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FERTILIZAÇÃO IN VITRO EM FOCO

1. O QUE É IMPORTANTE VOCÊ SABER ANTES DO INÍCIO DO TRATAMENTO DE FERTILIZAÇÃO IN VITRO

A estimulação ovariana e a transferência do(s) embrião(ões) para o útero:

Antes de iniciar a estimulação ovariana ou a transferência embrionária, você deve:

  1. Ser devidamente orientada pela equipe médica sobre:
  • Todas as etapas do tratamento.
  • Uso correto das medicações, horários, doses e armazenamento.
  • Necessidade de disciplina rigorosa quanto aos horários e aplicações.
  • Possíveis ajustes de conduta durante o ciclo.
  • Procedimentos de coleta, fertilização, o desenvolvimento dos embriões no laboratório e a transferência embrionária.
  1. Ser informada de que:
  • Os exames de ultrassonografia podem ser realizados pelo médico responsável pelo acompanhamento, conforme disponibilidade.
  • Na ausência deste, outro médico da equipe, igualmente qualificado em reprodução assistida, poderá realizar o exame.
  • Todos os resultados e condutas são comunicados e discutidos com o médico responsável pela supervisão estratégica do tratamento.
  1. Estar ciente de que:
  • A reprodução assistida não garante gravidez.
  • As taxas de sucesso variam conforme idade, reserva ovariana, qualidade embrionária, fatores uterinos e condições clínicas individuais.
  • Pode ser necessário realizar mais de um ciclo para obtenção de resultado positivo.
  • Nem todos os óvulos fertilizam.
  • Nem todos os embriões evoluem adequadamente.
  • Podem ocorrer intercorrências clínicas inerentes ao procedimento.
  1. Comprometer-se a:
  • Utilizar as medicações rigorosamente nos horários prescritos.
  • Não alterar doses ou horários por conta própria.
  • Informar imediatamente qualquer sintoma, dúvida ou falha no uso das medicações.
  1. Sentir-se segura de que teve a oportunidade de esclarecer todas as dúvidas e de que receberam explicações satisfatórias.
  2. Compreender que o sucesso do tratamento depende também de seu comprometimento com as orientações médicas.
  3. No final, ter a certeza de que todas as dúvidas foram resolvidas.
  4. Programar alarmes no celular para evitar esquecimentos. Você pode utilizar gratuitamente o aplicativo MyTherapy – Lembrete de Remédios (Android e IOS), para programar seus alarmes diários.

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2. QUAIS OS CUIDADOS DURANTE UM TRATAMENTO DE FERTILIZAÇÃO ASSISTIDA

Durante um tratamento de fertilização assistida, alguns cuidados com hábitos de vida, alimentação, exposição ambiental e rotina diária podem contribuir para melhorar as condições hormonais, a qualidade dos óvulos e dos espermatozoides e o ambiente uterino necessário para a implantação do embrião.

As recomendações a seguir ajudam a criar condições mais favoráveis para o sucesso do tratamento.

Índice

A. Hábitos de vida

Sono

Dormir adequadamente é essencial para o equilíbrio hormonal.

Recomendado

  • Dormir entre 7 e 8 horas por noite;
  • Manter horários regulares para dormir e acordar;
  • Dormir em ambiente escuro e silencioso.

Evitar

  • Dormir muito tarde de forma frequente;
  • Uso de celular ou computador na cama.

Proibido

  • Privação de sono frequente ou noites em claro.

A falta de sono pode alterar hormônios sexuais, aumentar inflamação e prejudicar a ovulação e a qualidade dos espermatozoides.

Tabagismo

Proibido

  • Cigarro;
  • Cigarro eletrônico (vape);
  • Narguilé.

O tabagismo reduz a reserva ovariana, piora a qualidade dos óvulos, aumenta a fragmentação do DNA espermático e eleva o risco de aborto.

Estresse

O estresse intenso pode interferir indiretamente na fertilidade.

Recomendado

  • Buscar estratégias de relaxamento;
  • Terapia, meditação, oração;
  • Contato com natureza;
  • Atividades de lazer.

Evitar

  • Rotina excessivamente estressante;
  • Privação de descanso.

Rotina diária

Uma rotina organizada favorece maior estabilidade hormonal.

Recomendado

  • Horários regulares para refeições;
  • Sono regular;
  • Atividade física moderada;
  • Relações sexuais regulares.

Bebida alcoólica

O consumo de álcool pode interferir na fertilidade masculina e feminina.

Recomendado

  • Não consumir álcool durante o tratamento.

Alimentação e peso corporal

 O estado nutricional influencia diretamente a fertilidade.

Recomendado

  • Manter IMC próximo ao recomendado para a sua estrutura física.

Evitar

  • Baixo peso extremo;
  • Sobrepeso ou obesidade.

Alterações importantes de peso podem interferir na ovulação, nos hormônios e na qualidade dos espermatozoides.

Padrão alimentar

O padrão alimentar mais recomendado é semelhante à dieta mediterrânea.

Recomendado

  • Vegetais;
  • Frutas;
  • Legumes;
  • Peixes;
  • Azeite de oliva;
  • Castanhas;
  • Grãos integrais.

Evitar

  • Ultraprocessados;
  • Refrigerantes;
  • Excesso de açúcar;
  • Carnes processadas;

Suplementos

Alguns nutrientes são importantes para a fertilidade.

Frequentemente recomendados

  • Ácido fólico;
  • Vitamina D;
  • Vitamina B12;
  • Ferro;
  • Zinco;
  • Selênio;
  • Ômega-3.

Podem ser indicados em casos específicos

  • Coenzima Q10;
  • NMN.

A suplementação deve ser sempre orientada pelo médico.

 Cafeína

Permitido

  • Até 1 a 2 xícaras de café por dia.

Evitar

  • Excesso de cafeína;
  • Bebidas energéticas.

B.  Cosméticos, pele e cabelos

Durante tratamentos de fertilização não existe proibição absoluta para cosméticos, mas recomenda-se reduzir exposição a produtos potencialmente hormonais.

Tinturas e procedimentos capilares

Permitido

  • Tinturas suaves;
  • Produtos sem amônia;
  • Procedimentos em ambiente ventilado.

Evitar

  • Descolorações frequentes;
  • Procedimentos químicos repetidos

Proibido

  • Escovas progressivas com formol;
  • Produtos com liberação de formaldeído.

Protetor solar

Recomendado

  • Filtros físicos:
    • óxido de zinco;
    • dióxido de titânio.

Esses produtos têm mínima absorção sistêmica.

Maquiagem

Permitido

  • Cosméticos dermatologicamente testados;
  • Produtos sem ftalatos e parabenos.

Evitar

  • Cosméticos de origem desconhecida.

Proibido

  • Produtos com metais pesados ou substâncias tóxicas.


C.  Exposição ambiental

Plásticos

Evitar

  • Aquecer alimentos em recipientes plásticos.

Recomendado

  • Vidro;
  • Cerâmica.

  Agrotóxicos

Recomendado

  • Lavar bem frutas e verduras;
  • Descascar quando possível;
  • Preferir alimentos orgânicos quando viável.

Exposição ocupacional

Pessoas que trabalham com produtos químicos devem ter atenção especial.

Recomendado

  • Uso de equipamentos de proteção;
  • Redução da exposição direta a solventes e vapores químicos.

D. Calor nos testículos

O calor excessivo pode reduzir a produção de espermatozoides.

Evitar

  • Notebook no colo por longos períodos;
  • Saunas frequentes;
  • Banhos muito quentes prolongados;
  • Roupas íntimas muito apertadas.

E. Exercícios físicos

A atividade física moderada que corresponda a 30% da sua atividade habitual é considerada benéfica para a fertilidade.

F. Relações sexuais

Liberado, mas, próximo ao dia da aspiração dos óvulos, o recomendado é o uso de preservativos ou ejaculação interrompida.

G. Viagens

Durante o tratamento, é importante manter disponibilidade para exames e procedimentos.

3. O PASSO A PASSO DA FERTILIZAÇÃO IN VITRO (FIV)

Entre os processos de Reprodução Humana Assistida, a FIV é a que oferece os melhores resultados na concepção do bebê.

Lembramos que se chama FERTILIZAÇÃO IN VITRO porque a fecundação é feita em laboratório, ou seja, diferentemente do que ocorre no método natural, a formação do embrião (junção do gameta feminino, o óvulo, com o gameta masculino, o espermatozoide) acontece fora do útero da mulher.

O processo pode ser dividido em 6 fases, mas, antes do início dos estímulos, é fundamental uma preparação com dieta e suplementação adequada:

  • 1ª Fase – Estimulação ovariana.
  • 2ª Fase – Bloqueio dos hormônios.
  • 3ª Fase – Aspiração e recuperação dos óvulos.
  • 4ª Fase – Fertilização dos óvulos pelo espermatozoide.
  • 5ª Fase – Transferência do(s) embrião(ões) para o útero.
  • 6ª Fase – Suporte hormonal.

1ª Fase – estimulação ovariana

A primeira fase é a estimulação ovariana propriamente dita, quando medicamentos, em geral injetáveis, mas muitas vezes associados a comprimidos por via oral, são administrados para fazer com que vários folículos cresçam nos ovários. Os medicamentos utilizados para indução são chamados gonadotrofinas, contêm o hormônio FSH (Hormônio Folículo-Estimulante – em inglês, Follicle-Stimulating Hormone) e LH (Hormônio Luteinizante – em inglês, Luteinizing Hormone), juntos ou separados, e são encontrados em diversos tipos, dosagens e nomes comerciais.

As dosagens diárias recomendadas são reguladas de acordo com a necessidade verificada pelos exames realizados sistematicamente durante essa fase (hormônios e ultrassom). A estimulação ovariana deverá ser acompanhada pela ultrassonografia para avaliar o crescimento e o desenvolvimento dos folículos ovarianos (dentro dos quais estão os óvulos) até que atinjam um diâmetro médio aproximado de 18 mm. A espessura do endométrio (tecido que reveste o útero internamente e onde o embrião se implantará) também é avaliada e deverá ser superior a 7 mm.

Ultrassom de um ovário com folículos

Normalmente, são realizados dois a quatro exames de ultrassom transvaginal durante o ciclo, marcados em intervalos médios de dois dias, iniciando no quinto dia após o início da estimulação, até que alcance o ponto pré-ovulatório. Sempre que as datas de exames caírem no domingo ou feriado, não se preocupe, pois, esses exames poderão ser antecipados ou adiados sem interferir no sucesso final do procedimento.

Caso seja necessário, os exames serão realizados também nestes dias. Quando os folículos atingem um diâmetro médio de 18 mm é administrado um medicamento específico: hCG (Ovidrel® ou similares), se os embriões forem ser transferidos no mesmo ciclo para o útero da paciente, ou Gonapeptyl® ou similar se os embriões NÃO forem transferidos no mesmo ciclo, que é o que acontece na maioria das vezes. Estes medicamentos visam à maturação final dos óvulos. As doses e os horários das medicações têm influência direta no horário da captação dos óvulos. Realizamos a aspiração dos óvulos entre 34 e 38 horas ou, em situações especiais, como, por exemplo, histórico de folículos vazio, em até 40 horas após o trigger (conforme protocolo escolhido) após a aplicação.

Os efeitos colaterais (raros) mais comuns desses medicamentos são: instabilidade emocional, dores de cabeça, perda de apetite, dor abdominal e dor no local das injeções. Neste último caso, a massagem e o calor local (compressas) podem aliviar esses sintomas.

Para que se alcance o objetivo almejado é fundamental a disciplina na medicação e no controle da estimulação ovariana e, para isso, devem ser seguidas as seguintes recomendações:

  • Utilize somente os medicamentos recomendados.
  • O dia do ciclo é sempre contado a partir do primeiro dia da menstruação.
  • O início da estimulação ovariana, normalmente, ocorre no 2º ou 3º dia da menstruação (na fase folicular), entretanto, algumas vezes, iniciamos a estimulação na fase lútea, após a ovulação.
  • Os medicamentos deverão ser tomados e aplicados sempre no mesmo horário.

A quantidade de medicação utilizada até a coleta dos óvulos vai depender da evolução do crescimento dos folículos. É recomendável sempre ter medicação extra de reserva.

2ª Fase – bloqueio dos hormônios

Consiste no bloqueio da produção dos hormônios que agem nos ovários. Com esta conduta, temos o controle da função ovariana “em nossas mãos”, não havendo praticamente perigo de ocorrer ovulação fora do previsto. Isto é, sem esses medicamentos, o mecanismo de controle da ovulação estaria também sob a influência dos hormônios do próprio organismo e a paciente poderia ovular antes da hora programada de colher os óvulos.

Existem várias estratégias para este bloqueio. O bloqueio pode ser TARDIO (esquema curto ou PROTOCOLO CURTO, realizado durante a estimulação ovariana), DURANTE O CICLO, com comprimidos de progesterona e OUTRAS POSSIBILIDADES, via oral desde o início do ciclo, PRÉVIO (esquema longo ou PROTOCOLO LONGO, iniciado antes da estimulação ovariana). Entretanto, o PROTOCOLO LONGO, tem sido indicado somente em situações de exceção. A decisão pelo bloqueio prévio, tardio ou por comprimidos vai depender de cada caso.

3ª Fase – aspiração e recuperação dos óvulos

A paciente deverá comparecer ao laboratório especializado aproximadamente 34 a 35 horas após a administração do último medicamento (hCG ou Gonapeptyl).

Neste momento, o médico estará presente para realizar o procedimento. Em jejum, em horário pré-estabelecido e em uma sala adequada, será dada uma medicação (sedação profunda com Propofol) para relaxar e dormir alguns minutos.

Com auxílio do ultrassom, uma agulha especial e um aparato para sucção, os óvulos são colhidos e encaminhados para análise. Este processo é indolor e dura de 10 a 15 minutos, em média. Após cerca de 60 minutos em repouso em um quarto, a paciente será liberada, podendo executar atividades leves no mesmo dia, mas que não exijam destreza ou concentração (24 horas).

ESTE É O MOMENTO DA DECISÃO SE IRÁ CONGELAR ÓVULOS (VITRIFICAÇÃO) OU FERTILIZÁ-LOS.

4ª Fase – fertilização dos óvulos

Os óvulos, após a aspiração, são separados, cultivados e classificados quanto à sua maturidade para que sejam fertilizados.

Amostra Seminal: a amostra de sêmen deverá estar disponível para a fertilização no centro de reprodução humana.

A.  FIV clássica: 

Os óvulos são colocados em uma incubadora no laboratório, junto dos espermatozoides, em condições ambientais semelhantes às encontradas na trompa uterina – local em que normalmente ocorre a fecundação.

B.  ICSI (Intracitoplasmatic Sperm Injection ou Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide):

Os óvulos serão fertilizados por meio da micromanipulação dos gametas injetando-se um espermatozoide em cada óvulo – Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide. É uma técnica realizada por um profissional especializado que, por meio de uma pipeta microscópica, injeta um único espermatozoide dentro do óvulo.

No dia seguinte à ICSI, são verificados quantos óvulos conseguiram ser fertilizados, formando embriões, que terão seu crescimento acompanhado até o quinto dia de desenvolvimento e, algumas vezes, até o sexto ou sétimo dia. Durante este período, o desenvolvimento embrionário ocorre dentro de uma incubadora (pode ser a tradicional ou Time-Lapse (EmbryoScope), descrito adiante no item C1, Inteligência Artificial. Normalmente, esperamos a fase de blastocisto (quinto dia, às vezes, esperamos até sétimo dia), pois selecionamos os que têm mais chances de implantação, mas dependendo do caso, principalmente se há poucos embriões em desenvolvimento, podemos optar por transferir no terceiro dia. Após este período na incubadora os embriões são transferidos para útero ou vitrificados.

C.  Super ICSI (também conhecida como “IMSI”):

Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide Selecionado Morfologicamente é semelhante a uma ICSI convencional. O diferencial é o conjunto ótico utilizado, que oferece uma aproximação de mais de 6.300 vezes, o que faz que a escolha do espermatozoide seja feita de forma mais detalhada. É indicada em alterações graves da morfologia dos espermatozoides.

ANÁLISE GENÉTICA DO EMBRIÃO – DEVERÁ JÁ ESTAR DECIDIDO

O PGT (Teste Genético Pré-Implantacional) é indicado principalmente para mulheres com idade avançada (mais do que 38 anos) ou quando um dos membros do casal tem alterações cromossômicas como translocações ou inversões cromossômicas. Pode ser realizado no processo de Fertilização in vitro (FIV), com o objetivo de diagnosticar nos embriões a existência de alguma doença genética, antes da implantação no útero da mãe.

Assim, casais com chances de gerar filhos com problemas genéticos como Síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21), Síndrome de Patau (trissomia do cromossomo 13), Síndrome de Edwards (trissomia do cromossomo 18), Síndrome do Klinefelter (47XXY), Distrofia Muscular, Hemofilia, entre outras Anomalias Genéticas, podem descobrir se o embrião possui tais doenças por meio deste exame.

VEJA DETALHES MAIS ADIANTE SOBRE AS DIFERENÇAS ENTRE OS TIPOS DE ANÁLISES CROMOSSÔMICAS E GENÉTICAS: PGT-A, PGT-M, PGT-SR e PGT-P.

5ª Fase – transferência do(s) embrião(ões) para o útero

A.  Preparo do endométrio para receber os embriões “a fresco”:

Transferência a fresco significa transferir o(s) embrião(ões) no mesmo ciclo de estimulação ovariana, o que é BASTANTE INCOMUM nos dias de hoje. Isto porque o endométrio costuma ser menos receptivo neste período por estar “encharcado” pelos hormônios nesta fase, além de riscos da Síndrome da Hiperestimulação Ovariana. Dispensa preparo específico a não ser continuidade do ciclo tomando alguns cuidados especiais. A transferência será realizada 3 ou 5 dias após (às vezes 6 ou 7), dependendo de o embrião ser de terceiro dia ou blastocisto acompanhado do suporte hormonal adequado.

B.  Preparo do endométrio para receber os embriões congelados

B1 – Ciclo medicado

Não é rotina nas transferências embrionárias, mas é indicado em pacientes que necessitam de um bloqueio hormonal decorrente de doenças como a ADENOMIOSE. Para o preparo endometrial, geralmente utilizamos estradiol exógeno e acompanhamos o endométrio por ultrassom. Pode ser precedido de um bloqueio hormonal, que pode ser feito com uma ampola de agonista do GnRH de depósito, na fase lútea (21° dia) do ciclo anterior.

Quando a paciente menstrua, no segundo ou terceiro dia, inicia-se o uso de estradiol via oral e/ou transdérmica. Em caso de bloqueio hormonal, pode-se aguardar mais dias até a paciente menstruar. Há 3 opções de estradiol: 6 mg via oral, 3 adesivos de 100 mcg trocados a cada 3 dias ou estradiol gel (6 – 12 pumps por dia).

No IPGO, costumamos prescrever 4 mg via oral e um adesivo ou gel de estradiol. Esta medicação será mantida por aproximadamente dez dias. Em situações específicas e raras, podemos usar o estradiol injetável, e, em outras menos frequentes, podemos usar estradiol via vaginal. Quando o endométrio atingir a espessura adequada, e se estiver com o aspecto trilaminar e dosagens hormonais de acordo com o desejado, inicia-se a progesterona.

Uma das seguintes opções será utilizada:

  • Progesterona injetável (Progesterone®): 50 a 100 mg/dia – intramuscular;
  • Progesterona subcutânea (marcas variadas): 25 mg/dia – subcutânea;
  • Progesterona micronizada (Utrogestan® ou outras marcas): 600 a 1200 mg/dia, podendo chegar até 1600 mg/dia – via vaginal;
  • Progesterona gel (Crinone® 8%): 1 a 2x/dia, via vaginal;
  • Outras possibilidades raras: progesterona manipulada via oral sublingual apresentação “filme” e anel vaginal;
  • Em algumas situações, pode ser indicado Duphaston® (didrogesterona 10mg 12/12h, via oral).
B2 – Transferência em ciclo natural e natural modificado
  • Ciclo Natural: em ciclos de transferência de embriões ou óvulos congelados, se a mulher tem ciclos regulares, há ainda a opção de NÃO UTILIZARMOS MEDICAÇÃO, somente acompanhando um ciclo ovulatório espontâneo, com a presença apenas dos hormônios produzidos pelo próprio organismo. Deve ser acompanhado rigorosamente por ultrassom e dosagens hormonais (estradiol, progesterona e LH). O acompanhamento deve ser feito com o teste de LH na urina (comprado em farmácias). Quando o folículo atinge mais de 17 mm, normalmente faz-se uso do hCG, que simula o pico de LH e desencadeia a ovulação 36 horas depois. Isso pode ser antecipado caso o LH estiver em ascensão. No momento da ovulação, a progesterona também é iniciada.
  • Ciclo Natural Modificado: é “natural”, mas com uma ajuda para controlar o “timing” exato para a transferência embrionária. Normalmente é realizada uma estimulação ovariana com baixa quantidade de hormônio para formação de um folículo e em seguida o trigger com hCG para padronizar a fase lútea. Deste modo, a quantidade de hormônio é menor.

C. A transferência do(s) embrião(ões) para o útero

É indolor, realizada sob visão do ultrassom, com cateter flexível e sem necessidade de anestesia, exceto em casos específicos.  É introduzido um pequeno cateter pela vagina em direção ao colo do útero até atingir a cavidade uterina. O(s) embrião(ões) deve(m) ser colocado(s) de 1,5 cm a 2 cm abaixo do fundo uterino.

A passagem do cateter deve ser um movimento delicado, pois as chances de gravidez têm muita ligação com este momento. Trata-se de um procedimento simples, mas que exige tranquilidade, um bom relaxamento da paciente e experiência do profissional. Após essa etapa, a paciente deverá ficar deitada por alguns minutos, retornando, posteriormente, para casa liberada a fazer atividades físicas limitadas.

Casos Complexos

Em algumas situações, a transferência embrionária pode ser mais complicada e exigir alguns cuidados, como, por exemplo, o uso do cateter de TOWAKO. O cateter de Towako (método Towako®) é um conjunto especializado, composto por agulha e um cateter desenvolvido para transferência embrionária transmiometrial (através do miométrio) guiada por ultrassom. Utilizado em casos difíceis de infertilidade, permite inserir embriões diretamente no endométrio, perfurando o miométrio quando a via endocervical é inviável, como, por exemplo, pacientes que tem deformidades no útero por cirurgias anteriores ou tumores como miomas que impedem a passagem do cateter pelo colo uterino. São situações específicas que exigem atenção e cuidados de médico experiente.

Orientações para o dia da transferência embrionária e nos dias seguintes

A transferência embrionária é um dos momentos mais especiais do tratamento de fertilização. É quando o embrião é colocado dentro do útero, iniciando uma nova etapa marcada por esperança, expectativa e cuidado. Para que esse momento seja vivido com mais tranquilidade e confiança, seguem abaixo orientações importantes sobre antes, durante e após o procedimento

A. Antes da transferência embrionária

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  • Procure chegar à clínica com tranquilidade e no horário orientado pela equipe.
  • É importante que a bexiga esteja moderadamente cheia, pois isso ajuda a melhorar a visualização do útero pelo ultrassom e facilita o posicionamento adequado durante o procedimento.
  • A transferência embrionária é um procedimento simples, rápido e geralmente indolor. Em casos excepcionais é possível usar uma sedação leve.
  • Não é necessário jejum, exceto se houver orientação específica para algum caso especial.
  • Procure manter-se tranquila. A ansiedade é absolutamente normal neste momento, mas todo o procedimento é realizado com muito cuidado, atenção e delicadeza.

B. Durante o procedimento

  • Durante a transferência, são utilizados cateteres muito finos, flexíveis e delicados, especialmente desenvolvidos para esse tipo de procedimento.
  • Inicialmente, pode ser introduzido um cateter guia, que permite avaliar e preparar o trajeto pelo canal cervical até o útero.
  • Após o posicionamento adequado, a equipe de embriologia entrega o cateter que contém o embrião, cuidadosamente preparado no laboratório.
  • Esse cateter é introduzido com extrema delicadeza até a cavidade uterina, onde o embrião é depositado no local mais adequado para favorecer a implantação.
  • Após a transferência, o cateter é cuidadosamente retirado e verificado pela equipe de embriologia para confirmar que não houve retenção do embrião no dispositivo e que a transferência foi realizada corretamente.
  • Em seguida, você será encaminhada ao leito, onde permanecerá em repouso por aproximadamente 20 a 30 minutos.
  • Em situações especiais, como em pacientes mais sensíveis ou quando existe um canal cervical mais tortuoso ou maior dificuldade de passagem pelo colo do útero, pode ser necessária uma sedação leve para facilitar o procedimento e proporcionar maior conforto.

C. Após a transferência embrionária

  • Após o período de repouso na clínica, você poderá retornar normalmente para casa ou para o hotel onde estiver hospedada.
  • Não é necessário repouso absoluto. Recomenda-se apenas repouso relativo no dia da transferência.
  • O embrião fica protegido dentro da cavidade uterina. A implantação é um processo biológico complexo que não depende de movimentos, posição do corpo ou pequenos esforços do dia a dia.
  • A partir do dia seguinte, podem ser realizadas atividades leves e rotineiras, evitando esforços físicos intensos.
  • Caminhar, sentar, levantar-se, tomar banho e realizar atividades leves do dia a dia são permitidos.
  • Evite exercícios físicos de impacto, musculação intensa, corrida, crossfit, atividades extenuantes e levantamento de peso até a realização do teste de gravidez. Caminhadas leves estão permitidas.
  • Recomenda-se evitar relações sexuais até a realização do beta-hCG, salvo orientação específica diferente.
  • Mantenha rigorosamente todas as medicações prescritas, nos horários corretos, nas doses indicadas e pelo tempo orientado. Não suspenda nenhuma medicação sem orientação médica, mesmo se houver pequenos sangramentos.
  • Mantenha alimentação equilibrada, habitual e boa hidratação. Não há necessidade de dieta especial, mas é importante evitar excessos, bebidas alcoólicas e alimentos de procedência duvidosa.
  • Podem ocorrer cólicas leves, discreto desconforto abdominal, sensação de peso pélvico ou pequeno sangramento. Esses sintomas podem ser normais e não significam, por si só, falha do tratamento.
  • Banhos de chuveiro estão liberados. Evite banheira, piscina e mar até nova orientação.
  • Atividades profissionais leves estão liberadas. Se o trabalho exigir esforço físico intenso, deve-se avaliar afastamento temporário.
  • O teste de gravidez, beta-hCG, deve ser realizado na data orientada pela equipe, mesmo que tenha ocorrido sangramento. Não realizar teste de farmácia antes da data indicada, para evitar dúvidas e ansiedade desnecessária.
  • Procure a equipe caso apresente dor abdominal intensa, distensão abdominal importante, febre, sangramento volumoso ou qualquer sintoma que gere preocupação.

Uma mensagem importante

Este é um momento muito especial. Sabemos que ele vem acompanhado de expectativas, esperança e de ansiedade.

Procure viver esses dias com tranquilidade, confiança e serenidade. A medicina faz tudo o que é possível com técnica, cuidado, responsabilidade e atenção aos detalhes. A partir daqui, começa também o tempo da natureza agir.

O mais importante agora é seguir corretamente as orientações, usar as medicações conforme prescrito e aguardar o exame na data programada.

Mantenha a confiança, preserve a esperança e tenha fé. Se Deus quiser, tudo dará certo.

D. Decisões importantes para o Dia “D”

1. Avaliação da qualidade dos embriões e escolha do dia da transferência (3º ou 5º dia?):

No dia seguinte à fertilização, que ocorre horas após a aspiração dos óvulos, os embriões são analisados para verificar qual a porcentagem dos óvulos maduros que foram fertilizados. Na maioria das vezes, mesmo nos casos de ICSI, uma parte desses óvulos não se fertiliza. Já neste momento pode ser feita uma análise inicial microscópica e prognóstica da qualidade desses embriões e quais são os que têm maior chance de sobreviver e alcançar um estágio mais avançado de divisão celular. No terceiro dia, os embriões são mais uma vez estudados para que se faça uma nova classificação dos melhores. A classificação é baseada na “morfologia”.

De um modo geral, sempre aguardamos a evolução dos embriões para que estes embriões alcancem o estágio de blastocisto (mais de 100 células), que tem a maior chance de implantação. Em algumas situações específicas, podemos transferir os embriões em estágio de clivagem, com somente 8 células. Esta conduta é recomendada somente em situações excepcionais.

Blastocistos: Geralmente a melhor opção. Normalmente, por vias naturais, o embrião chega à cavidade uterina com cinco a sete dias de vida, em um estágio chamado blastocisto. Assim, parece claro que, quando transferimos para a mulher embriões neste estágio (ou seja, cinco a sete dias de evolução, a chance de gravidez deve ser maior). Quando a programação é serem vitrificados, podemos ainda esperar até sete dias para ver se alcançam a fase de blastocisto. Entretanto, nem sempre conseguimos que o embrião chegue a este estágio no laboratório e sabemos que muitos embriões serão perdidos.

Avaliação morfológica do embrião até o 5º dia de desenvolvimento. Algumas vezes, no laboratório, só alcança este estágio no 6º ou 7º dia de evolução.

2. Quantos Embriões Devem Ser Transferidos?

O Conselho Federal de Medicina (CFM), desde a RESOLUÇÃO CFM Nº 2.294, DE 27 DE MAIO DE 2021 (Normas Éticas para a Utilização das Técnicas de Reprodução Assistida), definiu quanto ao número de embriões a serem transferidos, de acordo com a idade. Entretanto, independentemente da idade da mulher, A RECOMENDAÇÃO ATUAL É TRANSFERIR UM ÚNICO EMBRIÃO. Deste modo, evitamos complicações próprias da gestação múltipla como partos prematuros, diabetes gestacional e Doença Hipertensiva da Gravidez (eclâmpsia). Entretanto, em situações especiais, se for o desejo da paciente, se ela tiver ciência dos riscos da gestação múltipla e se não houver riscos conhecidos que ponham sua saúde em risco e contraindiquem a gestação múltipla, podemos transferir, NO MÁXIMO, dois (2) embriões.

IMPORTANTE: Hoje, com a alta tecnologia empregada nos tratamentos de fertilização, a recomendação é transferir UM EMBRIÃO, NO MÁXIMO DOIS BLASTOCISTOS, mas a decisão deverá ser individualizada para cada caso.

6ª Fase – suporte hormonal

 Após a coleta dos óvulos, se a paciente for transferir os embriões neste ciclo, iniciamos o suporte de fase lútea com progesterona, estradiol e outras medicações quando for necessário.

Após a transferência, independentemente de ciclo fresco ou de congelado, realizamos um controle rigoroso das condições hormonais a fim de mantê-los em níveis satisfatórios para um adequado desenvolvimento embrionário intrauterino. As doses recomendadas desses hormônios são ajustadas de acordo com a necessidade da paciente.

Durante a fase lútea, podem ser realizados exames de sangue que comprovam o equilíbrio hormonal (estradiol > 200 pg/mL e progesterona > 20 ng/mL). Caso haja necessidade, as doses da progesterona poderão ser modificadas e/ou introduzida a reposição de estradiol, caso já não esteja sendo feita.

Diagnóstico da gestação:

O teste de gravidez e beta-hCG é realizado 9-10 dias após a transferência dos embriões e repetido a cada 2 ou 3 dias para acompanhar a evolução da gestação. O suporte hormonal deverá ser mantido até 12 semanas de gestação. Após 2 semanas do primeiro teste, realizamos uma ultrassonografia para confirmarmos se a gravidez está bem-posicionada. O exame de ultrassom poderá ser repetido a cada duas semanas até completar 12 semanas, quando então a paciente deve seguir seu pré-natal com todos os cuidados e recomendações.  

Taxas de sucesso com a FIV

O sucesso da FIV vai depender de vários fatores:

  • Idade da mulher;
  • Qualidade dos óvulos e espermatozoides;
  • Qualidade dos embriões;
  • Qualidade endometrial;
  • Presença de outros fatores: mioma, adenomiose, endometriose, endometrite etc.

A idade da mulher é o maior preditor de sucesso da FIV, caindo progressivamente com o avançar da idade. Enquanto mulheres abaixo dos 35 anos e em condições ideais têm taxa de gravidez superior 70% em ciclos de FIV, essa taxa cai para menos de 20% nas maiores de 42 anos.

Taxa de gravidez por transferência embrionária de acordo com a idade materna

Os dados apresentados acima são as taxas de gravidez por transferência, ou seja, as taxas de sucesso quando se tem pelo menos um embrião para transferência. É importante ressaltar que, quando falamos da idade mulher interferindo nas chances de sucesso, estamos falando da idade do óvulo. A idade de quem receberá os embriões não interfere nas chances de sucesso (receptora de óvulos doados).

4. A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) NA MEDICINA REPRODUTIVA. O QUE EXISTE E O QUE OFERECEMOS AOS NOSSOS PACIENTES NO IPGO

A inteligência artificial (IA) tem revolucionado a medicina, incluindo a reprodução assistida, ao oferecer métodos mais precisos para avaliar a qualidade de óvulos, espermatozoides e de embriões, fatores cruciais na fertilização in vitro (FIV). Com análises de imagens superiores às análises humanas e processamento de grandes volumes de dados, a IA possibilita melhor seleção de gametas e embriões, além de prever as chances de sucesso dos tratamentos. Embora ainda em estágio experimental, seu uso tem sido amplamente discutido em congressos da área.

Com os avanços contínuos, a IA promete auxiliar os tratamentos de FIV para que eles sejam cada vez mais eficazes e personalizados. Essas inovações podem tornar o processo mais eficiente, reduzem o tempo para alcançar a gravidez e ajudam a entender melhor os fatores que influenciam o sucesso ou a falha nos tratamentos.

Muitos sistemas de IA com uso em reprodução assistida já foram criados e vêm sendo cada vez mais aprimorados. Além disso, a cada momento, novos sistemas são criados. Abaixo, listamos algumas ferramentas de IA usadas na reprodução assistida em diferentes situações:

O que nós oferecemos para os nossos pacientes

C1. Time-Lapse (EMBRYOSCOPE)

A tecnologia Time-Lapse (existem várias marcas, porém a mais conhecida é o EmbryoScope) permite acompanhar o desenvolvimento dos embriões em tempo real, ajudando na escolha do embrião com maior chance de gerar uma gestação bem-sucedida. A incubadora utiliza tecnologia de captura de imagens em tempo real, registrando o desenvolvimento embrionário a cada 10 minutos. Isso permite que os embriologistas avaliem continuamente os padrões de crescimento dos embriões, 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem retirá-los do ambiente controlado. Essa inovação assegura condições ideais para o desenvolvimento embrionário e facilita a identificação de divisões celulares, simetria e eventuais anomalias com maior precisão. O monitoramento constante contribui para uma seleção embrionária mais eficiente, aumentando as chances de sucesso na fertilização in vitro. Em geral, qualquer paciente em tratamento de fertilização in vitro poderia usar este tipo de incubadora, mas ela é especialmente indicada para casais que passaram por processos anteriores fracassados. Estudos recentes vêm mostrando que, com o uso desta incubadora, pode-se conseguir até um blastocisto a mais por ciclo. Entretanto, ainda não há estudos que mostrem aumento nas taxas de gravidez e, portanto, o seu benefício ainda é controverso.

Imagens do Time-Lapse / EmbryoScope

A Inteligência Artificial nos tratamentos de reprodução assistida se tornará cada vez mais eficazes, trazendo esperança e resultados positivos para nossos pacientes.

C2. MAGENTA e VIOLET – avaliação dos óvulos

São duas ferramentas de IA desenvolvidas pela empresa Future Fertility. O sistema analisa as imagens dos óvulos e utiliza algoritmos de deep learning para fornecer uma pontuação, ajudando a prever quais óvulos têm mais chances de fertilização e desenvolvimento, tornando-se embriões viáveis. A diferença entres eles é que, enquanto o VIOLET avalia óvulos destinados ao congelamento para preservação da fertilidade, o MAGENTA é usado para avaliar a qualidade de óvulos em ciclos de FIV ativos. Ao calcular a chance de gravidez com óvulos que serão congelados, o VIOLET pode ser muito útil em definir a necessidade de coletas de óvulos adicionais, caso a chance com os óvulos já coletados seja baixa. Já o MAGENTA pode ajudar a explicar insucesso na evolução dos embriões e, assim, ajudar no alinhamento de expectativas para tratamentos futuros.

C3. MAIA (Morphological Artificial Intelligence Assistance) – seleção de embriões

É uma inteligência artificial criada pelo Grupo Huntington com o objetivo de otimizar a seleção dos embriões. É integrada à tecnologia time-lapse que analisa imagens captadas a cada 10 minutos, oferecendo uma avaliação contínua e precisa do desenvolvimento embrionário capaz de predizer a chance de sucesso com a transferência dos embriões analisados. Isso porque ela interpreta grandes volumes de dados que o olho humano não seria capaz de processar. A MAIA melhora a identificação do embrião com maior potencial para gestação, além disso, o sistema reduz a necessidade de manipulação externa, garantindo um ambiente seguro e estável para o embrião. Desenvolvida com base em dados da população local, a MAIA utiliza milhões de imagens e informações personalizadas do casal, proporcionando uma seleção embrionária mais precisa e eficaz.

Conclusão

A inteligência artificial está cada vez mais integrada ao futuro da medicina reprodutiva ao introduzir inovações que tornam os tratamentos mais precisos, personalizados e eficientes. Aqui no IPGO, e em algumas clínicas, o compromisso é incorporar as melhores tecnologias disponíveis para oferecer aos pacientes ferramentas que aumentem as chances de sucesso nos tratamentos de fertilização assistida.

Embora muitas dessas tecnologias ainda estejam em fase de desenvolvimento ou avaliação, o progresso acelerado na área é promissor. A capacidade da IA de processar grandes volumes de dados, identificar padrões sutis e fornecer análises avançadas representa um avanço significativo para casais em busca de realizar o sonho de ter um filho. Estou confiante de que, com a combinação de expertise humana e a evolução tecnológica alcançaremos, cada vez mais, os melhores resultados.

5. DIAGNÓSTICO GENÉTICO PRÉ-IMPLANTACIONAL (PGT-A, PGT-M, PGT-SR e PGT-P)

O PGT (Teste Genético Pré-Implantacional) pode ser realizado no processo de fertilização in vitro (FIV), com o objetivo de diagnosticar nos embriões a existência de alguma doença genética, antes da implantação no útero da mãe.

Pode ser recomendado para todos os casais, mas as principais indicações são para mulheres com idade avançada (mais de 40 anos – alguns recomendam após os 38).

À medida que a mulher envelhece, aumentam também as chances de gerar embriões cromossomicamente alterados, não importando o número de embriões fertilizados. Também é recomendado quando um dos parceiros do casal tiver alterações cromossômicas avaliadas pelo exame cariótipo, como as translocações, inversões ou polimorfismos. A importância destes três últimos vai depender do histórico reprodutivo de cada paciente como, por exemplo, tempo de tentativas de gravidez, abortos e falhas em tratamentos anteriores. Casais com doenças genéticas na família causadas por genes específicos também têm indicação do teste.

Assim, casais com chances de gerar filhos com problemas genéticos como Síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21), Síndrome de Patau (trissomia do cromossomo 13), Síndrome de Edwards (trissomia do cromossomo 18), Síndrome do Klinefelter (47XXY), distrofia muscular, hemofilia, entre outras anomalias genéticas, podem descobrir se o embrião possui tais doenças por meio deste exame.

Para se realizar o PGT, é necessário inicialmente fazer uma biópsia do embrião. A biópsia embrionária é realizada na fase de blastocisto, ou seja, no 5º dia após a fecundação (algumas vezes é necessário esperar até o 6º ou 7º dia de evolução embrionária), o que permite avaliar um número maior de células (de 6 a 10) e, consequentemente, obter um resultado mais preciso. O procedimento consiste na retirada de células do trofectoderma do embrião, ou seja, a região externa formada por células que vão originar as estruturas da placenta e membranas.

A retirada das células embrionárias ocorre após a realização de uma pequena abertura na região externa do blastocisto. Algumas células que se exteriorizam por essa abertura são delicadamente aspiradas e encaminhadas ao laboratório de genética. É muito importante que a biópsia seja realizada de maneira correta para que não comprometa o desenvolvimento do embrião no futuro. Ressaltamos que a biópsia não afeta massa celular interna, ou seja, a porção do blastocisto que originará o feto propriamente dito, não prejudicando o futuro bebê.

Existem 4 tipos de análises genéticas que são indicadas de acordo com a necessidade de cada paciente.

PGT-A, PGT-M, PGT-SR e PGT-P: siglas para cada tipo de diagnóstico genético pré-implantacional

Após a realização da biópsia embrionária, as células extraídas são encaminhadas para o teste genético pré-implantacional (PGT), que pode ser de quatro tipos, de acordo com a anomalia genética investigada.

Todos esses testes podem ser realizados por meio da tecnologia de sequenciamento de nova geração (NGS – Next Generation Sequencing), que se tornou a principal ferramenta utilizada atualmente devido à sua alta sensibilidade, precisão e capacidade de detecção de múltiplas alterações genéticas, incluindo ganhos e perdas cromossômicas, mutações específicas e desequilíbrios estruturais. A escolha do tipo de PGT a ser realizado depende do histórico genético do casal, das características dos embriões e dos objetivos do tratamento, sendo eles:

  • PGT-A: lembre-se do A de ANEUPLOIDIA, que significa alterações cromossômicas, ou seja, o diagnóstico que identifica a saúde cromossômica do embrião. Embriões aneuploides têm cromossomos a mais ou a menos e, dependendo do cromossomo envolvido, pode levar a falha de implantação, abortos e gestações que evoluem com alterações, como Síndrome de Down, entre outras síndromes. Assim, este estudo é realizado para ajudar a oferecer um tratamento de FIV mais efetivo, pois permite identificar o embrião saudável com possibilidade ampliada de implantação e risco reduzido de abortamento e doenças cromossômicas, que estão principalmente relacionadas com a idade materna avançada e alterações no cariótipo do casal. Também é indicado em casos de abortos de repetição sem outra causa.  
  • PGT-M:lembre-se de M de MONOGÊNICA (gene único), no qual o diagnóstico do embrião tem o objetivo de identificar aqueles que foram afetados por uma alteração genética específica herdada dos pais e que dá origem a uma doença hereditária. É um estudo indicado para famílias em que existem casos de doenças causadas por um gene específico, tais como anemia falciforme e fibrose cística, entre outras. O objetivo do PGT-M é estabelecer uma gravidez que não será afetada por doenças genéticas causadas por uma mutação genética conhecida, presente em um ou ambos os pais. Também é usado para selecionar embriões para transferência que possuam características imunológicas específicas compatíveis com um irmão afetado pela doença, cujo tratamento efetivo seja o transplante de células-tronco.
  • PGT-SR:(teste Genético Pré-Implantacional para Reorganizações Estruturais ou, em inglês, Strutural Rearrangements, por isso SR): é um teste semelhante ao PGT-A, mas específico para casais com rearranjos cromossômicos estruturais como, por exemplo, as translocações. Os três principais tipos de rearranjos são: translocações recíprocas, translocações robertsonianas e inversões, já explicadas anteriormente. A translocação mais comum em humanos envolve os cromossomos 13 e 14 e é observada em cerca de 0,97/1000 dos recém-nascidos, mas existem outras consideradas importantes e que devem ser avaliadas caso a caso. O objetivo do PGT-SR é estabelecer uma gravidez que não seja afetada por essas anormalidades em um casal com uma translocação equilibrada ou deleção/duplicação. Rearranjos cromossômicos podem ser herdados ou podem ocorrer espontaneamente. Muitos portadores de rearranjos cromossômicos balanceados são saudáveis e desconhecem o status de portador até que tentem ter filhos. Os portadores de rearranjos equilibrados correm o risco de produzir embriões com a quantidade incorreta de material cromossômico, o que normalmente não leva a uma gravidez bem-sucedida. O PGT-SR pode ajudar a identificar embriões com a quantidade correta de material cromossômico com maior probabilidade de levar a uma gravidez bem-sucedida e a um nascimento saudável. A abreviação t(A;B)(p1;q2) é usada para denotar a translocação entre um cromossomo A e um cromossomo B. A informação no segundo conjunto de parênteses, quando fornecida, indica a localização precisa no cromossomo para os cromossomos A e B respectivamente – com p indicando o braço curto do cromossomo, q indicando o braço longo e os números após p e q se referindo às regiões, bandas e sub bandas quando os cromossomos são corados e observados em um microscópio.
  • PGT-P: lembre-se de P de Poligênica, ou seja, múltiplos genes. O exame PGT-P é um teste para avaliar o risco de o embrião ter doenças poligênicas complexas, ou seja, determinadas por múltiplos genes. O exame PGT-P é uma ferramenta de triagem usada para ajudar a selecionar qual(is) embrião(ões) tem/têm menor risco de desenvolver determinadas doenças no futuro. Este teste é projetado para rastrear várias condições ao mesmo tempo. O objetivo do PGT-P é encontrar embriões com menor risco para o desenvolvimento de doenças poligênicas, determinando um risco e não um diagnóstico, tornando o exame alvo de muitas críticas. Lembramos que as doenças em questão têm causas multifatoriais, não sendo determinadas somente pela condição genética, mas também influenciadas por fatores ambientais, e ainda não totalmente conhecidas. Assim, este tipo de seleção embrionária levanta diversas questões éticas.
Para saber mais sobre o diagnóstico pré-implantacional, baixa gratuitamente o e-book “Biópsia Embrionária na FIV”.

6. RI WITNESS - SEGURANÇA DO PACIENTE É PRIORIDADE

RI Witness é um sistema eletrônico de rastreabilidade usado em laboratórios de reprodução assistida (FIV) para garantir a identificação correta de gametas e embriões durante todas as etapas do tratamento.

O que significa

  • RI = Radio Frequency Identification (RFID)
  • Witness = “testemunha” / verificação

→ Ou seja: um sistema de verificação automática por radiofrequência.

Para que serve na prática

Ele funciona como uma “camada de segurança” dentro do laboratório:

  1. Cada paciente recebe um chip RFID exclusivo.
  2. Tubos, placas e materiais de manipulação de óvulos e embriões são etiquetados.
  3. Sensores nas bancadas e incubadoras identificam automaticamente quem é o material.
  4. Se houver qualquer risco de troca ou incompatibilidade, o sistema emite alerta imediato.

Em que momentos é usado:

  • Coleta de óvulos;
  • Preparo seminal;
  • Fertilização (ICSI/FIV clássica);
  • Cultivo embrionário;
  • Biópsia embrionária;
  • Transferência de embriões;
  • Criopreservação.

Impacto clínico

  • Reduz praticamente a zero o risco de troca de material biológico.
  • Padroniza a cadeia de custódia embrionária.
  • Funciona como auditoria contínua de segurança laboratorial.
  • É considerado hoje um dos pilares de quality control em laboratórios de FIV de alto padrão.

Em termos conceituais, o RI Witness não melhora taxa de gravidez diretamente, ele melhora segurança, rastreabilidade e confiabilidade do processo, que são requisitos críticos em medicina reprodutiva moderna

7. ESTRATÉGIAS ESPECIAIS

Estimulação ovariana na fase lútea: quando e por que utilizar

Durante muitos anos, acreditava-se que a estimulação ovariana deveria sempre começar no início do ciclo menstrual, na chamada fase folicular, quando os folículos começam naturalmente seu crescimento. Hoje sabemos que isso não é uma regra absoluta. Estudos mais recentes demonstraram que o ovário apresenta múltiplas ondas de crescimento folicular ao longo do ciclo, o que permite iniciar o estímulo em diferentes momentos, inclusive após a ovulação, na chamada fase lútea.

Apesar disso, é importante deixar claro que a estimulação na fase lútea não é o padrão habitual. Trata-se de uma estratégia alternativa, utilizada de forma individualizada, principalmente em situações específicas.

Quando essa estratégia é indicada

A estimulação na fase lútea ganha importância principalmente em três cenários. O primeiro é quando há urgência para iniciar o tratamento, como em pacientes que precisam preservar a fertilidade antes de iniciar quimioterapia. O segundo é quando a resposta na fase folicular foi insatisfatória, com poucos folículos ou desenvolvimento inadequado. O terceiro é quando, ao longo do ciclo, observa-se uma melhor quantidade de folículos na fase lútea em comparação ao início do ciclo.

Nessas situações, em vez de aguardar um novo ciclo menstrual, pode-se aproveitar essa nova onda de crescimento folicular para iniciar uma nova estimulação imediatamente.

Como funciona o protocolo

O início do protocolo ocorre alguns dias após a ovulação ou após uma primeira coleta de óvulos no mesmo ciclo. Utilizam-se gonadotrofinas, geralmente em doses semelhantes às da estimulação convencional, podendo ser ajustadas conforme a resposta prévia da paciente.

Mesmo com níveis mais elevados de progesterona, típicos da fase lútea, os folículos continuam sendo capazes de crescer e se desenvolver. Em muitos casos, associa-se o uso de antagonistas do GnRH para evitar elevações hormonais indesejadas, embora isso possa variar de acordo com a estratégia adotada.

O acompanhamento é cuidadoso e frequente, com ultrassonografias seriadas e, quando necessário, exames hormonais. Quando os folículos atingem o tamanho adequado, realiza-se o trigger de maturação, geralmente com agonista de GnRH em protocolos mais modernos.

A coleta dos óvulos é feita de maneira semelhante à dos protocolos tradicionais, cerca de 34 a 36 horas após o trigger. Os óvulos são então fertilizados, normalmente por ICSI, e os embriões são cultivados até a fase de blastocisto.

Por que os embriões são congelados

Como o ambiente hormonal da fase lútea não é o mais adequado para a implantação embrionária, a conduta mais comum é o congelamento de todos os embriões. A transferência é realizada posteriormente, em um ciclo preparado de forma ideal para o endométrio.

Integração com estratégias modernas

Essa abordagem muitas vezes faz parte do conceito de DuoStim, em que são realizadas duas estimulações no mesmo ciclo menstrual, com o objetivo de aumentar o número total de óvulos obtidos em um curto período. Isso é especialmente útil em pacientes com baixa reserva ovariana ou com necessidade de otimizar rapidamente os resultados.

Conclusão

A estimulação ovariana na fase lútea representa uma evolução importante no entendimento da fisiologia ovariana e na personalização dos tratamentos. Embora não seja indicada para todas as pacientes, pode ser uma alternativa valiosa em casos bem selecionados, especialmente quando a resposta ao protocolo convencional foi insatisfatória ou quando o tempo é um fator crítico

DUOSTIM

UM PROTOCOLO PARA MULHERES COM POUCOS ÓVULOS

O DuoStim, ou Double Stimulation (Dupla Estimulação), consiste em um protocolo de estimulação ovariana em que são realizadas 2 coletas de óvulos no mesmo ciclo menstrual, aumentando, assim, o número de óvulos coletados. O DuoStim pode ser útil em pacientes más respondedoras, aumentando o número de óvulos coletados num mesmo ciclo e, assim, aumentando também a chance de gravidez.

Em um ciclo de Fertilização in vitro (FIV) normalmente é utilizada uma estimulação ovariana para se obter um desenvolvimento folicular múltiplo e, assim, conseguir uma quantidade mínima de óvulos que formem pelo menos um embrião de boa qualidade, de preferência blastocisto (embrião com 5 dias de desenvolvimento). Considerando que, mesmo com grande avanço da técnica, nem todos os óvulos são fertilizados e entre os embriões formados, nem todos serão de boa qualidade, recomenda-se a obtenção de pelo menos 6-8 oócitos maduros. Entretanto, uma parte das mulheres submetidas a um ciclo de FIV, mesmo com altas doses de medicações, recrutam um número pequeno de folículos, apresentando o que chamamos de uma má resposta, ou seja, quando são coletados 3 óvulos ou menos.

 

Uma opção é fazer mais de uma coleta para conseguir acumular um maior número de óvulos. Isso pode ser demorado, pois algumas poderão necessitar de várias coletas.

Uma alternativa é o protocolo DuoStim. Desenvolvido pelo Prof. Kuang e por colaboradores da Shanghai Jiao Tong University, este protocolo propõe duas coletas num mesmo ciclo, sendo a segunda indução na fase lútea da primeira. Todos os embriões são congelados e transferidos em um ciclo natural subsequente ou após preparo endometrial com medicações.

Após a demonstração de resultados com o protocolo chinês, novos autores propuseram novos esquemas de DuoStim. A medicação para estimular os ovários pode ser variável de acordo com a experiência de cada profissional. Inicia-se a estimulação ovariana da forma usual, utiliza-se o bloqueio da ovulação com antagonista do GnRH e o trigger com agonista do GnRH.  Depois de 5 dias da coleta de óvulos, já se inicia um novo protocolo de estimulação. Um estudo utilizando este protocolo observou maior número de óvulos maduros e embriões na segunda coleta e, em um outro, não houve diferença no número de óvulos, óvulos maduros, embriões ou taxa de embrião euploides (geneticamente normais), comparando as duas coletas. Isso mostra que não é necessário esperar o próximo ciclo para estimular novamente os ovários e fazendo este protocolo, pode-se aumentar o número de óvulos obtidos.

Fundamentação conceitual

O racional do critério baseia-se em três pilares:

  1. A existência de múltiplas ondas foliculares no mesmo ciclo.
  2. A possibilidade de recrutamento adicional na fase lútea.
  3. A otimização do aproveitamento folicular em pacientes de baixa reserva ou resposta subótima.

Quando há discrepância significativa entre folículos visualizados e óvulos recuperados, sugere-se possível assincronia de maturação ou falha parcial de resposta ao estímulo inicial. Nesses casos, a realização de um segundo estímulo no mesmo ciclo pode permitir captação adicional de oócitos potencialmente viáveis.

Critério formal de indicação de DuoStim

Proposto por Dr. Arnaldo Cambiaghi

A decisão pela realização de DuoStim deve ser baseada não apenas na reserva ovariana, mas também na análise comparativa entre o número de folículos visualizados no dia da punção e o número efetivamente recuperado.

A discrepância entre óvulos aspirados e óvulos remanescentes pode indicar falha de recrutamento funcional na segunda onda folicular do mesmo ciclo. Esse conceito fundamenta o critério abaixo.

Tabela 1. Critérios que eu recomendo para indicação de DuoStim

Grau de indicação para DuoStim

Relação entre o número de óvulos coletados e remanescentes

Interpretação clínica

❌ Indicação inadequada

Óvulos coletados > (maior) óvulos remanescentes

Baixa eficiência de captação na segunda fase

✔✔✔ Indicação moderada

Óvulos coletados ≈ (igual) óvulos remanescentes

Eficiência intermediária na captação de segunda fase

✔✔✔✔✔ Forte indicação

Óvulos coletados <(menor) óvulos remanescentes

Boa eficiência de captação na segunda fase

Posicionamento autoral

Este critério reflete uma interpretação clínica baseada na experiência prática acumulada em protocolos de estimulação ovariana e na análise individualizada do desempenho folicular intraciclo.

Trata-se de uma proposta de sistematização decisória que integra observação clínica, fisiologia ovariana contemporânea e estratégia de maximização de rendimento oocitário.

IMPORTANTE:

Deve-se ressaltar que esta alternativa pode apresentar uma resposta melhor em 80% dos casos e NÃO na totalidade. Por isso, deve ser indicada com ponderação. Além disso, vale esclarecer que a segunda fase do DuoStim costuma ser mais longa que a primeira e, por este motivo, necessita de mais dias de medicação, consequentemente, gerando um aumento no custo do tratamento. E, mesmo assim, pode ter um resultado inferior à primeira fase.

8. TRATAMENTOS DE FERTILIZAÇÃO PARA PACIENTES QUE MORAM EM OUTRAS CIDADES

O sucesso de um tratamento de fertilidade não depende apenas da técnica médica. Ele depende, sobretudo, do cuidado com a vida real do casal que está vivendo esse processo.

Hoje, é cada vez mais comum atender pacientes que moram em outras cidades, outros estados e até em outros países. Nesses casos, a primeira consulta costuma ser realizada de forma online, permitindo uma compreensão ampla da história do casal. A partir daí, muitos exames podem ser feitos na própria cidade onde vivem, com orientação detalhada da equipe. Ainda assim, alguns exames mais complexos precisam ser realizados em centros especializados.

Para quem está longe e mantém uma rotina profissional ativa, o tratamento vai além das consultas e medicações. Envolve deslocamentos, ajustes na agenda, ausências no trabalho, custos extras, hospedagem e um desgaste emocional importante. Muitas vezes, o casal também prefere manter privacidade, evitando explicar saídas frequentes ou lidar com perguntas no ambiente profissional.

Por isso, organizar o tratamento de forma estratégica é essencial. Grande parte do início pode ser conduzida à distância. Após o planejamento, as medicações são prescritas e entregues na casa do paciente. Quando a menstruação começa, todas as orientações já estão claras. Os primeiros ultrassons podem ser realizados na cidade de origem e enviados para análise, permitindo o acompanhamento próximo e seguro da estimulação ovariana.

Conforme o tratamento evolui, chega um momento em que a presença na clínica se torna necessária, geralmente por volta do nono dia de estímulo. Nessa fase, é definido com precisão o melhor momento para a coleta dos óvulos. Após esse procedimento, no dia seguinte, a paciente já pode retornar à sua cidade e acompanhar à distância o desenvolvimento dos embriões.

Na etapa da transferência embrionária, alguns exames mais específicos e o preparo do endométrio exigem avaliação mais direta. Ainda assim, o tempo de permanência costuma ser curto, em média de três a cinco dias para cada etapa do tratamento. Em algumas situações, o parceiro pode antecipar sua ida para coleta e congelamento de sêmen, facilitando ainda mais a logística.

Diante de tudo isso, oferecer conforto não é um diferencial. É parte da responsabilidade médica. Significa adaptar horários, reduzir deslocamentos desnecessários, respeitar o tempo do casal e preservar sua privacidade. O tratamento já é exigente por si só, com injeções, expectativas e decisões delicadas. Torná-lo mais leve, previsível e viável faz toda a diferença.

A medicina reprodutiva precisa ser também uma medicina de acolhimento. Cuidar não é apenas seguir protocolos. É estar presente em cada detalhe, compreendendo as limitações, os medos e os sonhos de cada casal. É garantir que, mesmo à distância, eles se sintam seguros, orientados e respeitados em todo o caminho.

A clínica IPGO possui uma estrutura especialmente preparada para acompanhar pacientes que moram em outras cidades, oferecendo organização, proximidade e suporte em todas as etapas do tratamento de fertilização.

Porque, no final, não basta oferecer um tratamento. É preciso garantir que cada casal tenha um caminho possível para transformar o seu sonho em realidade

Por isso, organizar o tratamento de forma estratégica é essencial. Grande parte do início pode ser conduzida à distância. Após o planejamento, as medicações podem ser compradas em distribuidoras especializadas que entregam a medicação na casa da paciente. Quando a menstruação começa, todas as orientações já estão claras. Os primeiros ultrassons podem ser realizados na cidade de origem e enviados para análise, permitindo o acompanhamento próximo e seguro da estimulação ovariana.

Resumo das etapas para pacientes de outras cidades

  • Primeira consulta (online)
    Avaliação completa da história do casal
    • Definição inicial da estratégia de tratamento
    • Solicitação de exames que podem ser realizados na cidade de origem
  • Organização dos exames
    Realização local da maioria dos exames
    • Encaminhamento dos resultados para a equipe médica
    • Identificação dos exames que precisam ser feitos em centros especializados
  • Planejamento individualizado
    Estruturação do tratamento de acordo com a rotina do casal
    • Redução de deslocamentos desnecessários
    • Definição de um cronograma claro e previsível
  • Início da estimulação ovariana
    Recebimento das receitas e medicações em casa
    • Orientações detalhadas no início do ciclo menstrual
    • Primeiros dias conduzidos na cidade de origem
  • Monitoramento à distância
    Ultrassons realizados localmente
    • Envio dos exames para avaliação da equipe
    • Ajustes de medicação feitos de forma contínua e segura
  • Deslocamento para a clínica
    Viagem programada no momento mais adequado do ciclo
    • Avaliação presencial mais precisa
    • Definição do melhor momento para a coleta dos óvulos
  • Coleta dos óvulos
    Procedimento realizado na clínica de fertilização
    • Permanência curta na cidade
    • Retorno à cidade de origem já no dia seguinte
  • Desenvolvimento embrionário
    Acompanhamento à distância da evolução dos embriões
    • Comunicação ativa com a equipe médica, embriologista e de enfermagem
    • Planejamento da próxima etapa
  • Preparação para a transferência
    Realização de exames mais específicos na clínica
    • Controle do preparo endometrial
    • Organização da viagem com antecedência mínima
  • Transferência embrionária
    Procedimento simples e programado
    • Permanência média de 3 a 5 dias
    • Retorno precoce para casa
  • Estratégias para o parceiro
    Possibilidade de coleta e congelamento prévio do sêmen
    • Redução da necessidade de múltiplos deslocamentos
  • Acompanhamento pós-transferência
    Seguimento à distância
    • Orientações contínuas
    • Monitoramento dos resultados iniciais
  • Suporte e acolhimento
    Respeito à rotina profissional e pessoal
    • Preservação da privacidade do casal
    • Comunicação próxima, clara e constante
  • Objetivo do processo
    Tornar o tratamento viável mesmo à distância
    • Reduzir o desgaste físico e emocional
    • Garantir segurança, organização e confiança em todas as etapas

9. MEDICAMENTOS UTILIZADOS NOS TRATAMENTOS DE INFERTILIDADE

Para muitas pessoas, os tratamentos de infertilidade parecem ser complicados e muito invasivos, principalmente a fertilização in vitro, que utiliza um número maior de medicamentos. É importante que os casais conheçam como cada um deles funciona, principalmente as mulheres, pois são elas que receberão a maioria dessas substâncias, quase todas injetáveis.

A ovulação sem medicamentos

O ciclo menstrual reflete a integração de um mecanismo hormonal em perfeita sintonia, que culmina com a ovulação de um único óvulo. Embora o mecanismo de ovulação ocorra no ovário, as ordens desse processo hormonal partem de uma área do cérebro chamada hipotálamo, que trabalha em harmonia com uma glândula próxima chamada hipófise. Essas duas glândulas coordenam o funcionamento do ovário que, por sua vez, produz os óvulos e o hormônio estrogênio, que prepara o útero para receber o futuro bebê.

O ovário contém milhares de óvulos, mas, em todo ciclo menstrual natural, somente um deles alcança o pico ovulatório. Esse processo inicia-se logo após o começo da menstruação, quando o hipotálamo manda uma mensagem para a hipófise liberar um hormônio chamado FSH (Hormônio Folículo Estimulante). Essa substância estimula os ovários que escolhem, nesse ciclo natural, um folículo, às vezes dois (gestação gemelar natural), para se desenvolver de 10 a 14 dias, até a data da ovulação. Nestes dias do desenvolvimento, o folículo produz o hormônio estrogênio, responsável pelo crescimento do endométrio no interior do útero. Quando ele alcança o diâmetro aproximado de 18 mm – e isso significa que já está maduro – manda uma mensagem para a hipófise, que aumenta o hormônio LH (Hormônio Luteinizante). E este determina a ovulação. Assim que o óvulo se desprende do ovário e é captado pela tuba, deve, em 24 horas, entrar em contato com os espermatozoides para fecundação. Após esse fenômeno, inicia-se a migração pela tuba uterina do embrião recém-formado, em direção à cavidade uterina – percurso este que deve durar cerca de quatro dias. Neste momento resta no ovário o corpo lúteo, que é a parte do folículo que ficou lá após a ovulação, e inicia-se a produção do hormônio progesterona, que finaliza a preparação final do endométrio para receber o embrião. Pode-se, neste caso, fazer a analogia com o ovo da galinha. O óvulo corresponde à gema que saiu de dentro do ovo, e a clara e a casca correspondem ao corpo lúteo que ficou no ovário.

Com a implantação do embrião, o ovário mantém a produção de estrogênio e progesterona, causando um ambiente ideal para o desenvolvimento do embrião e a integridade do endométrio. Se não houver a implantação, ou seja, não ocorrendo a gravidez, os hormônios desabam em 14 dias e ocorre a menstruação.

Todo esse processo serve de base para os tratamentos de fertilização. Eles devem ser individualizados pela idade da paciente, os problemas médicos que envolvem cada caso e a logística (distância da residência ou trabalho da paciente ao centro de reprodução humana), além dos fatores financeiros, morais e religiosos. De um modo geral, os tratamentos são diferentes uns dos outros, mas devem ser comparados entre si quanto à taxa de sucesso de gravidez, desconforto, complicações e custo. Entretanto, todos têm o objetivo de aproximar ao máximo o óvulo do espermatozoide e obter a gestação, desde os mais simples – como a indução da ovulação ou o coito programado, que sincroniza o dia do ato sexual com o dia provável da ovulação – até os mais complexos, como a fertilização in vitro.

Os medicamentos orais nos tratamentos

As medicações utilizadas nos tratamentos buscam melhorar a qualidade e o número dos óvulos, embora este aumento deva ser ponderado pelo médico e proporcional aos tratamentos executados. Obter muitos óvulos e arriscar a gestação de múltiplos em nenhuma hipótese deverá ser objetivo dos tratamentos.

Os medicamentos podem ser tomados por via oral ou injetável. O Clomiphene (nomes comerciais: Indux e outros) é uma droga conhecida desde 1967 e age na hipófise, fazendo com que essa glândula “acredite” não ter no organismo o estrogênio suficiente fabricado pelos ovários. Desta maneira, a hipófise aumenta os níveis do FSH para compensação daquele que está baixo, e assim produz um aumento do estímulo ovariano e, consequentemente, mais óvulos. Esta medicação é útil nos tratamentos que visam corrigir problemas de ovulação, por exemplo, os ovários policísticos. As doses recomendadas das medicações utilizadas nos tratamentos são variadas de acordo com o perfil da paciente e o tratamento proposto, que pode ser desde a indução da ovulação para coito programado até tratamentos mais complexos como a fertilização in vitro.

O inconveniente do Clomiphene é o efeito deletério sobre o endométrio, que se torna pouco receptivo para a implantação dos embriões. Por essa razão, nos tratamentos mais complexos, os embriões são congelados pela técnica de vitrificação, que produz taxas de gravidez semelhantes aos embriões não congelados, e transferidos para o útero em um próximo ciclo. Apesar de ser uma droga mais simples e muito conhecida pelos médicos, não pode ser administrada sem controle do ultrassom, pois pode ser responsável por Hiperestimulação Ovariana e suas consequências. Os efeitos colaterais também não devem ser desconsiderados (gestação múltipla, mal-estar, sudorese noturna e retenção de líquido).

Outra medicação recomendada por via oral são os inibidores da aromatase, cujo principal representante é o Letrozol, muitas vezes associado ao Clomiphene.

Os medicamentos injetáveis nos tratamentos

As medicações injetáveis, chamadas de Gonadotropinas ou Gonadotrofinas, são as mais importantes utilizadas nos tratamentos de fertilização, pois são as que levam aos melhores resultados. Esses medicamentos contêm o hormônio FSH, que no corpo humano é fabricado pela hipófise e age diretamente sobre o ovário. Os produtos comerciais com FSH produzidos pela indústria farmacêutica diferem entre si pelo grau de pureza. O FSH puro (Gonal, Puregon e Rekovelle) é produzido pela técnica recombinante, é eficaz e deve ser injetado diariamente por via subcutânea. Existem ainda outros tipos de FSH associados ao LH altamente purificado, como o Menopur e o Merional. O tempo de indução de ovulação para uma paciente varia de 8 a 12 dias, o que se traduz no mesmo número de injeções. Uma nova medicação produzida pelo laboratório MSD, com o nome comercial Elonva (Corifolitropina alfa), reduz o número de aplicações de sete para uma única, de longa duração, o que diminui muito o número de picadas e o inconveniente das injeções diárias, levando um maior conforto para as pacientes.

As medicações hormonais para a indução da ovulação já foram amplamente estudadas como responsáveis por câncer de ovário, mas até hoje nada foi comprovado. O FSH é a medicação de escolha para a maioria dos tratamentos de fertilização in vitro. Outras medicações importantes são os bloqueadores da ovulação, utilizados principalmente nos tratamentos de maior complexidade, pois impedem que a ovulação ocorra antecipadamente e os óvulos sejam perdidos antes de serem coletados nos tratamentos de fertilização in vitro. Existem duas categorias: os GnRH agonistas (atualmente só está disponível o Gonapeptyl) e os GnRH antagonistas (Cetrotide e Orgalutran). Eles são aplicados por injeções subcutâneas e inibem a elevação do hormônio LH, que causa a ovulação.

A escolha de um ou outro é indiferente e vai depender de cada caso e do profissional que trata a paciente. Os agonistas são administrados antes do início da estimulação ovariana, e os antagonistas, aplicados de cinco a seis dias após o início da indução da ovulação. Os agonistas podem provocar efeitos colaterais como sudorese noturna, ondas de calor, secura vaginal, dores de cabeça e eventuais reações alérgicas. Os antagonistas causam menos efeitos colaterais, necessitam de menos picadas, mas custam mais caro.

Entre outras drogas importantes está a gonadotrofina coriônica (hCG), injetável por via subcutânea, que imita a ação do LH produzido pelo organismo. Assim, esta medicação finaliza a maturação ovular. Deve ser utilizada em todos os tratamentos de fertilização assistida, desde o coito programado até a fertilização in vitro. Na primeira hipótese, definem o melhor momento para o ato sexual ou inseminação artificial, e, na segunda, os óvulos são coletados entre 35 e 38 após a medicação ser injetada na paciente. Em situações excepcionais, como, por exemplo, mulheres que tem histórico de folículos vazios em tratamentos anteriores, fazemos a coleta até 40 (quarenta) horas após o trigger. Mas existe um protocolo especial para esta estratégia.

Após ocorrer a fertilização, alguns tratamentos necessitam de suporte hormonal e, por isso, a progesterona deve ser administrada por via intramuscular ou vaginal, em forma de creme ou óvulos vaginais. Alguns centros de reprodução humana preferem a progesterona injetável, uma vez que a via intramuscular é dolorosa e deve ser indicada em casos específicos. O estrogênio (oral, transdérmico, vaginal ou injetável) é recomendado em algumas situações para melhorar a qualidade do endométrio, mas é mais frequentemente utilizada em ciclos de doação de óvulos ou transferência de embriões congelados. Ainda neste item, merece ser comentada a utilização, em condições excepcionais, do Sildenafil (Viagra). Tadalafil (Cialis) e da Pentoxifilina, Hormônio de Crescimento (GH), PRP e outras possibilidades com o objetivo de melhorar a qualidade do endométrio – mas os benefícios são ainda questionáveis.

A infertilidade é um problema que atinge 15% dos casais que desejam a concepção, e existem inúmeras drogas disponíveis que proporcionam ótimos resultados. Porém, o conhecimento científico e o bom senso na utilização das medicações são essenciais para o sucesso dos tratamentos. Os efeitos colaterais devem ser bem conhecidos pelos profissionais especialistas que os utilizam. Obter os melhores resultados com menos efeitos colaterais e complicações deve ser o objetivo de todos os tratamentos desta especialidade.

10.LINHA DO TEMPO NA FIV

12. INSTRUÇÕES PARA AUTOAPLICAÇÃO – ADMINISTRAÇÃO SUBCUTÂNEA

Material utilizado:

 

  • 2 chumaços de algodão.
  • 1 ampola de diluente.
  • 1 ampola contendo a medicação.
  • 1 seringa de 3 mm.
  • 1 agulha para aspiração (40×12 ou 30×7).
  • 1 agulha fina de pequeno calibre para injeção subcutânea (13×3 ou 13×4).

Preparo da solução:

Separe o material a ser utilizado e o coloque em uma superfície limpa.

Lave bem as mãos com água e sabão, se possível esterilize-as com álcool 70%. É muito importante que suas mãos e os materiais que for utilizar estejam tão limpos quanto possível.

Abra o material (seringas, agulhas etc.)

Monte a seringa colocando a agulha de maior calibre, de aspiração, (40×12 ou 30×7)

Em seguida, pressione a ampola do diluente firmemente acima do gargalo e quebre-a com força no ponto colorido

Com uma das mãos, pegue a ampola aberta e, com a outra, segure a seringa, introduza a agulha e aspire 1 ml do diluente

Insira todo o diluente contido na seringa dentro da ampola da medicação e aguarde até a completa reconstituição da solução sem agitar (1 minuto é suficiente)

Aspire cuidadosamente a solução novamente para a seringa

Substitua a agulha de maior calibre pela agulha fina de pequeno calibre esterilizada

Retire cuidadosamente o ar da seringa. Se você notar qualquer bolha de ar na seringa, segure-a com a agulha virada para cima e agite a seringa cuidadosamente até que todo o ar suba até o topo. Empurre o embolo até que as bolhas de ar tenham desaparecido. Após o uso, descarte a agulha e as ampolas vazias em local apropriado

Autoadministração subcutânea:

Escolha o local para aplicação da injeção. Os melhores locais para aplicação são: abdômen e região superior das coxas. É importante variar sempre o local da aplicação. Não utilize áreas em que você sinta rigidez, saliência ou dor

Escolha o local para aplicação da injeção. Os melhores locais para aplicação são: abdômen e região superior das coxas. É importante variar sempre o local da aplicação. Não utilize áreas em que você sinta rigidez, saliência ou dor

Após escolher o local da aplicação, meça uma distância de 2 a 3 dedos do umbigo (se for no abdômen). Lembre-se de não aplicar em cicatrizes ou pintas.

Aperte levemente a pele em volta do local (para levantá-la um pouco, tornando uma prega). Segure a seringa como se fosse um lápis ou um dardo.

Apoie seu punho sobre a pele próximo ao local, introduza a agulha direto na pele em um ângulo de 90° à superfície da pele

Injete a droga lentamente, com movimento firme (empurre o embolo completamente até que a seringa fique vazia)

Conte de 10 a 15 segundos para retirar a agulha da pele. Comprima o local da aplicação com um algodão limpo por volta de 10 segundos. Em seguida, descarte o material de forma apropriada.

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Perguntas e respostas Fertilização In Vitro em foco

A fertilização in vitro é um tratamento de reprodução assistida em que a fecundação, ou seja, o encontro entre o óvulo e o espermatozoide, acontece fora do corpo da mulher, dentro de um laboratório altamente controlado.

Na gestação natural, esse encontro ocorre dentro das trompas. Já na FIV, retiramos os óvulos do ovário, colocamos em contato com os espermatozoides em laboratório, formamos os embriões e, posteriormente, transferimos esses embriões para o útero.

A grande vantagem desse método é o controle. Conseguimos observar:

  • quantos óvulos foram obtidos
  • quantos fertilizaram
  • como os embriões evoluem
  • qual o melhor momento para transferir

Isso transforma um processo que, naturalmente, é invisível, em algo monitorado passo a passo.

Não, e isso precisa estar muito claro desde o início.

A FIV aumenta as chances de gravidez, mas não elimina todas as variáveis biológicas envolvidas. A implantação embrionária é um processo complexo, que depende de uma interação perfeita entre o embrião e o útero.

Mesmo com embriões de boa qualidade, podem ocorrer falhas porque:

  • o embrião pode não ser geneticamente normal
  • o endométrio pode não estar no momento ideal
  • podem existir fatores imunológicos ou inflamatórios

Além disso, a idade da mulher é o fator mais importante. Quanto mais avançada a idade, maior a chance de alterações cromossômicas nos óvulos.

Por isso, muitas vezes, mais de um ciclo pode ser necessário.

As medicações da FIV atuam diretamente no controle hormonal do corpo.

Quando você aplica uma medicação, está interferindo em um sistema extremamente delicado, que regula:

  • crescimento dos folículos
  • produção de hormônios
  • momento da ovulação

Se houver atraso ou erro no horário:

  • o crescimento pode ficar desregulado
  • pode ocorrer ovulação antes da coleta
  • pode haver perda de óvulos

Por isso, recomendamos:

  • uso de alarmes
  • rotina fixa
  • organização prévia

A precisão no horário é tão importante quanto a escolha da medicação.

No ciclo natural, o corpo seleciona apenas um óvulo por mês.

Na FIV, isso não é suficiente. Precisamos de vários óvulos porque existe uma perda natural ao longo do processo:

  • nem todos são maduros
  • nem todos fertilizam
  • nem todos viram embriões viáveis

A estimulação ovariana utiliza hormônios (FSH e, às vezes, LH) para estimular o crescimento simultâneo de vários folículos.

Isso aumenta as chances de obter pelo menos um embrião com potencial de implantação.

O acompanhamento é feito principalmente por ultrassonografia transvaginal.

Nesse exame, avaliamos:

  • número de folículos
  • tamanho dos folículos
  • crescimento ao longo dos dias
  • espessura e aspecto do endométrio

Folículos com cerca de 18 mm indicam maturidade próxima.

Além disso, em alguns casos, exames de sangue ajudam a avaliar os níveis hormonais, como estradiol e progesterona.

Esse acompanhamento permite ajustar o tratamento em tempo real.

O trigger é a medicação que induz a maturação final dos óvulos.

Ele simula o pico natural do hormônio LH, que é o responsável pela ovulação.

Após essa medicação:

  • os óvulos entram na fase final de maturação
  • a coleta precisa ser feita no tempo exato

Se for feita muito cedo, os óvulos podem estar imaturos.
Se for feita tarde demais, pode ocorrer ovulação e perda dos óvulos.

Por isso, o horário do trigger é um dos momentos mais críticos do tratamento.

A coleta é um procedimento simples, rápido e seguro.

Ela é feita:

  • com sedação profunda (a paciente dorme)
  • guiada por ultrassom
  • com uma agulha fina que aspira os folículos

Duração média: 10 a 15 minutos.

Após o procedimento:

  • a paciente fica em observação por cerca de 1 hora
  • pode ir para casa no mesmo dia
  • deve evitar esforço por 24 horas

A maioria das pacientes relata desconforto leve, semelhante a cólica.

Não, e isso é absolutamente esperado.

Existe uma sequência natural de perdas:

  • alguns óvulos são imaturos
  • alguns não fertilizam
  • alguns embriões param de evoluir

Exemplo simplificado:
10 óvulos coletados → 7 maduros → 5 fertilizados → 2 ou 3 embriões viáveis

Isso não significa falha, mas sim a biologia natural do processo.

Na FIV clássica, os espermatozoides são colocados ao redor do óvulo e um deles penetra naturalmente.

Na ICSI, o embriologista seleciona um espermatozoide e o injeta diretamente dentro do óvulo.

A ICSI é preferida quando:

  • há baixa quantidade de espermatozoides
  • há alterações de motilidade ou morfologia
  • houve falha de fertilização anterior

Hoje, a ICSI é a técnica mais utilizada.

Após a fertilização, os embriões ficam em incubadoras com ambiente controlado de temperatura, gás e umidade.

Eles são observados diariamente:

  • divisão celular
  • simetria
  • velocidade de desenvolvimento

O objetivo é acompanhar até o estágio de blastocisto (5º dia), quando têm maior chance de implantação.

O blastocisto é um embrião mais desenvolvido, com cerca de 100 células.

Ele já possui:

  • massa celular interna (que formará o bebê)
  • trofectoderma (que formará a placenta)

Esse estágio é importante porque:

  • aumenta a chance de implantação
  • permite melhor seleção embrionária

Mas nem todos os embriões chegam a esse estágio.

O PGT é um exame feito no embrião para analisar seus cromossomos.

Ele permite identificar:

  • embriões normais (euploides)
  • embriões com alterações (aneuploides)

É especialmente útil em:

  • mulheres acima de 38-40 anos
  • abortos de repetição
  • falhas de implantação

Ajuda a aumentar a chance de gravidez e reduzir abortos.

É um procedimento simples, indolor e rápido.

O embrião é colocado no útero com um cateter muito fino, guiado por ultrassom.

Não precisa de anestesia na maioria dos casos.

A paciente permanece em repouso por cerca de 20 a 30 minutos e depois pode ir para casa.

Não precisa de repouso absoluto.

O embrião não “cai” com movimentos.

A implantação depende de fatores biológicos, não da posição do corpo.

Recomendamos:

  • evitar esforço intenso
  • manter rotina leve

Mas atividades simples estão liberadas.

Podem ocorrer:

  • cólicas leves
  • sensação de peso abdominal
  • pequeno sangramento

Esses sintomas são comuns e não indicam falha.

O corpo está respondendo ao processo.

Porque pode gerar ansiedade e interpretações erradas.

O teste de farmácia:

  • pode detectar o hCG da medicação (falso positivo)
  • pode não detectar uma gravidez inicial (falso negativo)

O exame correto é o beta-hCG no sangue, na data indicada.

Após a transferência, o corpo pode não produzir hormônios suficientes.

Por isso, utilizamos:

  • progesterona
  • estradiol

Eles ajudam a manter o endométrio preparado para a implantação e o início da gestação.

Sim, e muito.

Fatores como:

  • sono inadequado
  • estresse
  • cigarro
  • álcool
  • alimentação ruim

podem prejudicar:

  • qualidade dos óvulos
  • qualidade do sêmen
  • ambiente uterino

O tratamento não começa na clínica, começa no estilo de vida.

O espermatozoide é sensível à temperatura.

O aumento do calor pode reduzir:

  • produção
  • motilidade
  • qualidade

Por isso:

  • evitar sauna
  • evitar notebook no colo
  • evitar roupas apertadas

Que este é um processo que exige equilíbrio entre ciência e comportamento.

A medicina oferece tecnologia, estratégia e precisão.

Mas o resultado depende também da paciente:

  • disciplina
  • organização
  • compreensão do processo
  • controle emocional

É um caminho técnico, mas também profundamente humano.

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