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Medicamento para o tratamento dos miomas

Ulipristal é um novo medicamento tomado por via oral, que diminui o tamanho e o sangramento excessivo provocado pelos miomas (nomes comerciais: Esmya e Vilaprisan)

Por: Dr Arnaldo Schizzi Cambiaghi e Dr. Rogerio B. F. Leão

Os miomas uterinos (também conhecidos como leiomiomas ou fibromas) são os tumores uterinos benignos mais comuns na vida reprodutiva da mulher. Atingem até 50% das mulheres entre 30 e 50 anos. As manifestações clínicas incluem sangramento uterino anormal, massas pélvicas, dor pélvica, infertilidade, além de outras alterações que, somadas, podem levar acomplicações obstétricas e no parto.

Um terço das mulheres com miomas necessita de tratamento médico e/ou cirúrgico devido aossintomas. As estratégias atuais de tratamento envolvem principalmente intervenções cirúrgicas, mas a escolha do tratamento é orientada pela idade da paciente e o desejo ou a necessidade de preservar a fertilidade ou mesmo de evitar a cirurgia “radical”, como a histerectomia (retirada do útero).

O manejono tratamento dos miomas uterinos depende muito do número, tamanho e localização e da experiência do ginecologista-cirurgião. As estratégias cirúrgicas e não cirúrgicas devem ser individualizadas caso a caso e incluem amiomectomia (retirada do mioma) por histeroscopia, por laparotomia ou vídeolaparoscopia,a embolização da artéria uterina e intervenções realizadas sob orientação radiológica ou ultrassonográfica para induzir a ablação térmica dos miomas uterinos.

O impacto econômico e emocional no tratamento dos miomas uterinos são significativos, pois afetam a vida cotidiana, limitando, muitas vezes seu trabalho, adiando, impedindo ou pondo em risco a fertilidade e a gestação. Por isso, é imperativo que novos tratamentos sejam desenvolvidos para fornecer alternativas à intervenção cirúrgica.

A necessidade de alternativas com tratamentos medicamentosos que possam substituir a intervenção cirúrgica dos miomas uterinos tem sido uma busca permanente, especialmente para as mulheres que procuram preservar sua fertilidade.

Há evidências crescentes do papel do uso de alguns hormônios como o conhecido agonista do GnRh:  acetato de gosserrelina (Zoladex® 3,6 mg e Zoladex LA® 10,8 mg), acetato de triptorrelina (Gonapeptyl® Depot 3,75 mg) e outros. Agem na hipófise bloqueando o seu funcionamento, reduzindo, assim,a produção de FSH/LH, que leva, indiretamente,  a uma redução drástica da produção do estradiol e progesterona mas com efeitos colaterais bastante indesejáveis.

Sua ação varia de acordo com o tecido:

NA HIPÓFISE: reduz secreção de FSH e LH, induzindo amenorreia (ausência de menstruação) e impedindo a ovulação;

NOS MIOMAS: reduz o volume, pois induz apoptose (morte celular) e inibe proliferação celular;

NO ENDOMÉTRIO: diminui sangramento, mas leva a alterações, o que gera preocupação. Entretanto, essas alterações vêm se mostrando benignas e reversíveis.

Alguns estudos vêm avaliando a eficácia do Acetato de Ulipristal em miomas e, após os bons resultados com o uso por 3 meses, foi investigada a evolução do tratamento intermitente em longo prazo. Os resultados foram excelentes:

  • 70-74% dos casos entraram em amenorreia (ausência de menstruação), sendo que em mais de 80% já houve melhora em 5 dias.
  • Após 4 ciclos, 67% tiveram redução significativa do tamanho dos miomas. Em média, houve uma redução de mais 25% do volume.
  • Somente 3,1% das pacientes necessitaram cirurgia.
  • A incidência de alterações endometriais foi semelhante ao uso em ciclo único. Somente 0,89% apresentaram hiperplasia.

Gravidez

Os resultados demonstraram ser excelentes. A grande preocupação era se, após cessar o uso da medicação, os miomas tenderiam a voltar a crescer. Assim,um outro estudo, avaliou pacientes que utilizaram UPA por 3 meses, acompanhando as mesmas por 1 ano após cessar o uso. Todas tinham indicação de cirurgia antes do estudo. Com o uso de UPA, menos de 40% necessitaram cirurgia, mesmo após 1 ano sem medicação.

Dessa forma, o UPA é uma boa opção para se evitar cirurgia em pacientes com risco cirúrgico elevado ou com miomas grandes ou múltiplos que desejam gestação, uma vez que há o risco de perda uterina durante a cirurgia. Também tem bom uso na peri-menopausa, controlando os sintomas até a menopausa, quando, então, os miomas espontaneamente regridem, evitando-se, assim, a necessidade de cirurgia.

Referências Bibliográficas

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  4. Donnez J, Tomaszewski J, Vázquez F, Bouchard P, Lemieszczuk B, Baró F, et al; PEARL II Study Group. Ulipristal acetate versus leuprolide acetate for uterine fibroids. N Engl J Med. 2012 Feb 2;366(5):421-32.
  5. Donnez J, Vázquez F, Tomaszewski J, Nouri K, Bouchard P, Fauser BC, et al; PEARL III and PEARL III Extension Study Group. Long-term treatment of uterine fibroids with ulipristal acetate. FertilSteril. 2014 Jun;101(6):1565-73.e1-18.
  6. Garnock-Jones KP1, Duggan ST. Ulipristal Acetate: A Review in Symptomatic Uterine Fibroids. 2017 Oct;77(15):1665-1675.
  7. Luyckx M, Squifflet JL, Jadoul P, Votino R, Dolmans MM, Donnez J. First series of 18 pregnancies after ulipristal acetate treatment for uterine fibroids. 2014 Nov;102(5):1404-9.
  8. Odejinmi F, Oliver R, Mallick R. Is ulipristal acetate the new drug of choice for the medical management of uterine fibroids? Res ipsaloquitur? Womens Health (Lond). 2017 Nov 1:1745505717740218.
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