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CÂNCER DE OVÁRIO: DESAFIOS NO DIAGNÓSTICO E PRESERVAÇÃO DA SAÚDE REPRODUTIVA

O câncer de ovário não é um dos mais comuns, mas é considerado um dos mais letais devido a sua alta taxa de mortalidade que gira em torno de 70%, pois muitas vezes não é detectado até estar em um estágio avançado.

De acordo com a tabela do INCA – Instituto Nacional do Câncer, dos dez tipos de câncer mais incidentes em mulheres estimados para 2023, o câncer de ovário está na 8º posição, com uma estimativa de atingir cerca de 7.310 mulheres a cada 100 mil habitantes.

Os 10 principais tipos de câncer na mulher

O câncer, por si só (dependendo de sua localidade), parece não afetar a fertilidade da mulher. Por outro lado seu tratamento é muito agressivo e pode representar grande risco de infertilidade, menopausa precoce e complicações obstétricas em gestações futuras. Tanto a quimioterapia quanto a radioterapia podem destruir grande parte da reserva ovariana, mesmo que sua menstruação volte normalmente após o tratamento. Além do dano ovariano pela quimio e radioterapia, a fertilidade feminina também pode ser afetada por cirurgias que removam ovários, trompas e até mesmo o útero.2

Quais são os sintomas do câncer de ovário?

Os sintomas do câncer de ovário podem variar de mulher para mulher, o que pode mascarar a doença, pois podem ser facilmente confundidos com sintomas de outras doenças menos grave. O câncer de ovário, muitas vezes, apresenta nenhum ou quase nenhum sintoma até que esteja em um grau mais avançada, dificultando seu diagnóstico precoce.

No entanto, à medida que o câncer progride, podem surgir alguns sintomas. Aqui estão os sintomas mais comuns do câncer de ovário:3

  • Dor abdominal ou pélvica: A dor no abdômen inferior ou na área pélvica é um sintoma comum do câncer de ovário. Pode ser persistente e não aliviar com o tempo.
  • Inchaço abdominal: O inchaço abdominal, muitas vezes descrito como uma sensação de plenitude ou distensão abdominal, pode ocorrer devido ao acúmulo de fluido (ascite) causado pelo câncer.
  • Dificuldade para comer ou sentir-se cheia rapidamente: Muitas mulheres com câncer de ovário relatam uma perda de apetite ou dificuldade em comer normalmente. Isso pode ocorrer devido ao inchaço abdominal ou à pressão exercida pelo tumor nos órgãos digestivos.
  • Necessidade frequente de urinar: O câncer de ovário pode exercer pressão sobre a bexiga, causando uma necessidade aumentada de urinar com mais frequência.
  • Alterações no ciclo menstrual: Algumas mulheres com câncer de ovário podem experimentar alterações no ciclo menstrual, como sangramento irregular ou sangramento após a menopausa.
  • Dor durante a relação sexual: O câncer de ovário pode causar dor durante a relação sexual devido à pressão exercida pelo tumor nos órgãos pélvicos.
  • Náuseas
  • Mudanças intestinais: como diarreia e/ou prisão de ventre.
  • Cansaço incomum
  • Dor nas costas
  • Em casos mais raros, os tumores podem produzir hormônios masculinos, fazendo com que a mulher possa apresentar um crescimento anormal de pelos pelo corpo.

    É importante ressaltar que esses sintomas NÃO SÃO EXCLUSIVOS DO CÂNCER DE OVÁRIO e podem ser causados por uma variedade de outras condições benignas. No entanto, se uma mulher experimentar esses sintomas de forma persistente e inexplicável, é importante que ela consulte um médico para avaliação e diagnóstico adequados. O diagnóstico precoce do câncer de ovário pode melhorar significativamente as chances de tratamento bem-sucedido.

    Quais são os fatores de risco para uma mulher desenvolver câncer de ovário?

    O desenvolvimento de qualquer tipo de câncer, não somente o câncer de ovário, pode depender de diversos fatores, por isso é uma doença multifatorial, mas isso não significa que todas as pessoas que apresentem esses fatores desenvolverão o câncer futuramente.4

    Contudo, existem alguns estudos que destacam estatisticamente alguns fatores de risco mais relevantes que podem levar ao surgimento da doença, como:

    • Envelhecimento: alguns cânceres surgem com o aumento da idade,
    • História familiar: de câncer de ovário ou câncer de mama,
    • Nunca ter engravidado: Mulheres que já tiveram filhos apresentam menor risco de ter câncer no ovário do que mulheres que nunca tiveram filhos,
    • Obesidade: O excesso de peso devido a obesidade aumenta o risco do desenvolvimento de diversos tipos de cânceres.

    Como o câncer de ovário pode afetar a fertilidade da mulher?

    O câncer de ovário e o seu tratamento podem afetar significativamente a fertilidade da mulher, podemos destacar 4 motivos para que isso ocorra:

    1. Remoção dos ovários: Em estágios avançados do câncer de ovário, pode ser necessário remover um ou ambos os ovários durante a cirurgia. Isso pode resultar em infertilidade permanente, já que os ovários são responsáveis pela produção e liberação dos óvulos. Além disso outros órgãos como útero e tubas também podem ser retirados ou danificados durante o procedimento cirúrgico.
    2. Quimioterapia: A quimioterapia, um tratamento comum para diversos tipos de câncer, pode danificar os ovários e diminuir a reserva ovariana, ou seja, afetar a quantidade e qualidade dos óvulos restantes nos ovários. Isso pode levar à diminuição da fertilidade ou à menopausa precoce.
    3. Radioterapia: Em alguns casos, a radioterapia pode ser usada para tratar o câncer de ovário. A exposição à radiação pode danificar os tecidos ovarianos, reduzindo a função ovariana e afetando a fertilidade. Pode ainda haver lesão do endométrio (tecido que reveste internamente o útero), prejudicando a implantação do embrião.
    4. Alterações hormonais: Alguns tratamentos para o câncer de ovário podem causar alterações hormonais que afetam a ovulação e a capacidade de engravidar.
    Estágios do câncer de Ovário

    É crucial para a paciente que converse com seu médico oncologista sobre as opções de tratamento para a preservação da fertilidade antes de iniciar o tratamento oncológico, pois se ela ainda deseja ter filhos no futuro é essencial que ela realize o procedimento de “Congelamento de Óvulos” para que futuramente, após a cura, possa recorrer ao tratamento de Fertilização in vitro – FIV, para que possa engravidar novamente, caso uma gestação natural não seja possível.

    Como é possível preservar a fertilidade em pacientes oncológicos?

    Para a preservação da fertilidade em mulheres diagnosticadas com câncer de ovário, existem algumas opções que podem ser consideradas antes do início do tratamento:

    • Coleta e congelamento dos óvulos: Este é o método mais comum de preservação da fertilidade, também conhecida como criopreservação. Esse processo se inicia pela estimulação ovariana com medicamentos para que vários folículos (pequenos cistos que contém um óvulo cada) cresçam e vários óvulos amadureçam ao mesmo tempo. Esses folículos são, então, aspirados através de um procedimento minimamente invasivo, chamado de punção folicular, que é realizado via transvaginal sob sedação. Os óvulos extraídos dos folículos são, então, criopreservados para uso no futuro.5 Esse processo leva em torno de 15 dias para ser concluído.
    • Criopreservação de tecido ovariano: Este método envolve a remoção cirúrgica de uma porção do tecido ovariano, que contém folículos ovarianos imaturos. Este tecido é então congelado e armazenado. Futuramente esse tecido pode ser descongelado e reimplantado no ovário remanescente ou na janela peritoneal da fossa ovariana, para que os folículos contendo óvulos e possam se desenvolver. Esta técnica é menos comum que a criopreservação de óvulos e é geralmente considerada para mulheres que não podem passar por estimulação ovariana devido a restrições de tempo ou condições médicas.6 Entretanto, no caso do câncer de ovário, esta opção tem que ser muito bem avaliada pelo oncologista pelo risco de doença maligna no tecido ovariano criopreservado e de recidiva da doença após o reimplante, sendo geralmente contraindicado.

    A idade da paciente e o estágio do câncer de ovário podem influenciar a viabilidade dessas opções.

    É importante discutir com um médico oncologista e um especialista em reprodução assistida o mais rápido possível após o diagnóstico do câncer de ovário, pois algumas opções de preservação da fertilidade podem precisar ser realizadas antes do início do tratamento do câncer. O melhor momento para a preservação da fertilidade varia de caso para caso, mas geralmente é recomendado que seja feito o mais cedo possível após o diagnóstico e antes do início do tratamento.

    Entretanto, nem todas as pacientes podem realizar esses procedimentos, pois irá depender de vários fatores, incluindo o estágio do câncer e o tipo de tratamento necessário.

    Baixe gratuitamente o e-book “Congelamento de Óvulos” e entenda como é realizada e para quem é indicada essa técnica de preservação da fertilidade feminina.

    Como é feita a avaliação da fertilidade antes e depois do tratamento oncológico?

    A avaliação da fertilidade em mulheres com câncer, incluindo o câncer de ovário, pode ocorrer em diferentes momentos: antes do tratamento oncológico e após o término do tratamento7. O ideal é que se faça nos dois momentos:

    Antes do Tratamento Oncológico:

    1. Histórico clínico e físico: Durante a consulta, o médico especialista em reprodução humana irá coletar informações detalhadas sobre a saúde reprodutiva da paciente, incluindo histórico menstrual, gravidez anteriores, uso de contraceptivos e qualquer problema de fertilidade anterior, incluindo o histórico familiar.
    2. Avaliação da fertilidade: A pacientes será submetida a alguns exames de sangue para medir seus níveis hormonais, incluindo hormônios relacionados à função ovariana, como FSH (hormônio folículo-estimulante), estradiol e hormônio antimulleriano (AMH). Esses exames ajudam a avaliar a reserva ovariana da mulher, ou seja, a quantidade dos óvulos remanescentes nos ovários, entretanto, não conseguem prever qualidade dos mesmos. Infelizmente, ainda não dispomos de exames que prevejam a qualidade dos óvulos.
    3. Ultrassonografia transvaginal: Este exame de imagem é usado para contar o número de folículos ovarianos antrais, que são, como o AMH, uma medida da reserva ovariana.
    4. Outros testes de imagem: Dependendo da situação clínica, outros exames de imagem, como ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada (TC), podem ser realizados para avaliar a extensão do câncer de ovário e possíveis impactos em outros órgãos reprodutivos, como tubas uterinas e o útero.

    Após o Tratamento Oncológico:

    1. Avaliação da reserva ovariana: Após o término do tratamento oncológico, a mulher pode passar por uma reavaliação da reserva ovariana, repetindo os testes hormonais e a ultrassonografia transvaginal. Isso ajuda a determinar o impacto do tratamento na função ovariana e na reserva de óvulos.
    2. Acompanhamento regular: A paciente deve ser acompanhada por um médico especialista em fertilidade e reprodução assistida para monitorar sua saúde reprodutiva ao longo do tempo. Isso pode envolver exames de sangue periódicos para verificar os níveis hormonais e a função ovariana.

    É importante ressaltar que a avaliação da fertilidade em mulheres com câncer de ovário deve ser individualizada e realizada por uma equipe multidisciplinar, incluindo oncologistas, ginecologistas e especialistas em fertilidade. Isso ajuda a garantir que a paciente receba cuidados abrangentes e personalizados para suas necessidades específicas.

    Quais são as opções caso a mulher não consiga preservar a fertilidade antes do tratamento oncológico?

    Caso não seja possível preservar a fertilidade da mulher antes do início do tratamento oncológico e após a avaliação da fertilidade pós tratamento seja identificado que ainda existe a função ovariana, mesmo que reduzida, é possível iniciar uma estimulação ovariana para a coleta de óvulos para criopreservação ou tratamento da Fertilização In Vitro – FIV. Caso a paciente não consiga bom número de óvulos na primeira estimulação, é possível realizar outras estimulações ovarianas para a coleta desses óvulos, para que posteriormente esse óvulo seja fertilizado com o material masculino, seja do parceiro ou de banco de sêmen, para que o embrião seja formado através da FIV e transferido.

    No entanto, caso o ovário entre em falência devido a quimio e/ou a radioterapia e não produzir mais folículos, ou até mesmo nos casos onde é necessário a retirada do(s) ovário(s), a única opção será o uso de óvulos de doadora.

    Baixe gratuitamente o e-book “Doação e Recepção de Óvulos” e entenda como funciona passo a passo essa técnica que, às vezes, pode ser a última alternativa que a mulher possa gerar um filho em seu próprio ventre.

    Aqui no IPGO, nós entendemos como o diagnóstico do câncer é sofrido, para todas as idades seja para homem ou para a mulher, mas nós sentimos na pele quando uma mulher jovem que carrega em seu coração o desejo, o sonho de ter uma família é interrompido por uma doença tão imprevisível como é o diagnóstico do câncer. Se por um lado essa realidade causa pânico ao se pensar no futuro que vem pela frente, lembre-se que a medicina evolui a cada dia e os tratamentos estão cada vez mais eficazes e precisos. Por isso minha mensagem para você que está passando por esse momento, muitas vezes tão assustador, é NÃO PERCA A SUA FÉ, pense positivo, confie na medicina, estamos aqui trabalhando, estudando para que cada vez mais os tratamentos para a cura do câncer sejam mais e mais eficazes e que seus efeitos colaterais sejam minimizados. Na reprodução assistida, nós temos meios muito eficazes para poder ajudar na preservação da sua fertilidade, para que você tenha boas chances de realizar o sonho de ser mãe no futuro. É para isso que estamos aqui, para ajudar você na construção da sua família.

    Equipe IPGO

    • Dr. Arnaldo Cambiaghi
    • Dr. Rogério Leão

    Fonte

    1. https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/estimativa/estado-capital/brasil
    2. Livro Oncofertilidade na Prática Médica – capítulo 4 – pág. 43
    3. https://sbco.org.br/sintomas-de-cancer-no-ovario/
    4. https://sbco.org.br/sintomas-de-cancer-no-ovario/
    5. Livro Oncofertilidade na Prática Médica – capítulo 10 – páginas 117 a 146
    6. Livro Oncofertilidade na Prática Médica – capítulo 11 – páginas 147 a 158
    7. Livro Oncofertilidade na Prática Médica – capítulo 6 – pág. 69 a 78

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