 meses de até 50-60%, quando única causa de infertilidade. Outra opção é o uso de inibidores da aromatase (letrozole), considerada hoje a primeira linha de medicamento para indução da ovulação em SOP. Pode ainda utilizar gonadotrofinas injetáveis em diferentes esquemas de indução.
Outra opção, quando o ovário é resistente aos esquemas de indução de ovulação, é o tratamento cirúrgico chamado drilling ovariano. Sob laparoscopia, realiza-se 4 a 10 furos na superfície e estroma dos ovários com eletrocautério. Cerca de 90% das pacientes normalizam ciclos após o procedimento. Tem o inconveniente de ser um procedimento cirúrgico e há a preocupação de causar aderências pélvicas, levando a um fator a mais de infertilidade.
Quando a opção for a fertilização in vitro (FIV), as pacientes com SOMP podem apresentar boas taxas de sucesso, mas exigem planejamento cuidadoso por causa do risco aumentado de resposta ovariana exagerada e síndrome de hiperestimulação ovariana. Esse risco varia conforme o fenótipo, o AMH, a contagem de folículos antrais, o peso, a resistência à insulina e o histórico de resposta a estímulos anteriores.
Por isso, a estimulação deve ser individualizada. Em muitas pacientes, dá-se preferência a protocolos com antagonista de GnRH, doses iniciais mais cautelosas de gonadotrofinas, monitorização rigorosa, gatilho com análogo de GnRH quando indicado e, em situações de maior risco, congelamento de todos os embriões para transferência em ciclo posterior. O objetivo é obter bons óvulos e embriões sem comprometer a segurança da paciente.
Uma opção para melhora da fertilidade de pacientes com SOP é o uso de myo-inositol. Além da melhora metabólica já descrita, por melhorar a resistência à insulina, nos tratamentos de FIV também traz benefícios: reduz a quantidade de FSH necessária para estimulação ovariana, reduz o número de dias de estimulação, reduz a chance de hiperestimulação ovariana, melhora a qualidade dos óvulos e a qualidade dos embriões.
PRESERVAÇÃO DA FERTILIDADE – PREVENÇÃO DA SOMP
A SOMP não pode ser prevenida, mas quanto mais precoce for o diagnóstico, menor será a chance de complicações futuras.
Já na adolescência podem ser notados os sinais desta síndrome e, por isso, além dos fatores hereditários, que podem prenunciar o surgimento futuro desta doença (mãe e irmãs), deve-se estar atento à obesidade, à quantidade de pelos no corpo e ao padrão menstrual alterado, geralmente longo, alterações estas que podem ser notadas pelos pais.
Uma vez que entre as causas mais frequentes de infertilidade está o fator ovulatório, e a SOMP é a mais comum, conclui-se que o diagnóstico precoce pode evitar as complicações, entre elas a infertilidade. Quanto mais precoce for o diagnóstico, mais fácil será a cura ou o equilíbrio da doença.
Síndrome dos Ovários Policísticos deve ser diagnosticada e tratada já na adolescência, devido às complicações reprodutivas, metabólicas e oncológicas que podem estar associadas a ela. O melhor tratamento preventivo é uma dieta alimentar equilibrada e um estilo de vida saudável.
CONCLUSÃO
A mudança de SOP para SOMP representa uma atualização importante na forma de comunicar a síndrome. O novo nome corrige a ideia de que o problema estaria restrito aos “cistos” no ovário e reforça que se trata de uma condição ovariana, metabólica e poliendócrina.
Na prática, o diagnóstico em mulheres adultas continua baseado nos critérios derivados de Rotterdam, com a presença de pelo menos dois entre três critérios: hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística ou AMH elevado em contextos específicos. O que muda é a visão clínica: a paciente deve ser investigada e tratada de forma mais ampla, considerando fertilidade, ovulação, insulina, peso, colesterol, pressão arterial, saúde endometrial e riscos futuros.
Para quem deseja engravidar, especialmente nos tratamentos de reprodução assistida, compreender o fenótipo da SOMP ajuda a escolher condutas mais seguras e individualizadas. O tratamento deixa de ser apenas “estimular ovários” e passa a envolver preparação metabólica, controle hormonal e planejamento reprodutivo personalizado.
RECOMENDAÇÕES FINAIS
A TODAS AS MULHERES
- Estejam atentas a ciclos menstruais irregulares, acne persistente, excesso de pelos, queda de cabelo, ganho de peso, dificuldade para engravidar e histórico familiar de SOMP, antiga SOP.
- Lembrem-se de que a ausência de “cistos” no ultrassom não exclui obrigatoriamente o diagnóstico em mulheres adultas.
- Procurem avaliação médica quando houver irregularidade menstrual associada a sinais de hiperandrogenismo ou alterações metabólicas.
- Valorizem o controle do peso, alimentação equilibrada, atividade física regular e investigação de resistência à insulina, glicemia, colesterol e pressão arterial.
- Em caso de desejo de gravidez, procurem orientação especializada para definir a melhor estratégia: indução da ovulação, coito programado, inseminação intrauterina ou fertilização in vitro.
AOS PAIS, RESPONSÁVEIS E PESSOAS INTERESSADAS
- Observem o padrão menstrual das adolescentes, principalmente quando ciclos muito irregulares persistem após os primeiros anos da menarca.
- Não fechem diagnóstico apenas pelo ultrassom nessa fase, pois ovários multifoliculares podem ser normais na adolescência.
- Valorizem sinais como acne importante, excesso de pelos, ganho de peso, resistência à insulina e histórico familiar.
- Em caso de dúvida, procurem avaliação com especialista para evitar diagnóstico tardio e complicações futuras.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- Apridonidze T, Essah PA, Iuorno MJ, Nestler E. Prevalence and characteristics of the metabolic syndrome in women with polycystic ovary syndrome. J Clin Endocrinol Metab. 2005; 90:1229-35.
- Azziz R, Carmina E, Dewailly D, Diamanti-Kandarakis E, Escobar-Morreale HF, Futterweit W, et al. The Androgen Excess and PCOS Society criteria for the polycystic ovary syndrome: the complete task force report. Fertil Steril. 2009 Feb;91(2):456-88.
- Azziz R, Carmina E, Dewailly D, Diamanti-Kandarakis E, Escobar-Morreale HF, Futterweit W, Janssen OE, Legro RS, Norman RJ, Taylor AE et al. Positions statement: criteria for defining polycystic ovary syndrome as a predominantly hyperandrogenic syndrome: an Androgen Excess Society guideline. J Clin Endocrinol Metab 2006;91:4237–4245.
- Broekmans FJ, Knauff EA, Valkenburg O, Laven JS, Eijkemans MJ, Fauser BC. PCOS according to the Rotterdam consensus criteria: Change in prevalence among WHO-II anovulation and association with metabolic factors. 2006 Oct;113(10):1210-7.
- Carmina E, Orio F, Palomba S, Longo RA, Cascella T, Colao A, Lombardi G, et al. Endothelial dysfunction in PCOS: role of obesity and adipose hormones. Am J Med 2006; 119:1-6.
- Hwang KR, Choi YM, Kim JJ, Chae SJ, Park KE, Jeon HW, Ku SY, Kim SH, Kim JG, Moon SY. Effects of insulin-sensitizing agents and insulin resistance in women with polycystic ovary syndrome. Clin Exp Reprod Med. 2013 Jun;40(2):100-5.
- ACOG Committee on Practice Bulletins – Gynecology. ACOG Practice Bulletin No 108: Polycystic ovary syndrome. Obstet Gynecol. 2009;114(4):936–949.
- Ajossa S, Guerriero S, Paoletti AM, Orrù M, Melis GB. The treatment of polycystic ovary syndrome. Minerva Ginecol. 2004 Feb;56(1):15-26.
- Asuncion M, Calvo RM, San Millan JL, Sancho J, Avila S, Escobar-Morreale HF. A prospective study of the prevalence of the polycystic ovary syndrome in unselected Caucasian women from Spain. J Clin Endocrinol Metab 2000;85:2434–2438.
- Azziz R, Woods KS, Reyna R, Key TJ, Knochenhauer ES, Yildiz BO. The prevalence and features of the polycystic ovary syndrome in an unselected population. J Clin Endocrinol Metab 2004;89:2745–2749.
- Badawy A, Elnashar A. Treatment options for polycystic ovary syndrome. Int J Womens Health. 2011;3:25–35.
- Balen AH. Ovulation induction in the management of anovulatory poly cystic ovary syndrome. Mol Cell Endocrinol. 2013;373(1–2):77–82. 125.
- Bates GW, Propst AM. Polycystic ovarian syndrome management options. Obstet Gynecol Clin North Am. 2012;39(4):495–506.
- Chen X, Yang D, Mo Y, Li L, Chen Y, Huang Y. Prevalence of polycystic ovary syndrome in unselected women from southern China. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol 2008;139:59–64.
- Chiu TT, Rogers MS, Law EL, Briton-Jones CM, Cheung LP, Haines CJ. Follicular fluid and serum concentrations of myo-inositol in patients undergoing IVF: relationship with oocyte quality. Hum Reprod 2002;17(6):1591–1596.
- Christian RC, Dumesic DA, Behrenbeck T, Oberg AL, Sheedy PF 2nd, Fitzpatrick LA. Prevalence and predictors of coronary artery calcification in women with polycystic ovary syndrome. J Clin Endocrinol Metab. 2003; 88: 2562-8.
- Costello MF, Misso ML, Wong J, et al. The treatment of infertility in polycystic ovary syndrome: a brief update. Aust N Z J Obstet Gynaecol. 2012;52:400–403.
- Dahlgren E, Janson PO, Johansson S, Lapidus L, Odén A. Polycystic ovary syndrome and risk for myocardial infarction: evaluated from a risk factor model based on a prospective population study of women. Acta Obstet Gynecol Scand. 1992; 71:599-604.
- Dapas M, Lin FTJ, Nadkarni GN, Sisk R, Legro RS, Urbanek M, et al. Distinct subtypes of polycystic ovary syndrome with novel genetic associations. PLoS Med. 2020;17(6):e1003132.
- Diamanti-Kandarakis E, Kouli CR, Bergiele AT, Filandra FA, Tsianateli TC, Spina GG, Zapanti ED, Bartzis MI. A survey of the polycystic ovary syndrome in the Greek island of Lesbos: hormonal and metabolic profile. J Clin Endocrinol Metab 1999;84:4006–4011.
- Ehrmann DA, Barnes RB, Rosenfield RL, Cavaghan MK, Imperial J. Prevalence of impaired glucose tolerance and diabetes in women with polycystic ovary syndrome. Diabetes Care. 1999; 22(1):141-6.
- Farquhar C, Brown J, Majoribanks J. Laparoscopic drilling by diathermy of laser for ovulation induction in anovulatory polycystic ovary syndrome. Cochrane Database Syst Rev. 2012;13(6):CD001122.
- Ferriman D, Gallwey JD. Clinical assessment of body hair growth in women. J Clin Endocrinol Metab 1961;21:1440–1447.
- Glueck CJ, Papanna R, Wang P, Goldenberg N, Sieve-Smith L. Incidence and treatment of metabolic syndrome in newly referred women with confirmed polycystic ovarian syndrome. Metabolism. 2003; 52:908-15.
- Grundy SM, Cleeman JI, Daniels SR. Diagnostic and management of the metabolic syndrome. An American Heart Association. National Heart, Lung and Blood Institute Scientific Statement. Circulation. 2005; 18:1-18.
- Hart R, Hickey M, Franks S. Definitions, prevalence and symptoms of polycystic ovaries and polycystic ovary syndrome. Best Pract Res Clin Obstet Gynaecol. 2004 Oct;18(5):671-83.
- International PCOS Network. International evidence-based guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome. Monash University; 2023.
- Kahraman K, Sükür YE, Atabekoglu CS, Ates C, Taskın S, Cetinkaya SE, et al. Comparison of two oral contraceptive forms containing cyproterone acetate and drospirenone in the treatment of patients with polycystic ovary syndrome: a randomized clinical trial. Arch Gynecol Obstet. 2014 Mar 28.
- Knochenhauer ES, Key TJ, Kahsar-Miller M, Waggoner W, Boots LR, Azziz R. Prevalence of the polycystic ovary syndrome in unselected black and white women of the southeastern United States: a prospective study. J Clin Endocrinol Metab 1998;83:3078–3082.
- Kravariti M, Naka KK, Kalantaridou SN, Kazakos N, Katsouras CS, Makrigiannakis A, et al. Predictors of endothelial dysfunction in young women with polycystic ovary syndrome. J Clin Endocrinol Metab. 2005; 90: 5088-95.
- Kumarapeli V, Seneviratne Rde A, Wijeyaratne CN, Yapa RM, Dodampahala SH. A simple screening approach for assessing community prevalence and phenotype of polycystic ovary syndrome in a semi-urban population in Sri Lanka. Am J Epidemiol 2008; 168:321 – 328.
- Legro RS, Kunselman A, Dodson WC, Dunaif A. Prevalence and predictors of risk for type 2 diabetes mellitus and impaired glucose tolerance in polycystic ovary syndrome: a prospective controlled study in 254 affected women. J Clin Endocrinol Metab. 1999;84:165-9.
- Lizarelli P, Macedo C, Callegari F, Patta Maristela, Reis R, Martins W, Ferriani R. Síndrome dos ovários policísticos: um passo para a doença cardiovascular. Femina 2008 Jan;36(1):15-19.
- March WA, Moore VM, Willson KJ, Phillips DI, Norman RJ, Davies MJ. The prevalence of polycystic ovary syndrome in a community sample assessed under contrasting diagnostic criteria. Hum Reprod 2010; 25:544 – 551.
- Michelmore KF, Balen AH, Dunger DB, Vessey MP. Polycystic ovaries and associated clinical and biochemical features in young women. Clin Endocrinol (Oxf) 1999;51:779–786.
- Misso ML, Wong JL, Teede HJ, et al. Aromatase inhibitors for PCOS: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod Update. 2012;18(3):301–312.
- Moran C, Tena G, Moran S, Ruiz P, Reyna R, Duque X. Prevalence of polycystic ovary syndrome and related disorders in Mexican women. Gynecol Obstet Invest 2010a;69:274–280.
- Moran L, Teede H. Metabolic features of the reproductive phenotypes of polycystic ovary syndrome. Hum Reprod Update 2009;15:477–488.
- Moran LJ, Misso ML, Wild RA, Norman RJ. Impaired glucose tolerance, type 2 diabetes and metabolic syndrome in polycystic ovary syndrome: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod Update 2010b;16:347 – 363.
- Papaleo E, Unfer V, Baillargeon JP, Fusi F, Occhi F, De Santis L. Myo-inositol may improve oocyte quality in intracytoplasmic sperm injection cycles. A prospective, controlled, randomized trial. Fertil Steril. 2009 May;91(5):1750-4. Epub 2008 May 7.
- Rotterdam ESHRE/ASRM-Sponsored PCOS Consensus Workshop Group. Revised 2003 consensus on diagnostic criteria and long-term health risks related to polycystic ovary syndrome (PCOS). Hum Reprod 2004;19:41–47.
- Stein I, Leventhal M. Amenorrhea associated with bilaterl polycystic ovaries. Am J Obstet Gynecol 1935;29:181–5.
- Tang T, Lord JM, Norman RJ, Yasmin E, Balen AH. Insulin-sensitising drugs (metformin, rosiglitazone, pioglitazone, D-chiroinositol) for women with polycystic ovary syndrome, oligo amenorrhoea and subfertility. Cochrane Database Syst Rev. 2012;5:CD003053.
- Teede HJ, Khomami MB, Morman R, Laven JSE, Joham AE, Costello MF, et al. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome: a multistep global consensus process. Lancet. 2026. doi: 10.1016/S0140-6736(26)00717-8.
- Teede HJ, Tay CT, Laven JJE, Dokras A, Moran LJ, Piltonen TT, et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. J Clin Endocrinol Metab. 2023;108(10):2447-2469.
- Thessaloniki ESHRE/ASRM-Sponsored PCOS Consensus Workshop Group. Consensus on infertility treatment related to polycystic ovary syndrome. Fertil Steril. 2008;89(3):505–522.
- Urbanetz A, Oliveira MT, Gruetzmacher C, Piazza M, Carvalho NS. Síndrome dos ovários policísticos: aspectos atuais das abordagens terapêuticas: parte 1. Femina 2009 maio;37(5):255-260.
- Van der Ham K, et al. Clustering identifies metabolic, reproductive and background PCOS subtypes. J Clin Endocrinol Metab. 2024.
- Vural B, Caliskan E, Turkoz E, Kilic T, Demirci A. Evaluation of metabolic syndrome frequency and premature carotid atherosclerosis in young women with polycystic ovary syndrome. Hum Reprod. 2005; 9:2409-13.
- Wang Q, et al. Association of PCOS phenotypes with adverse pregnancy outcomes after IVF/ICSI. Front Endocrinol. 2022.
- World Health Organization. Polycystic ovary syndrome. WHO Fact Sheet. Atualizado em 22 jan. 2026.
- Yildiz BO, Bozdag G, Yapici Z, Esinler I, Yarali H.Prevalence, phenotype and cardiometabolic risk of polycystic ovary syndrome under different diagnostic criteria. Hum Reprod. 2012 Oct;27(10):3067-73.
- Zacchè MM, Caputo L, Filippis S, Zacchè G, Dindelli M, Ferrari A. Efficacy of myo-inositol in the treatment of cutaneous disorders in young women with polycystic ovary syndrome. Gynecol Endocrinol. 2009 Aug;25(8):508-13.